A resposta curta
Cento e dez anos, segundo Gênesis 50:22 e 50:26, a idade que os textos egípcios tinham como a vida ideal. José chegou a ver os bisnetos. Foi embalsamado e posto num caixão no Egito, depois de fazer os filhos de Israel jurarem que levariam os ossos dele para Canaã, promessa que Moisés cumpriu no Êxodo.
Revisado em
Cento e dez anos
O Gênesis dá o número duas vezes, no começo e no fim da última cena de José.
José habitou no Egito, ele e a casa de seu pai. José viveu cento e dez anos. José viu os filhos de Efraim até a terceira geração. Os filhos também de Maquir, filho de Manassés, nasceram sobre os joelhos de José.
Os filhos de Maquir eram bisnetos de José: ele viveu o bastante para pegá-los no colo. Os outros números do Gênesis completam a linha do tempo. José foi vendido aos dezessete (37:2), apresentou-se a Faraó aos trinta (41:46) e tinha trinta e nove quando a família desceu para o Egito. Jacó ainda viveu dezessete anos ali (47:28), então José tinha cinquenta e seis no enterro do pai e viveu mais cinquenta e quatro depois dele. Ao todo, foram uns noventa e três anos no Egito, muito mais do que ele viveu em Canaã.
Por que 110?
O Gênesis não explica o número, mas um leitor egípcio o reconheceria na hora. Nos textos do Egito, 110 anos era a medida ideal de uma vida abençoada. A Instrução de Ptah-Hotep, um clássico da sabedoria egípcia, termina com o velho sábio dizendo que chegou aos 110 anos. José, o hebreu que virou figurão egípcio, morre com a idade perfeita para um egípcio. Josué, que levou Israel para Canaã, também morreu com 110 (Josué 24:29).
Entre os patriarcas, a vida de José é a mais curta. Abraão viveu 175 anos (25:7), Isaque 180 (35:28) e Jacó 147 (47:28). O próprio Jacó já tinha dito a Faraó que os anos dele tinham sido “poucos e maus” perto dos anos dos pais dele (47:9).
Os ossos que esperaram
José fez os filhos de Israel prestarem juramento, dizendo: “Deus certamente visitará vocês, e vocês levarão os meus ossos daqui.” Assim José morreu, tendo cento e dez anos de idade, e eles o embalsamaram, e ele foi colocado em um caixão no Egito.
É a última frase do Gênesis. O livro que começa com a criação do mundo termina com um caixão no Egito e uma promessa.
A promessa foi cumprida. No Êxodo, “Moisés levou consigo os ossos de José” (Êxodo 13:19), e anos depois eles foram sepultados em Siquém, no terreno que Jacó tinha comprado ali (Josué 24:32), perto dos campos onde o José de dezessete anos tinha ido procurar os irmãos. A Carta aos Hebreus conta o pedido sobre os ossos como um ato de fé (Hebreus 11:22). Um pequeno edifício com cúpula perto de Nablus, na Cisjordânia, é venerado hoje como o Túmulo de José. Ele marca uma tradição, não uma identificação arqueológica.
Depois de José
O Êxodo retoma o fio em duas linhas: “José morreu, assim como todos os seus irmãos e toda aquela geração” (Êxodo 1:6), e logo “levantou-se um novo rei sobre o Egito, que não conhecia a José” (1:8). A idade do pai está em quantos anos Jacó viveu, e o homem que tirou os ossos de José do Egito tem página própria: quantos anos Moisés tinha quando morreu.
Fontes
- Gênesis 50:22–26
- Gênesis 25:7; 35:28; 37:2; 41:46; 47:9, 28
- Êxodo 1:6–8; 13:19
- Josué 24:29, 32; Hebreus 11:22
- Instrução de Ptah-Hotep, epílogo
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.