Mitos gregos · Fatos

Como Afrodite nasceu?

A resposta curta

Na Teogonia de Hesíodo, da espuma do mar. Cronos ataca o pai, o Céu, com uma foice, e o que ele corta cai no mar; uma espuma branca se espalha em volta, nela cresce uma deusa, e ela chega à praia em Chipre. Homero conta de outro jeito: na Ilíada, Afrodite é filha de Zeus e Dione.

Revisado em

Hesíodo: nascida da espuma

Hesíodo, por volta de 700 a.C., põe o nascimento dela logo no começo da história da família dos deuses. Cronos ataca o pai, o Céu, com uma foice, e o que ele corta é lançado ao mar. Aquilo fica à deriva por muito tempo, e uma espuma branca se espalha em volta:

e nela cresceu uma donzela. Primeiro ela se aproximou da sagrada Citera, e dali, depois, chegou a Chipre, cercada pelo mar, e saiu das ondas uma deusa venerável e bela, e a relva brotava em volta dela, sob os pés delicados.

Hesíodo, Teogonia 191–195

Em seguida, Hesíodo explica os nomes dela. Deuses e homens a chamam de Afrodite porque ela cresceu na espuma, aphros em grego; de Citereia porque chegou a Citera, uma ilha ao sul do Peloponeso; e de Ciprogênia, nascida em Chipre (Teogonia 195–199). Eros e o Desejo a acompanham desde o início, e o que lhe cabe entre deuses e mortais são “os sussurros das moças, os sorrisos e os enganos, com doce prazer, amor e graça” (203–206).

Assim, em Hesíodo, Afrodite é mais velha que Zeus. Pertence à primeira geração de divindades e nasceu antes de Cronos engolir qualquer filho.

Homero: filha de Zeus

Homero conta uma história de família. No canto 5 da Ilíada, Afrodite é ferida no campo de batalha quando tenta tirar do perigo o filho, Eneias, herói da lenda da fundação de Roma, e foge para o Olimpo:

Afrodite se lançou no colo da mãe, Dione, que a envolveu nos braços e a acariciou

Homero, Ilíada 5.370–372

Depois o pai, Zeus, lhe diz com carinho que deixe a luta para os outros e cuide dos assuntos do casamento (Ilíada 5.426–430). Para Homero, ela é só mais uma filha de Zeus, mais nova que o pai.

Os poetas discordam

Os gregos ficaram com as duas histórias, e alguns tentaram conciliá-las. No Banquete, de Platão, um dos convidados defende que existem duas Afrodites: uma Celeste, Urânia, filha de Urano e sem mãe, e uma Popular, Pandêmia, filha de Zeus e Dione (180d–e).

O curto sexto Hino homérico fica com o mar. Ele canta como “o sopro úmido do vento oeste a levou sobre as ondas do mar ruidoso, na espuma macia” até Chipre, onde as Horas a receberam, a vestiram de ouro e a levaram aos deuses (Hino 6.3–18).

Chipre, o nome e um quadro

Chipre era a ilha dela. O grande santuário ficava em Pafos, e uma rocha no mar, naquele litoral, a Petra tou Romiou, ainda é apontada como o lugar onde ela chegou à praia. A ligação que Hesíodo faz entre Afrodite e aphros é etimologia de poeta. Muitos estudiosos desconfiam que o nome é mais antigo que a história e talvez tenha vindo do Oriente, onde deusas como Astarte tinham muito em comum com ela. Ninguém sabe ao certo.

Os pintores seguiram Hesíodo e o Hino. O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli, na Galeria Uffizi, em Florença, mostra o vento oeste soprando a deusa até a praia e uma figura, em geral identificada como uma das Horas, à espera com um manto. A concha sob os pés dela não está em nenhum dos dois poemas; artistas romanos já a punham numa. Mais tarde, ela entra numa disputa de beleza por um pomo de ouro: o pomo da discórdia.

Fontes

  • Hesíodo, Teogonia 173–206
  • Homero, Ilíada 5.311–430
  • Hino homérico 6, a Afrodite
  • Platão, Banquete 180d–e
  • Sandro Botticelli, O Nascimento de Vênus (c. 1485), Galeria Uffizi, Florença