Mitos gregos · Pessoas

Quem foi Helena de Troia?

A resposta curta

Helena de Troia é a rainha de Esparta no mito grego, mulher do rei Menelau e, na maioria das versões, filha de Zeus e Leda. O príncipe troiano Páris a levou para Troia, à força ou com o consentimento dela, conforme o poeta, e um exército grego partiu para buscá-la. Uma versão antiga diz que ela nunca chegou a Troia.

Revisado em

Filha de Zeus, rainha de Esparta

No mito, Helena é filha de Zeus e de Leda, mulher do rei Tíndaro de Esparta, embora os Cantos Cíprios, um poema antigo, digam que a mãe dela foi a deusa Nêmesis (O que significa ‘nêmesis’?). A irmã, Clitemnestra, casou com Agamêmnon, de Micenas; os irmãos eram Castor e Pólux. Tantos príncipes vieram pedir a mão dela que o pai temeu uma guerra entre os recusados, história contada em Por que começou a Guerra de Troia? Ela se casou com Menelau, que virou rei de Esparta, e os dois tiveram uma filha, Hermíone.

Raptada ou por vontade própria?

Os poetas nunca chegaram a um acordo. No resumo dos Cantos Cíprios, Afrodite aproxima Páris e Helena enquanto Menelau está em Creta, e os dois embarcam grandes tesouros e partem à noite. Safo, por volta de 600 a.C., cita Helena como a mulher que deixou o melhor dos maridos por amor. A Helena de Homero, já em Troia, culpa a si mesma. Nas muralhas, apontando os chefes gregos ao velho Príamo, que acabou de dizer que culpa os deuses e não ela, Helena responde:

quem dera eu tivesse escolhido a morte em vez de vir para cá com o seu filho, longe do meu quarto de casada, dos meus amigos, da minha filha querida e de todas as companheiras da minha juventude.

Homero, Ilíada 3.173–175

De volta a Esparta, na Odisseia, ela põe a culpa em Afrodite, que a levou para longe da pátria (4.261). O orador Górgias chegou a escrever um discurso inteiro em defesa dela: se foram os deuses, a força, a persuasão ou o amor que a moveram, argumentava, a culpa não era de Helena.

A Helena que nunca chegou a Troia

Ao lado da versão de Homero, existe outra, mais estranha. Contava-se que o poeta Estesícoro ficou cego por difamar Helena e recuperou a visão ao cantar que ela nunca navegou para Troia (Platão, Fedro 243a). Heródoto ouviu de sacerdotes egípcios que tempestades levaram Páris ao Egito, onde o rei Proteu guardou Helena durante toda a guerra. E acreditou neles: para ele, Príamo teria devolvido Helena antes de perder os filhos e a cidade (2.112–120). Eurípides fez disso uma peça, Helena (412 a.C.), em que os deuses mandam um fantasma para Troia enquanto a verdadeira espera às margens do Nilo.

Depois da guerra

Quando Troia caiu, Menelau a encontrou e a levou de volta. Anos depois, a Odisseia mostra o casal no palácio de Esparta, recebendo Telêmaco, filho de Odisseu: Homero a chama de filha de Zeus, e ela põe no vinho uma droga trazida do Egito que tira toda a tristeza. Os espartanos cultuavam Helena e Menelau juntos num santuário em Terapne, perto de Esparta, cujas ruínas os arqueólogos chamam de Menelaion. Não há prova de que uma Helena histórica tenha existido; há muitas provas de que ela foi venerada.

O rosto que lançou mil navios

O Catálogo das Naus, de Homero, soma 1.186 navios (Ilíada 2). O número redondo, mil, é de Christopher Marlowe, cujo Doutor Fausto, impresso em 1604, pergunta ao fantasma dela: “Foi este o rosto que lançou ao mar mil navios e incendiou as altíssimas torres de Ílion?” Homero dá a Helena uma imagem mais discreta. Quando a deusa mensageira Íris a encontra, no canto 3 da Ilíada, ela está tecendo um grande pano púrpura e bordando nele, diz Homero, as batalhas que troianos e gregos travavam por ela.

Fontes

  • Homero, Ilíada 2.494–759; 3.121–180
  • Homero, Odisseia 4.120–305
  • Proclo, resumo dos Cantos Cíprios
  • Heródoto, Histórias 2.112–120
  • Eurípides, Helena (412 a.C.); Platão, Fedro 243a
  • Christopher Marlowe, Doutor Fausto (1604)