Mitos gregos · Fatos

Por que começou a Guerra de Troia?

A resposta curta

No mito, a guerra começou quando Páris, príncipe de Troia, partiu de Esparta levando Helena, mulher do rei Menelau, que o recebera como hóspede, e o tesouro do palácio, violando as leis da hospitalidade. Os antigos pretendentes de Helena tinham jurado defender o marido dela, e Agamêmnon pôde convocar todos os reis gregos. Os poetas dizem que Zeus planejou tudo.

Revisado em

O plano de Zeus

O resumo mais antigo da história, o dos Cantos Cíprios, um poema perdido, começa assim: “Zeus planeja com Têmis provocar a Guerra de Troia.” Um fragmento do mesmo poema explica o motivo:

Houve um tempo em que as incontáveis tribos dos homens, embora espalhadas, pesavam sobre a superfície da terra de seio profundo, e Zeus viu isso, teve pena e, em seu sábio coração, resolveu aliviar dos homens a terra que a todos nutre, provocando a grande luta da guerra de Ílion, para que o peso da morte esvaziasse o mundo.

Cantos Cíprios, fragmento 3

A Ilíada talvez aluda ao mesmo projeto logo no começo, quando os mortos se acumulam e “assim se cumpriam os desígnios de Zeus” (1.5). Apolodoro registra outros motivos: Zeus queria que a filha ficasse famosa por pôr a Europa e a Ásia em guerra, ou queria exaltar a raça dos heróis (Epítome 3.1). A briga entre três deusas e o veredito de Páris foram o meio, como conta O que significa ‘pomo da discórdia’?

Um crime contra o anfitrião

Na terra, a guerra começou com uma traição à hospitalidade. Páris navegou até Esparta e foi recebido como hóspede, primeiro pelos irmãos de Helena, depois por Menelau, que o recebeu com banquetes e depois partiu para um funeral em Creta, confiando a Helena o cuidado com os visitantes. Páris foi embora à noite com Helena e o tesouro do palácio. Para os gregos, isso violava a xenia, o laço entre hóspede e anfitrião protegido pelo próprio Zeus, o Zeus Xênio. Se Helena foi levada ou escolheu ir, os poetas divergem, como explica Quem foi Helena de Troia? Quando enviados gregos exigiram de volta Helena e o tesouro, dizem os Cantos Cíprios, os troianos recusaram.

O juramento dos pretendentes

Por que a Grécia inteira foi? Anos antes, tantos príncipes tinham pedido Helena em casamento que o pai dela, Tíndaro, temeu que os recusados se voltassem contra o escolhido. Odisseu propôs uma saída em troca de ajuda para conquistar Penélope: cada pretendente juraria defender o noivo escolhido contra qualquer ofensa ligada ao casamento (Apolodoro, Biblioteca 3.10.9). Tíndaro escolheu Menelau, e o juramento ficou de pé. Agora Menelau o cobrava, e o irmão dele, Agamêmnon, rei de Micenas, reuniu o exército. O historiador Tucídides duvidava que o juramento pesasse tanto: para ele, Agamêmnon comandou porque era o rei mais poderoso da época (1.9).

Heróis sem vontade de ir

Nem todo rei queria embarcar. Odisseu se fingiu de louco até que Palamedes agarrou o filho pequeno dele, Telêmaco, e a encenação desmoronou. Tétis, que sabia que o filho morreria jovem em Troia, escondeu Aquiles na ilha de Ciros, vestido de menina entre as filhas do rei Licomedes; Odisseu o desmascarou com uma pilha de presentes que incluía armas e um toque repentino de trombeta.

De Áulis ao décimo ano

Quanto tempo durou a Guerra de Troia? Dez anos, na conta dos poetas, e a contagem começa em Áulis, onde a frota se reuniu. Nos Cantos Cíprios, ela primeiro foi parar na Mísia e saqueou a cidade errada, Teutrânia, pensando que era Troia, até que uma tempestade espalhou os navios. Na segunda reunião, Agamêmnon matou um cervo e se gabou de caçar melhor que Ártemis, e a deusa segurou os ventos até que a filha dele, Ifigênia, fosse levada ao altar; nos Cantos Cíprios, Ártemis arrebata a menina e põe um cervo no lugar. Também em Áulis, o adivinho Calcas leu o presságio de uma serpente que devorou nove pardais: nove anos de luta em Troia e, no décimo, a cidade tomada (Ilíada 2.328–329). Tucídides culpava a falta de mantimentos, que obrigava o exército a plantar e saquear em vez de apertar o cerco (1.11).

Fontes

  • Proclo, resumo dos Cantos Cíprios, e Cantos Cíprios, fragmento 3
  • Homero, Ilíada 1.1–7 e 2.299–332
  • Apolodoro, Biblioteca 3.10.9 e Epítome 3.1–22
  • Tucídides, História da Guerra do Peloponeso 1.9–11