A resposta curta
De uma doença, em Nola, perto de Nápoles, em 19 de agosto de 14 d.C., aos 75 anos, no quarto onde o pai tinha morrido. Suetônio diz que ele perguntou aos amigos se tinha representado bem a comédia da vida e morreu beijando a mulher, Lívia. Tácito e Dio registram um boato, sem prova, de que Lívia o envenenou.
Revisado em
A última viagem
No verão de 14 d.C., Augusto tinha setenta e cinco anos e governava havia mais de quarenta. O enteado e herdeiro, Tibério, estava de partida para a Ilíria, do outro lado do Adriático, e o velho imperador resolveu acompanhá-lo até Benevento. No caminho começou uma doença, conta Suetônio, com uma crise de diarreia. Passeou pelo litoral da Campânia e pelas ilhas e passou quatro dias de descanso em Capri (Augusto 97–98).
Perto de Putéoli, passageiros e marinheiros de um navio recém-chegado de Alexandria vestiram roupas brancas e coroas de flores, queimaram incenso e gritaram que graças a ele viviam, navegavam e gozavam de liberdade e fortuna. Encantado, ele deu quarenta moedas de ouro a cada um dos companheiros, com a condição de que gastassem tudo em mercadorias de Alexandria. Em Nápoles assistiu aos jogos em sua homenagem, seguiu com Tibério até Benevento e, na volta, piorou. Em Nola caiu de cama, chamou Tibério de volta e passou muito tempo a sós com ele.
O último dia
Suetônio descreve o último dia de perto (Augusto 99). Augusto perguntava sem parar se havia alguma agitação lá fora por causa dele. Pediu um espelho, mandou pentear o cabelo e ajeitar o queixo caído. Depois perguntou aos amigos se achavam que ele tinha representado bem a comédia da vida, e acrescentou os versos que um ator diz no fim da peça, pedindo à plateia que aplaudisse e o mandasse embora com palmas.
Dispensou os amigos, perguntou por uma jovem parente que estava doente e então, beijando Lívia, disse as últimas palavras: “Lívia, viva lembrando do nosso casamento, e adeus”. Estavam casados havia mais de cinquenta anos. Ele teve, diz Suetônio, a morte tranquila que sempre tinha pedido aos deuses. O único sinal de delírio foi um momento de pavor, quando gritou que quarenta rapazes o estavam levando embora. Foi uma profecia: quarenta soldados da guarda carregaram o corpo dele. Morreu à tarde, em 19 de agosto, no mesmo quarto que o pai, trinta e cinco dias antes de fazer setenta e seis anos (Augusto 100).
Lívia o envenenou?
Tácito diz que alguns suspeitavam de um crime da esposa do imperador. Corria o boato de que, poucos meses antes, Augusto tinha navegado em segredo, com um único amigo de confiança, Fábio Máximo, até a ilha de Planásia, para visitar o neto exilado, Agripa Póstumo, e que houve lágrimas e gestos de carinho dos dois lados. Fábio contou à mulher, ela contou a Lívia, e logo Fábio estava morto, talvez pelas próprias mãos (Anais 1.5).
Cássio Dio, um século depois de Tácito, acrescenta o detalhe que todo mundo lembra. Augusto gostava de colher figos do pé com as próprias mãos; Lívia passou veneno em alguns ainda na árvore, comeu os limpos e deixou que ele comesse os outros (56.30). Dio apresenta isso só como algo que se dizia.
A maioria dos historiadores duvida. Augusto tinha setenta e cinco anos e estava doente havia semanas. Mas o momento alimentou a fofoca. Lívia pôs soldados guardando a casa e as estradas, conta Tácito, e boletins otimistas foram saindo até que um só anúncio informou Roma de que Augusto estava morto e Tibério no comando. Se Tibério ainda o encontrou vivo, admite Tácito, ninguém sabia. Dias depois Agripa Póstumo foi morto por um centurião, o que Tácito chama de primeiro crime do novo reinado (Anais 1.6).
De Nola ao Mausoléu
Os conselheiros das cidades do caminho levaram o corpo rumo a Roma à noite, fugindo do calor de agosto, e os cavaleiros o receberam em Bovilas e o levaram para dentro da cidade. Depois do funeral, ele foi cremado no Campo de Marte, e um ex-pretor jurou ter visto o espírito do imperador subir ao céu; Dio diz que Lívia lhe pagou um milhão de sestércios. As cinzas foram para o grande Mausoléu redondo que Augusto tinha construído junto ao Tibre, e em 17 de setembro o Senado o declarou deus. Ele morreu no mês que levava o seu nome. Tácito pergunta quantos ainda restavam que tinham visto a República (Anais 1.3).
Fontes
- Suetônio, Vida de Augusto 97–101
- Tácito, Anais 1.3–6
- Cássio Dio, História Romana 56.29–46
- Veleio Patérculo, História Romana 2.123