Roma Antiga · Pessoas

Qual era o parentesco entre Augusto e Júlio César?

A resposta curta

Augusto era sobrinho-neto de César e, pelo testamento dele, seu filho adotivo. Nasceu Caio Otávio, em 63 a.C. A mãe, Ácia, era filha de Júlia, irmã de César. César não tinha filho legítimo, e o testamento adotou Otávio na família, deu a ele o seu nome e lhe deixou três quartos da herança.

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A árvore da família

César tinha duas irmãs, as duas chamadas Júlia, porque as filhas romanas recebiam o nome da família. Uma delas se casou com Marco Ácio Balbo, um senador de Arícia, nas colinas perto de Roma. Daí a linha segue reta até o primeiro imperador:

  • Júlia, irmã de César, casou-se com Marco Ácio Balbo.
  • Ácia, filha dos dois, casou-se com Caio Otávio, um homem rico de Velitras, o primeiro da família a entrar no Senado. Ele chegou a pretor e governou a Macedônia.
  • Caio Otávio, filho deles, nasceu em Roma em 23 de setembro de 63 a.C.: sobrinho-neto de César.
  • Otávia, irmã dele, se casaria depois com Marco Antônio.

Ou seja, Augusto era neto da irmã de César. Os autores romanos muitas vezes chamam César só de tio dele, mas o termo exato é tio-avô.

Crescendo à sombra de César

O menino perdeu o pai aos quatro anos, e Ácia se casou de novo, com Lúcio Márcio Filipo, que seria cônsul em 56 a.C. Com uns doze anos, Otávio fez o discurso fúnebre da avó Júlia diante do povo romano. César reparou nele. Com uns dezesseis, recebeu condecorações militares no triunfo africano de César, embora fosse jovem demais para ter lutado, e César elevou a família dele à condição de patrícia. Quando César foi à Hispânia enfrentar os filhos de Pompeu, o rapaz foi atrás, mal recuperado de uma doença, naufragou no caminho e passou por estradas tomadas pelo inimigo. Suetônio diz que isso conquistou César. Em 44 a.C., ele estudava em Apolônia, do outro lado do Adriático, à espera da guerra que César planejava no Oriente.

O que dizia o testamento

César escreveu o último testamento em setembro de 45 a.C. e o deixou com a chefe das virgens vestais. Ele nomeava herdeiros três netos das suas irmãs: Caio Otávio, com três quartos dos bens, e Lúcio Pinário e Quinto Pédio, com o resto. No fim, César adotava Otávio na família e lhe dava o seu nome.

Por que ele? César não tinha filho homem para herdar. A única filha legítima, Júlia, tinha morrido em 54 a.C. O menino que os alexandrinos chamavam de Cesarião, o pequeno César, não aparece no testamento, e um amigo de César, Caio Ópio, chegou a escrever um livro negando que a criança fosse dele. Em 30 a.C., depois de Ácio, Otaviano mandou matar Cesarião; Plutarco conta que um conselheiro o avisou de que César demais não era coisa boa.

Virando filho de César

Adotar por testamento não era comum, então Otávio garantiu a adoção por etapas. Assumiu o nome assim que os soldados de César em Brundísio o saudaram como filho de César, declarou diante do pretor urbano, em Roma, que aceitava a adoção e, em 43 a.C., cônsul aos dezenove anos, fez a antiga assembleia das cúrias ratificar a adoção. Esse voto, sugere Apiano, importava porque lhe dava todos os direitos de filho sobre os muitos libertos ricos de César. Agora ele era Caio Júlio César; os historiadores dizem Otaviano só para não confundir os dois. Antônio zombava dele como um garoto que devia tudo a um nome. Augusto se lembrava de outro jeito:

Aos dezenove anos, por iniciativa própria e à minha própria custa, levantei um exército com o qual devolvi a liberdade à república, que estava oprimida pela tirania de uma facção.

Augusto, Res Gestae 1

Quando o Senado declarou César um deus, em 42 a.C., o herdeiro virou divi filius, filho do divinizado, e pôs isso nas moedas. Nas Res Gestae, chama César simplesmente de “meu pai”. Como ele usou esse nome para se tornar o primeiro imperador é outra história. O costume da família sobreviveu aos dois: Augusto também não teve filho homem, só uma filha, Júlia, e em 4 d.C. passou o poder adiante por adoção, ao enteado Tibério.

Fontes

  • Suetônio, Vida de Augusto 1–8 e Vida de Júlio César 52, 83
  • Apiano, Guerras Civis 3.11–14 e 3.94
  • Augusto, Res Gestae 1–2
  • Plutarco, Vida de Antônio 81; Cícero, Filípicas 13.24–25