Roma Antiga · Fatos

Como Marco Antônio morreu?

A resposta curta

Ele se matou. Em agosto de 30 a.C., com o exército de Otaviano diante de Alexandria e a frota e a cavalaria desertando, Antônio ouviu a notícia falsa de que Cleópatra tinha morrido. Enfiou a espada na barriga, mas não morreu na hora. Foi içado com cordas até o túmulo onde ela se trancara e morreu nos braços dela.

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O caminho desde Ácio

O fim de Antônio começou no mar, um ano antes. Em Ácio, na costa oeste da Grécia, em 2 de setembro de 31 a.C., a esquadra de Cleópatra rompeu a linha de batalha e fugiu para o Egito, e Antônio foi atrás dela. Plutarco, a principal fonte, não perdoa:

Assim que viu o navio dela se afastar, esqueceu-se de tudo o mais, traiu e abandonou os que lutavam e morriam por sua causa, subiu numa galera de cinco remos … e correu atrás da mulher que já o tinha arruinado e que tornaria sua ruína ainda mais completa.

Plutarco, Vida de Antônio 66

A frota abandonada se rendeu, e o exército passou para o lado de Otaviano. Os aliados foram mudando de lado um a um. No verão de 30 a.C., Otaviano se aproximava de Alexandria. Antônio venceu uma pequena luta de cavalaria fora da cidade e preparou uma última batalha por terra e mar. Na noite anterior, conta Plutarco, a cidade silenciosa ouviu música e gritos de foliões saindo pelos portões rumo ao inimigo, e o povo entendeu que era Dioniso, o deus que Antônio gostava de encarnar, indo embora.

Por que ele achou que Cleópatra estava morta

Ao amanhecer, os navios dele avançaram, saudaram com os remos as tripulações de Otaviano e se juntaram a elas. A cavalaria desertou. A infantaria foi vencida. Antônio voltou à cidade gritando que Cleópatra o tinha traído justamente para os homens contra quem ele lutava por causa dela. Ela se refugiou no alto túmulo que tinha construído perto do templo de Ísis, baixou as portas trancadas e mandou avisar que estava morta.

As fontes não concordam sobre o motivo. Plutarco diz que ela teve medo da fúria dele. Cássio Dio, um século depois, é mais sombrio: ela já negociava por conta própria com Otaviano, fez a frota desertar e esperava que Antônio, ao acreditar na morte dela, não quisesse viver.

Uma morte lenta

Antônio acreditou. Anos antes, tinha feito um escravo chamado Eros prometer que o mataria se chegasse a hora. Eros puxou a espada, voltou-a contra si mesmo e caiu morto aos pés do senhor. Antônio o elogiou por ter mostrado o caminho e enterrou a própria espada na barriga. O ferimento não o matou depressa. Ele ficou implorando que os presentes acabassem com ele, até que chegou o secretário de Cleópatra com ordens de levá-lo até ela: estava viva.

Ela não quis abrir as portas. Os criados o carregaram até o pé do túmulo, e Cleópatra e suas duas criadas o içaram com cordas por uma janela alta, fazendo força para segurá-lo pendurado no ar. Lá dentro, ela passou o sangue dele no rosto e o chamou de senhor, marido e imperator. Ele pediu vinho, disse a ela que confiasse em Proculeio entre os amigos de Otaviano e afirmou que não tinha sido vencido sem honra: um romano, por outro romano. Plutarco dá a ele cinquenta e três ou cinquenta e seis anos.

Depois da morte

Otaviano, conta Plutarco, chorou quando um guarda lhe trouxe a espada ensanguentada de Antônio, e depois leu aos amigos as cartas que os dois tinham trocado, para mostrar como ele mesmo tinha sido razoável. Deixou Cleópatra sepultar Antônio com honras reais. Poucos dias depois, ela também estava morta. As estátuas de Antônio foram derrubadas, e o filho mais velho, Antilo, executado. Os outros filhos, entre eles a filha que teve com Cleópatra, Cleópatra Selene, mais tarde rainha no norte da África, foram criados por Otávia, irmã de Otaviano e a esposa de quem Antônio tinha se divorciado. O vencedor seguiu até se tornar o primeiro imperador.

Fontes

  • Plutarco, Vida de Antônio 66–87
  • Cássio Dio, História Romana 51.9–15
  • William Shakespeare, Antônio e Cleópatra, ato 4, cenas 14–15