A resposta curta
Augusto. Nascido Caio Otávio, era sobrinho-neto e herdeiro adotivo de Júlio César. Depois de derrotar Antônio e Cleópatra em Ácio, em 31 a.C., ele “restaurou a República” em 27 a.C. e recebeu o nome de Augusto, governando até morrer, em 14 d.C. Júlio César, muitas vezes chamado de primeiro imperador, foi ditador vitalício, nunca imperador.
Revisado em
Por que não Júlio César?
É a confusão mais comum da história romana. Júlio César venceu uma guerra civil, foi nomeado ditador vitalício no começo de 44 a.C. e foi assassinado nos Idos de Março, poucas semanas depois. Ele recusou o título de rei, e o sistema que ele dominava ainda era, no papel, a República. A palavra “imperador” ainda não tinha o sentido que ganharia.
O herdeiro que ninguém temia
Em março de 44 a.C., um estudante doente de dezoito anos, Caio Otávio, recebeu duas notícias em Apolônia, do outro lado do mar, diante da Itália. César tinha sido morto a punhaladas. E, no testamento, César o tinha adotado como filho. A família implorou que recusasse. Em vez disso, ele assumiu o nome mais perigoso do mundo, César, e os veteranos de César correram para o seu lado. Os historiadores o chamam de Otaviano nessa fase da vida.
Com Marco Antônio e Lépido, ele esmagou os assassinos de César em Filipos, em 42 a.C. Depois os sócios se voltaram uns contra os outros. Em 31 a.C., o almirante de Otaviano, Agripa, venceu a batalha naval de Ácio, na costa oeste da Grécia, e em 30 a.C. Antônio e Cleópatra se mataram. O Egito virou o celeiro de Roma, e Otaviano ficou sozinho no topo.
Janeiro de 27 a.C.
Então ele fez algo espantoso. Entrou no Senado e devolveu os seus poderes. A República, anunciou, estava restaurada. Os senadores, que sabiam muito bem quem comandava as legiões, imploraram que ele continuasse no comando. Três dias depois lhe deram um novo nome: Augusto, “o venerável”.
Augusto conquistou os soldados com presentes, o povo com trigo barato e todos com a doçura do sossego, e assim foi crescendo aos poucos, enquanto concentrava em si as funções do Senado, dos magistrados e das leis.
Ele não usava coroa e nunca se disse rei. Era o princeps, o primeiro cidadão, morando numa casa modesta no Palatino. Mas ficou com as províncias onde estavam as legiões, mais o Egito e o seu trigo, manteve um poder de veto de tribuno para a vida toda e controlava o dinheiro. O antigo grito para um general vitorioso, imperator, virou parte do seu nome. Dele vem a palavra imperador.
O que ele deixou
Augusto governou por quarenta anos, até morrer em Nola, em agosto de 14 d.C., e o enteado Tibério assumir. Os seus generais levaram a fronteira até o Danúbio, e o império ia do Atlântico ao Eufrates. Com Agripa, reconstruiu Roma: aquedutos, termas, um novo fórum e o primeiro Panteão. Suetônio diz que ele podia se gabar de ter encontrado Roma de tijolo e a deixado de mármore. Ele listou os seus feitos nas Res Gestae, gravadas em paredes de templos; a melhor cópia sobrevive em Ancara, na Turquia. E em 8 a.C. o mês Sextilis ganhou o seu nome. Você ainda o chama de agosto.
Fontes
- Augusto, Res Gestae 1, 34–35
- Suetônio, Vida de Augusto 28, 31, 99–100
- Tácito, Anais 1.2–3
- Cássio Dio, História Romana 53