A resposta curta
Em 22 de agosto de 1976, o carro em que JK viajava invadiu a pista contrária da Via Dutra e foi atingido por um caminhão. A Comissão Nacional da Verdade (2014) concluiu que foi acidente; comissões estaduais da verdade apontaram um atentado; e, em 2026, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos concluiu que ele foi morto pela ditadura.
Revisado em
Domingo, 22 de agosto de 1976
Juscelino Kubitschek tinha 73 anos. Doze anos antes, em 8 de junho de 1964, um decreto tinha cassado o mandato de senador dele e suspendido os direitos políticos por dez anos. Depois vieram o exílio, entre Paris, Lisboa e Nova York, a volta ao Brasil, uma prisão de alguns dias depois do AI-5, em 1968, e os últimos anos, escrevendo memórias e cuidando de uma pequena fazenda em Goiás. A vida inteira dele, de Diamantina à Presidência, está em Quem foi Juscelino Kubitschek?.
Naquele domingo, JK viajava pela Via Dutra, a estrada que liga São Paulo ao Rio de Janeiro. Ao volante ia o motorista dele, Geraldo Ribeiro. Perto de Resende, no estado do Rio, o carro invadiu a pista contrária e foi atingido por um caminhão. Juscelino e Geraldo Ribeiro morreram.
Acidente ou atentado?
A pergunta atravessou décadas. As investigações oficiais sobre as mortes do período da ditadura militar, que foi do golpe de 1964 a 1985, não chegaram à mesma resposta:
- Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade concluiu que foi acidente.
- As comissões estaduais da verdade de São Paulo e de Minas Gerais apontaram um atentado.
- Em 29 de maio de 2026, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos concluiu que ele foi morto pela ditadura.
As conclusões divergem. A Comissão Nacional da Verdade foi criada por lei em 2011 para examinar as graves violações de direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988, e entregou o relatório final em dezembro de 2014. A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos foi criada pela Lei nº 9.140, de 1995. Os relatórios e a decisão estão nas fontes abaixo, para quem quiser ler o que cada uma examinou.
O enterro em Brasília
No dia seguinte, 23 de agosto, o corpo chegou a Brasília, e a cidade parou. Cerca de 60 mil pessoas levaram o caixão a pé, da Catedral até o cemitério Campo da Esperança. Pelo caminho, cantavam a modinha preferida dele: “Como pode o peixe vivo viver fora da água fria?”
Vinte anos antes, em 2 de outubro de 1956, JK tinha pousado pela primeira vez naquele chapadão, onde só havia cerrado, vento e poeira vermelha, e escrito num caderno: “Deste Planalto Central, desta solidão…” Em 1976, a solidão era uma capital, e a capital saiu à rua para enterrá-lo. Desde 1981, os restos dele estão no Memorial JK, projetado por Oscar Niemeyer, no Eixo Monumental. O nome dele também está no mapa da cidade em outros pontos, como a Ponte JK, sobre o Lago Paranoá, o lago que nem existia quando ele pousou ali pela primeira vez.
Fontes
- Comissão Nacional da Verdade, Relatório (dezembro de 2014)
- Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (Lei nº 9.140, de 4 de dezembro de 1995), conclusão de 29 de maio de 2026
- Decreto de 8 de junho de 1964, Diário Oficial da União
- CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro, verbete “Juscelino Kubitschek”