Roma Antiga · Fatos

Como Pompeu morreu?

A resposta curta

Foi assassinado numa praia do Egito. Derrotado por Júlio César em Farsália, em 48 a.C., Pompeu navegou até o Egito para pedir ajuda ao rei menino Ptolomeu XIII. Os conselheiros do rei mandaram apunhalá-lo pelas costas assim que ele desembarcou em Pelúsio, diante da mulher, que olhava do navio. A cabeça dele foi levada a César.

Revisado em

De Farsália ao mar

Pompeu perdeu a guerra civil num único dia. Em agosto de 48 a.C., em Farsália (ou Farsalos), na Grécia central, ele enfrentou Júlio César com muito mais infantaria e cavalaria: pelas contas de César, 45 mil homens contra 22 mil. Quem venceu foi César. Uma quarta linha de veteranos, escondida atrás da ala direita, desmontou a cavalaria de Pompeu, e o exército inteiro desabou em seguida. Pompeu voltou ao acampamento e ficou sentado na tenda, atordoado. Quando os soldados de César invadiram o lugar, tirou o manto de general e fugiu (como César chegou até ali).

Chegou ao litoral, embarcou e foi buscar na ilha de Lesbos a mulher, Cornélia, e o filho mais novo, Sexto. E agora, para onde? A Pártia chegou a ser cogitada, mas foi descartada. O Egito parecia mais seguro. Pompeu tinha apoiado o falecido rei, Ptolomeu XII, quando ele perdeu o trono, e um exército romano o recolocara lá. O novo rei, Ptolomeu XIII, um menino de uns treze anos, devia esse favor a Pompeu, e o Egito tinha dinheiro, trigo e navios.

Quem matou Pompeu

Quem decidiu não foi o menino, e sim os regentes: o eunuco Potino, o general Áquilas e o preceptor do rei, Teódoto de Quios. Receber Pompeu faria de César um inimigo; mandá-lo embora faria de Pompeu outro. Teódoto propôs uma terceira saída: matá-lo, porque, disse ele sorrindo, morto não morde.

Diante de Pelúsio, na ponta leste do delta do Nilo, um barquinho foi buscar Pompeu no navio. Nele estavam Áquilas e dois romanos a serviço do Egito: Lúcio Septímio, que já tinha lutado sob o comando de Pompeu, e um centurião chamado Sálvio. Ao descer, Pompeu citou Sófocles para a mulher: quem vai à corte de um tirano vira escravo dele, ainda que chegue livre. No caminho, relia um discurso em grego que tinha escrito para o rei. Quando o liberto Filipe o ajudava a se levantar na praia, Septímio o atravessou pelas costas. Pompeu cobriu o rosto com a toga e recebeu os golpes soltando apenas um gemido. Tinha uns 58 anos.

Do navio, Cornélia viu tudo. O grito dela chegou à praia enquanto a frota levantava âncora e fugia. Os assassinos cortaram a cabeça de Pompeu e largaram o corpo nu na areia. Filipe ficou. Com um velho soldado que tinha servido sob Pompeu na juventude, queimou o corpo numa pira feita com as tábuas de um barco de pesca apodrecido.

César chorou por Pompeu?

César chegou a Alexandria poucos dias depois, ainda no encalço do rival. Desviou o rosto do homem que lhe trouxe a cabeça de Pompeu, como se ele fosse um maldito. Ao receber o anel de sinete, com um leão segurando uma espada, chorou. As cinzas foram entregues a Cornélia, que as enterrou na propriedade de Pompeu nos montes Albanos (o que César encontrou no Egito).

As lágrimas eram sinceras? César tinha fama de poupar inimigos vencidos, e Pompeu tinha sido genro dele. Mas o crime também livrava César do maior problema que tinha, sem que ele sujasse as mãos. O poeta Lucano, cerca de um século depois, chamou aquele choro de fingido. Nem Potino nem Áquilas sobreviveram à guerra que veio em seguida em Alexandria, e anos depois Bruto encontrou Teódoto na Ásia e mandou executá-lo.

Por que “o Grande”

Pompeu ganhou o apelido cedo. Nascido em 106 a.C., aos 23 anos levantou por conta própria três legiões para Sula, que o saudou como Magno, o Grande, quando ele tinha uns 25. Plutarco conta que o topete jogado para trás fazia as pessoas pensarem nos retratos de Alexandre. Celebrou triunfos sobre três continentes, África, Europa e Ásia, limpou o Mediterrâneo inteiro de piratas em três meses, em 67 a.C., e redesenhou o mapa do Oriente. Em 63 a.C. tomou Jerusalém e entrou no Santo dos Santos, mas, segundo Josefo, não tocou nos tesouros do Templo.

Casou com Júlia, a filha de César, e construiu o primeiro teatro de pedra de Roma. Quatro anos depois de Farsália, César caiu sob os punhais aos pés da estátua de Pompeu, num salão anexo a esse teatro (como César morreu).

Fontes

  • César, A Guerra Civil 3.88–104
  • Plutarco, Vida de Pompeu 2, 13, 72–80, e Vida de César 48
  • Cássio Dio, História Romana 42.2–8
  • Lucano, Farsália, cantos 8–9
  • Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas 14.72