Santos e mártires · Fatos

O que aconteceu no tumulto de Éfeso?

A resposta curta

Em meados dos anos 50 d.C., segundo Atos 19, um ourives chamado Demétrio, que fazia santuários de prata da deusa Ártemis, avisou os colegas que a pregação de Paulo estava acabando com o negócio. A multidão agarrou dois companheiros de Paulo, lotou o teatro e gritou por duas horas, até o escrivão da cidade acalmar o povo.

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Uma cidade que vivia da deusa

Éfeso, perto da atual Selçuk, no litoral turco do mar Egeu, era a capital da província romana da Ásia. O orgulho dela era o templo de Ártemis, uma das Sete Maravilhas do mundo antigo. Depois que um tal Heróstrato incendiou o templo anterior em 356 a.C., só para ficar famoso, os efésios o reconstruíram ainda maior. A Ártemis de Éfeso não era a caçadora esbelta da arte grega. As estátuas dela são rígidas, coroadas, com fileiras de formas arredondadas no peito, que já foram lidas como seios, ovos ou outros símbolos de fertilidade, e a cidade dizia que a imagem sagrada tinha caído do céu.

Paulo passou dois a três anos ali, ensinando todo dia na escola de Tirano (Atos 19:9–10). Os convertidos queimaram em público os livros de magia, que valiam cinquenta mil moedas de prata (19:19).

O discurso de Demétrio

Demétrio fazia santuários de prata de Ártemis, miniaturas vendidas aos peregrinos, e dava trabalho a muitos artesãos (19:24). Reuniu o pessoal do ramo e começou pelo bolso.

Vocês veem e ouvem que não somente em Éfeso, mas em quase toda a Ásia, este Paulo tem persuadido e desviado muita gente, dizendo que aquilo que é feito por mãos humanas não é deus.

Atos 19:26

O ofício ia cair em descrédito, continuou ele, e o templo da grande deusa ia ser tratado como nada. Os artesãos responderam com o grito da cidade: “Grande é a Ártemis dos efésios!” (19:28).

Duas horas de gritaria

A cidade inteira virou uma confusão. A multidão arrastou Gaio e Aristarco, companheiros de viagem de Paulo vindos da Macedônia, e correu para o teatro (19:29). Paulo quis entrar e encarar o povo. Os discípulos não deixaram, e alguns asiarcas, gente importante da província e amigos dele, mandaram pedir que não se arriscasse (19:30–31).

Lucas conta o resto com ironia seca: “Uns, portanto, gritavam uma coisa, e outros, outra, pois a assembleia estava em confusão. A maioria deles não sabia por que se haviam reunido” (19:32). Alguns judeus empurraram um certo Alexandre para falar, talvez para deixar claro que não eram do grupo de Paulo. Quando percebeu que ele era judeu, a multidão abafou a voz dele e gritou a mesma frase “durante cerca de duas horas” (19:34).

O teatro continua de pé, na encosta do monte Pion. Cabiam ali cerca de 25.000 pessoas.

O escrivão acalma a multidão

Quem encerrou a gritaria foi o escrivão da cidade, o principal funcionário de Éfeso (19:35–40). Todo mundo sabe, disse ele, que Éfeso é a guardiã do templo de Ártemis; então, calma. Esses homens não roubaram templo nem ofenderam a deusa. Se Demétrio tem queixa, os tribunais estão abertos e há procônsules; o resto se resolve na assembleia regular. E então a preocupação de verdade: Roma podia acusar a cidade de tumulto. Dito isso, “ele encerrou a assembleia” (19:41).

Detalhe: a palavra grega que Lucas usa para essa multidão, ekklesia, é a mesma que ele usa para a igreja. Uma assembleia gritando por Ártemis, outra reunida em nome de Jesus, na mesma cidade.

Depois do tumulto, Paulo se despediu e partiu para a Macedônia (20:1). As cartas dele sugerem que Éfeso foi mais dura do que Atos conta: “uma porta grande e eficaz se abriu para mim, e há muitos adversários” (1 Coríntios 16:9). Ele fala ainda de uma aflição na Ásia tão pesada que ele e os companheiros perderam “até a esperança de continuar vivos” (2 Coríntios 1:8). Se ele se referia ao tumulto, os estudiosos ainda discutem.

Diana ou Ártemis?

Quem cresceu ouvindo Bíblias portuguesas mais antigas conhece a deusa pelo nome romano, Diana, e é assim que muita gente ainda cita o grito. É a mesma deusa: Ártemis, para os gregos de Éfeso; Diana, para os romanos. Do templo dela restam só os alicerces e uma coluna remontada num terreno alagado perto de Selçuk. O inglês John Turtle Wood achou o lugar em 1869, e um tambor de coluna esculpido está hoje no Museu Britânico.

Fontes

  • Atos 19:1–20:1
  • 1 Coríntios 16:8–9; 2 Coríntios 1:8–9
  • Tambor de coluna esculpido do Templo de Ártemis, Museu Britânico

As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.