A resposta curta
Foi o programa de Juscelino Kubitschek, de 1956 a 1961: 30 metas, de usinas a estradas, de escolas a fábricas, resumidas no lema “50 anos em 5”. Quase metade do investimento previsto foi para energia, e a meta-síntese era Brasília. A indústria cresceu cerca de 80% em seis anos, mas a inflação e a dívida externa também subiram.
Revisado em
Um lema que virou plano
Na campanha de 1955, Juscelino prometia fazer o Brasil andar cinquenta anos em cinco. Com a posse, em 31 de janeiro de 1956, o lema virou plano de governo, e ele não perdeu um dia. Eram 30 metas, que iam de usinas a estradas, de escolas a fábricas. A lógica era simples de dizer e cara de fazer: investir pesado em energia, transportes e indústria, para que o resto do país crescesse em cima disso.
Para onde ia o dinheiro
As contas do economista Carlos Lessa mostram bem as prioridades do plano:
- Energia: cerca de 43% do investimento previsto. Daí as usinas de Furnas e Três Marias, que começaram a represar rios em Minas.
- Transportes: quase 30%. Estradas como a Belém-Brasília, com cerca de dois mil quilômetros abertos no cerrado e na floresta.
- Educação: cerca de 3%.
- Alimentação: cerca de 3%.
Repare na proporção. O plano apostava em infraestrutura e indústria; escola e comida ficaram com uma fatia pequena.
Os Anos Dourados
JK atraiu montadoras estrangeiras, e o Brasil passou a fabricar carros, caminhões e o Fusca. A indústria cresceu cerca de 80% em seis anos, e a economia, perto de 8% ao ano. Em 1958, com Pelé aos 17 anos, a seleção ganhou a primeira Copa do Mundo, na Suécia, e a bossa nova tocava no rádio. Esse clima de otimismo deu nome ao período: os Anos Dourados.
E havia a meta que não estava no programa de campanha. Em abril de 1956, em Anápolis, Goiás, Juscelino assinou uma mensagem ao Congresso propondo uma capital nova no meio do cerrado. Chamou-a de meta-síntese, a que daria sentido a todas as outras. A história dessa ideia, bem mais velha que ele, está em A ideia de construir Brasília foi de JK?.
A conta
Para pagar as metas e a capital, o governo emitiu dinheiro e tomou empréstimos no exterior. A inflação subiu de 7% em 1957 para 39% em 1959. A dívida externa cresceu, e o FMI só aceitava dar novos créditos se o governo cortasse gastos, o que frearia as obras. Em junho de 1959, a dez meses da inauguração de Brasília, Juscelino rompeu com o FMI e seguiu em frente.
E quanto custou Brasília? A resposta honesta é que ninguém sabe ao certo: o custo total da capital nunca foi fechado.
O saldo
Ponha os dois lados na balança. De um lado, uma capital no centro do país, estradas, usinas, fábricas e uma economia que crescia perto de 8% ao ano. Do outro, inflação alta, dívida maior e uma conta que ninguém fechou. Para uns, o Plano de Metas acelerou a industrialização do país e deixou estradas e usinas que serviriam por décadas. Para outros, deixou para os governos seguintes uma inflação e uma dívida difíceis de pagar. Até hoje, o saldo divide os historiadores. A vida de quem fez o plano está em Quem foi Juscelino Kubitschek?.
Fontes
- Carlos Lessa, Quinze anos de política econômica
- Fundação Getulio Vargas, IGP-DI (inflação anual de 1957 a 1959)
- Juscelino Kubitschek, Por que construí Brasília (1975)