A resposta curta
Cerca de 41 meses. As obras começaram no fim de 1956, e a cidade foi inaugurada em 21 de abril de 1960, depois de uma corrida dia e noite, sob holofotes, contra uma data fixada por lei em 1957. Milhares de migrantes, os candangos, ergueram a capital; um censo de 1959 contou 64 mil pessoas no canteiro.
Revisado em
Por que tanta pressa
O mandato de Juscelino Kubitschek acabava em janeiro de 1961. Desde 1891, cada governo empurrava a mudança da capital para o seguinte, e JK temia que, sem pressa, ela nunca saísse. A aposta foi construir o bastante para inaugurar antes de deixar o cargo, de modo que a mudança não tivesse volta. Em setembro de 1956, uma lei criou a Novacap, a companhia que ergueria a cidade, presidida até 1960 pelo engenheiro mineiro Israel Pinheiro, velho aliado de JK. Em outubro de 1957, outra lei fixou a data da mudança: 21 de abril de 1960. A partir dali, cada mês contava.
A obra, mês a mês
- Fim de 1956: começam as obras. Para o presidente, sobe em dez dias o Catetinho, o “palácio de tábuas”.
- 16 de março de 1957: o júri escolhe o Plano Piloto de Lúcio Costa.
- Outubro de 1957: uma lei marca a mudança para 21 de abril de 1960.
- Junho de 1958: fica pronto o primeiro palácio, o da Alvorada, de Oscar Niemeyer.
- 1958: nasce Taguatinga, para tirar barracos do caminho do Plano Piloto.
- Janeiro de 1959: dias antes da inauguração da Belém-Brasília, morre o engenheiro que comandava a estrada, Bernardo Sayão, atingido por um galho que caiu sobre a barraca dele.
- 1959: a barragem do Paranoá é fechada, e o lago começa a encher.
- 21 de abril de 1960: a capital é inaugurada.
Dia e noite
A obra não parava: dia e noite, sob holofotes. Juscelino chegava de avião e dormia no Catetinho. Mesmo assim, no começo de 1960 a cidade ainda era um canteiro, sem vidros, sem asfalto, quase sem moradores. Inaugurar não foi terminar. Muita coisa ficou para depois: a Catedral, a das dezesseis colunas curvas, só foi inaugurada em 1970.
Nem tudo no canteiro foi corrida contra o relógio. No carnaval de 1959, operários da construtora Pacheco Fernandes protestaram contra a comida estragada, e a Guarda Especial de Brasília voltou à noite e atirou no alojamento. A versão oficial fala em um morto; dois jornais da época falaram em nove; testemunhas ouvidas décadas depois falam em dezenas. O número nunca foi apurado.
Quantas pessoas construíram Brasília?
O número mais citado não é uma contagem de operários. Um censo de 1959 contou 64 mil pessoas morando no canteiro: os trabalhadores e, junto com eles, as famílias e o comércio que vieram atrás. Muitos viviam longe do Plano Piloto, em lugares como a Cidade Livre, de 1956, feita de casas de tábua e livre de impostos, que devia sumir depois da inauguração e hoje se chama Núcleo Bandeirante. Vinham sobretudo do Nordeste, de Goiás e de Minas, muitos em caminhões pau de arara, depois de dias de estrada. O nome que ganharam, e como um xingamento virou orgulho, está em O que significa candango?. A obra que eles ergueram foi desenhada por quem aparece em Quem projetou Brasília?.
Fontes
- Lei nº 2.874, de 19 de setembro de 1956 (cria a Novacap)
- Lei nº 3.273, de 1º de outubro de 1957 (data da mudança)
- IBGE, censo de 1959 (canteiro de Brasília)
- Juscelino Kubitschek, Por que construí Brasília (1975)