História do Brasil · História

Por que a capital do Brasil mudou para Brasília?

A resposta curta

Para levar o Estado, as estradas e as pessoas para o centro do país e tirar o governo do alcance dos canhões dos navios. A ideia vinha dos inconfidentes e de José Bonifácio, e as Constituições de 1891 e 1946 mandavam mudar. Juscelino Kubitschek cumpriu: em 21 de abril de 1960, o Rio deixou de ser a capital.

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Uma capital de frente para o mar

Até 1960, quem governava o Brasil olhava para o mar. O Rio de Janeiro era a capital desde 1763: da colônia, depois do Império e, a partir de 1889, da República. Antes dele houve Salvador, cuja história está em Qual foi a primeira capital do Brasil?. Em quase dois séculos, a sede do poder nunca tinha saído do litoral.

O resto do país ficava longe dos olhos do governo. O Planalto Central, bem no meio do mapa, era sertão: chapadões de cerrado, fazendas e poucas vilas, como Planaltina, que existia desde o século XIX.

Duas razões antigas

Quem defendia a mudança repetia, desde o fim do século XVIII, os mesmos dois argumentos. O primeiro era puxar o país para dentro. Uma capital no interior levaria o Estado, as estradas e as pessoas para o centro do território, em vez de deixar tudo grudado na costa. O segundo era a defesa. Um governo à beira da baía ficava ao alcance dos canhões de qualquer esquadra inimiga. No planalto, navio nenhum chegaria.

Era o que pensavam os inconfidentes de Minas, que em 1789 planejavam pôr a capital da república deles em São João del-Rei, longe do mar. Era o que escrevia o jornalista Hipólito José da Costa, que fazia em Londres o Correio Braziliense. E foi o que José Bonifácio propôs à Assembleia Constituinte em 1823. Brasília não esqueceu Hipólito: o jornal que começou a circular na cidade no dia da inauguração pegou emprestado o nome do dele, Correio Braziliense.

Da Constituição ao canteiro

Com a República, a ideia virou ordem. A primeira Constituição republicana separou um pedaço do planalto para a futura capital.

Fica pertencendo à União, no planalto central da República, uma zona de 14.400 quilômetros quadrados, que será oportunamente demarcada para nela estabelecer-se a futura Capital federal.

Constituição de 24 de fevereiro de 1891, art. 3º

O “oportunamente” durou décadas. A Missão Cruls demarcou o terreno entre 1892 e 1894, e o relatório foi para a gaveta. A Constituição de 1946 mandou mudar de novo, e de novo nada saiu do chão. Quem tirou a ideia do papel foi Juscelino Kubitschek, que em abril de 1956 chamou a nova capital de meta-síntese do Plano de Metas: a obra que daria sentido às outras. A longa espera, capítulo por capítulo, está em A ideia de construir Brasília foi de JK?.

O dia em que o Rio deixou de ser capital

Uma lei de 1957 marcou a data, e Juscelino não abriu mão dela. Em 21 de abril de 1960, os três Poderes se instalaram na cidade nova. O antigo Distrito Federal, a cidade do Rio, virou o estado da Guanabara. As estradas já tinham começado a sair do planalto: a Belém-Brasília, com cerca de dois mil quilômetros de cerrado e floresta, foi inaugurada em 1959, um ano antes da própria capital.

Por que justo o 21 de abril, e como foi a noite da inauguração, está em Por que Brasília foi inaugurada em 21 de abril?.

Fontes

  • Constituição de 24 de fevereiro de 1891, art. 3º
  • Constituição de 18 de setembro de 1946, Ato das Disposições Constitucionais Transitórias
  • Lei nº 3.273, de 1º de outubro de 1957 (data da mudança)
  • Câmara dos Deputados, Brasília: capital e mudança
  • Juscelino Kubitschek, Por que construí Brasília (1975)