História do Brasil · Pessoas

Quem projetou Brasília?

A resposta curta

Dois arquitetos. Lúcio Costa desenhou a cidade: o Plano Piloto dele, feito de uns poucos croquis à mão e um relatório datilografado, venceu o concurso em 16 de março de 1957, como projeto 22 entre 26. Oscar Niemeyer, arquiteto-chefe da Novacap, desenhou os prédios, do Palácio da Alvorada ao Congresso e à Catedral.

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Um desenhou a cidade, o outro os prédios

É comum atribuir Brasília inteira a Oscar Niemeyer. É meia verdade. O traçado da cidade, com os eixos, as superquadras e o arco que todo mundo chama de asas, é de Lúcio Costa. Niemeyer desenhou os prédios que viraram cartão-postal: o Palácio da Alvorada, o Congresso Nacional, a Catedral. Um riscou o mapa; o outro encheu o mapa de curvas. O nome do projeto de Costa ficou: até hoje, o centro de Brasília se chama Plano Piloto.

O concurso de 1957

Em setembro de 1956, o governo publicou o edital de um concurso aberto para o plano da nova capital. Em março de 1957, chegaram 26 projetos, muitos com maquetes, plantas e pilhas de cálculos. Costa, então com 55 anos, entregou uns poucos desenhos à mão livre e um relatório datilografado, que começa com um pedido de desculpas. Logo depois vem a frase que ficou famosa: “Não pretendia competir e, na verdade, não concorro.” Ele dizia que só estava se livrando de uma solução que lhe surgira já pronta.

O júri era presidido por Israel Pinheiro, o presidente da Novacap, a companhia que ia erguer a cidade. Tinha estrangeiros, como o urbanista inglês William Holford, e um nome da casa: Niemeyer. Em 16 de março de 1957, escolheu o projeto número 22, o de Costa. Alguns concorrentes reclamaram: tinham entregado muito mais papel. O júri explicou a escolha.

Plano claro, direto e fundamentalmente simples. Tem o espírito do século XX: é novo; é livre e aberto; é disciplinado sem ser rígido.

Comissão Julgadora do Concurso do Plano Piloto, 1957, citada pelo IPHAN, Plano Piloto 50 anos (2007)

O júri não procurava o projeto mais detalhado. Detalhe se faz depois. Procurava uma ideia de capital, e encontrou uma só. Essa ideia, dois eixos em cruz com um deles curvado, está explicada em Brasília tem formato de avião?.

Quem era Lúcio Costa

Nasceu em Toulon, na França, em 27 de fevereiro de 1902, filho de brasileiros, e liderou a geração que trouxe a arquitetura moderna ao Brasil. Chefiou a equipe do prédio do Ministério da Educação e Saúde, no Rio, marco do movimento, com Le Corbusier como consultor; o jovem Niemeyer fazia parte do time. Costa também passou décadas no serviço do patrimônio histórico, protegendo igrejas e casarões coloniais. O autor da capital modernista cuidava, no dia a dia, do Brasil colonial. Morreu no Rio, em 1998.

E Niemeyer?

Juscelino o conhecia desde 1940, quando, prefeito de Belo Horizonte, o chamou para desenhar a Pampulha. Niemeyer fugia do ângulo reto: “o que me atrai é a curva livre e sensual”, escreveria. Em Brasília, foi o arquiteto-chefe da Novacap. Começou pela casa do presidente: o Palácio da Alvorada foi inaugurado em junho de 1958. Depois subiram o Congresso, com uma cúpula para cima e outra para baixo, e a Catedral, com dezesseis colunas curvas abertas para o céu. Recebeu o Prêmio Pritzker em 1988 e morreu em 2012, aos 104 anos, ainda trabalhando.

Fontes

  • Lúcio Costa, Relatório do Plano Piloto de Brasília (1957)
  • IPHAN, Plano Piloto 50 anos (2007), com o relatório do júri de 1957
  • Lei nº 2.874, de 19 de setembro de 1956 (cria a Novacap)