A resposta curta
A maioria dos historiadores acha que sim, embora discutam o seu poder. A prova principal é a estela de Tel Dã, uma inscrição em aramaico do século IX a.C. achada no norte de Israel em 1993. Ela cita a “Casa de Davi”, a sua dinastia, uns 150 anos depois do seu reinado. Nada da época dele o menciona.
Revisado em
A pedra de Tel Dã
Em julho de 1993, a equipe do arqueólogo Avraham Biran, em Tel Dã, junto às nascentes do Jordão, no norte de Israel, achou um pedaço quebrado de uma laje de basalto, reaproveitado num muro mais recente. Mais dois fragmentos apareceram em 1994. O texto está em aramaico e foi gravado no século IX a.C. por um rei arameu de Damasco, muito provavelmente Hazael, cujo nome não sobreviveu na pedra. Ele se gaba de ter matado um rei de Israel e um rei da “Casa de Davi”.
Nas letras originais está escrito bytdwd, Casa-de-Davi, numa palavra só. No começo, alguns estudiosos propuseram outras leituras, mas a maioria hoje aceita esta. É a menção mais antiga a Davi fora da Bíblia, e a pedra está exposta no Museu de Israel, em Jerusalém.
Uma dinastia com o nome do fundador
Reinos antigos muitas vezes levavam o nome de quem fundou a linhagem real. Os registros assírios chamam o reino do norte, Israel, de Casa de Onri, por causa do rei Onri, muito depois da morte dele. Então, quando um rei estrangeiro chama Judá de “Casa de Davi” por volta de 840 a.C., é sinal de que ainda se lembrava de um fundador real chamado Davi. A própria Bíblia fala assim.
Assim, Israel se rebelou contra a casa de Davi até o dia de hoje.
Onde a pedra e a Bíblia não batem
A pedra não confirma a história bíblica tal e qual. A maioria dos estudiosos reconstrói os dois reis mortos como Jorão, de Israel, e Acazias, de Judá. Em 2 Reis 9, quem mata os dois é Jeú, um comandante israelita rebelde.
Jeú puxou o seu arco com toda a sua força e atingiu Jorão entre os braços; e a flecha saiu pelo seu coração, e ele caiu em seu carro.
Talvez Jeú tenha agido como aliado de Hazael, ou o rei arameu tenha ficado com o crédito, como os reis costumavam fazer. De um jeito ou de outro, duas fontes independentes lembram as mesmas duas mortes, nos mesmos anos.
Outras pistas, todas discutidas
- A Pedra Moabita. A estela de vitória de Messa, rei de Moabe, de cerca de 840 a.C., achada em Dhiban, na atual Jordânia, em 1868, e hoje no Louvre. Em 1994, André Lemaire propôs ler “Casa de Davi” numa linha danificada. Outros duvidam.
- Khirbet Qeiyafa. Uma cidade fortificada acima do vale de Elá, escavada a partir de 2007 por Yosef Garfinkel e Saar Ganor e datada de cerca de 1000 a.C. Os escavadores a ligam ao reino de Davi; outros a atribuem a outro povo ou governante.
- Jerusalém. Em 2005, Eilat Mazar desenterrou um grande edifício de pedra na Cidade de Davi e propôs que fosse o palácio de Davi. A data ainda é discutida.
Real, mas de que tamanho?
Hoje a discussão é menos se Davi existiu e mais o que ele governou. 2 Samuel 8 enumera conquistas da Filístia e de Edom, no sul, até Damasco, no norte. Israel Finkelstein e outros dizem que Jerusalém, por volta de 1000 a.C., era uma cidadezinha no alto dos montes, e Davi, um chefe local cuja fama cresceu a cada vez que a história era contada. Outros arqueólogos veem ali o começo de um Estado de verdade. Nenhuma pedra resolve Golias, Bate-Seba ou os Salmos. Isso depende só do texto bíblico, contado em Quem foi o rei Davi?
Fontes
- 1 Reis 12:19; 2 Reis 8:25–9:28; 2 Samuel 5:1–10; 8:1–14
- Estela de Tel Dã, Museu de Israel, Jerusalém
- A. Biran e J. Naveh, “An Aramaic Stele Fragment from Tel Dan”, Israel Exploration Journal 43 (1993), e “The Tel Dan Inscription: A New Fragment”, Israel Exploration Journal 45 (1995)
- Pedra Moabita (estela de Messa), Museu do Louvre, Paris
- Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman, David and Solomon (2006)
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.