A Bíblia · Lugares

Onde ficam Tiro e Sidom hoje?

A resposta curta

No Líbano. As duas ainda são cidades portuárias do Mediterrâneo: Sidom, Saida em árabe, cerca de 40 quilômetros ao sul de Beirute, e Tiro, Sur em árabe, uns 40 quilômetros mais ao sul, a cerca de 20 quilômetros da fronteira com Israel. No tempo de Jesus eram os grandes portos fenícios, famosos pela púrpura e pelas moedas de prata.

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No mapa de hoje

Desça o litoral do Líbano a partir de Beirute. Depois de uns 40 quilômetros você chega a Sidom, Saida em árabe, a terceira maior cidade do país, com um castelo dos cruzados sobre uma ilhota no porto. Mais 40 quilômetros ao sul fica Tiro, Sur em árabe, uma cidade de uns 60 mil habitantes a cerca de 20 quilômetros da fronteira com Israel. Sarepta, onde Elias se hospedou na casa de uma viúva, é a atual Sarafand, entre as duas. De Cafarnaum, no mar da Galileia, até Tiro são uns 55 quilômetros em linha reta.

O nome Tiro quer dizer “rocha”. A cidade antiga ficava numa ilha a algumas centenas de metros da costa, até que Alexandre, o Grande, a cercou em 332 a.C. e construiu um aterro até ela. Com os séculos, a areia se acumulou ao longo do aterro, e a ilha virou a península que é hoje. As ruínas romanas, com um dos maiores hipódromos do mundo romano, são Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1984.

Púrpura, vidro e prata

  • Púrpura. Um corante tirado do múrex, um caramujo do mar: milhares de conchas para um único grama. A púrpura de Tiro tingia os mantos dos reis e a faixa larga da toga dos senadores romanos. Perto do porto sul de Sidom ainda existe um monte de conchas de múrex quebradas.
  • Vidro. As oficinas de Sidom eram famosas por ele. Plínio, o Velho, conta a lenda de marinheiros fenícios que descobriram o vidro por acaso numa praia ali perto (História Natural 36.190–191).
  • Prata. Tiro cunhava um siclo pesado, de cerca de 14 gramas e uns 94% de prata pura, com o deus Melqart e uma águia. Por causa dessa pureza, era a moeda exigida para o imposto do Templo de Jerusalém, e por isso havia cambistas nos pátios. Muitos estudiosos acham que as trinta moedas de prata de Judas eram siclos de Tiro.

Tiro e Sidom na Bíblia

O Gênesis faz de Sidom o primogênito de Canaã (Gênesis 10:15), e as duas cidades atravessam a Bíblia inteira. Hirão de Tiro manda cedro para o Templo de Salomão, que reconhece que ninguém sabe cortar madeira “como os sidônios” (1 Reis 5:6). Jezabel é filha do “rei dos sidônios” (1 Reis 16:31). Ezequiel zomba do orgulho e da riqueza de Tiro:

Você, que habita na entrada do mar, que é a mercadora dos povos para muitas ilhas

Ezequiel 27:3

Nos Evangelhos, as duas cidades representam o mundo pagão logo ali do lado. Vem gente até “dos arredores de Tiro e Sidom” para ouvir Jesus (Marcos 3:8), e ele as compara com as cidades da Galileia que não lhe deram ouvidos.

Porque, se as obras poderosas que foram feitas em vocês tivessem sido feitas em Tiro e Sidom, há muito tempo elas teriam se arrependido em pano de saco e cinzas.

Mateus 11:21

Marcos leva Jesus para o norte, “para a região de Tiro e Sidom”, onde uma mãe que fala grego ganha uma discussão sobre migalhas, e depois de volta ao mar da Galileia pela Decápolis (Marcos 7:24–31).

Cristãos na praia

Os primeiros cristãos chegaram cedo às duas cidades. Quando o navio de Paulo descarregou em Tiro, ele passou uma semana com os discípulos dali, e na partida famílias inteiras o acompanharam até fora da cidade e se ajoelharam na praia para orar (Atos 21:3–5). Na última viagem, já preso a caminho de Roma, um centurião o deixou visitar amigos em Sidom (Atos 27:3). Tiro foi ainda a cidade-mãe de Cartago, fundada por colonos tírios por volta de 814 a.C., segundo a tradição: Cartago fica na atual Tunísia. E o fio chega até aqui: o Brasil tem uma das maiores comunidades de origem libanesa do mundo.

Fontes

  • Gênesis 10:15; 1 Reis 5:1–12; 16:31; Ezequiel 26–28
  • Mateus 11:21–22; Marcos 3:8; 7:24–31; Atos 21:3–7; 27:3
  • Plínio, o Velho, História Natural 36.190–191
  • Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO: Tiro (1984)

As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.