A resposta curta
Na Tunísia. A antiga Cartago ficava numa península do golfo de Túnis, e as ruínas estão hoje dentro de Cartago, um subúrbio à beira-mar a uns 15 km do centro de Túnis. Dá para ver os portos púnicos, termas e casas romanas e a colina de Birsa, com o seu museu. O sítio é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1979.
Revisado em
Uma cidade fenícia na costa da África
Segundo a tradição, Cartago foi fundada por volta de 814 a.C. por colonos fenícios de Tiro, no atual Líbano. Eles a chamaram de Qart Hadasht, Cidade Nova. O lugar foi bem escolhido: um promontório com mar dos dois lados e o lago de Túnis atrás, bem no caminho dos navios que cruzavam entre a Sicília e a África. Dali Cartago dominou o Mediterrâneo ocidental por séculos e enfrentou Roma em três Guerras Púnicas, a segunda comandada por Aníbal.
Destruída e reconstruída
Em 146 a.C., depois de um cerco de três anos, Roma tomou a cidade, incendiou-a e vendeu uns 50 mil sobreviventes como escravos. Catão, o Velho, exigia isso havia anos.
E numa coisa era ainda mais feroz: acrescentava ao seu voto, sobre qualquer questão que fosse, estas palavras: “Na minha opinião, Cartago deve ser destruída.”
Nenhum romano jogou sal nos campos de Cartago. Nenhum escritor antigo diz isso; a história é moderna. Roma amaldiçoou o lugar e proibiu que alguém morasse ali. Um século depois, Júlio César planejou uma nova colônia e, com Augusto, Cartago renasceu como cidade romana, capital da província da África, o nome que depois se estendeu ao continente inteiro. Virou uma das grandes cidades do Ocidente romano, onde Santo Agostinho estudou quando jovem, até que os vândalos a tomaram em 439 (veja como Roma perdeu a África). Os romanos do Oriente a retomaram em 533. Em 698, um exército árabe omíada a destruiu, e o centro da região passou para a vizinha Túnis.
O que dá para ver hoje
Cartago hoje é um subúrbio tranquilo e rico de Túnis, município desde 1919, com uns 21 mil moradores. O palácio do presidente da Tunísia fica à beira-mar, ali mesmo, e o trem suburbano TGM, que sai de Túnis, para em estações chamadas Carthage Salammbo, Carthage Byrsa, Carthage Hannibal e Carthage Amilcar. As ruínas ficam espalhadas entre as casas.
- A colina de Birsa, a antiga cidadela, com o Museu Nacional de Cartago, um bairro de casas púnicas da época de Aníbal e a catedral de São Luís, de 1884.
- Os portos púnicos, dois portos escavados à mão: um retangular, para os navios mercantes, e um redondo, para a frota de guerra.
- O tofete, um cemitério de urnas com ossos queimados de bebês, no centro de um longo debate sobre sacrifício de crianças.
- As termas de Antonino, à beira-mar, as maiores termas romanas da África.
- A Cartago romana: casas, um teatro, um anfiteatro e basílicas cristãs antigas.
Não é a única Cartago
Não confunda com Cartago Nova, a cidade que a família Barca fundou na Hispânia como capital. É a atual Cartagena, na Espanha, de onde Aníbal partiu rumo à Itália (veja a travessia dos Alpes), e que por sua vez deu nome a Cartagena, na Colômbia. A original, a cidade de Dido, de Amílcar e de Aníbal, é a que fica junto de Túnis.
Fontes
- Políbio, Histórias 1.73 (o lugar de Cartago)
- Plutarco, Vida de Catão, o Velho 27
- Apiano, Guerras Púnicas 127–136 (a queda e a refundação)
- R. T. Ridley, “To Be Taken with a Pinch of Salt: The Destruction of Carthage”, Classical Philology 81 (1986)
- Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, Sítio Arqueológico de Cartago (inscrito em 1979)