A resposta curta
Aníbal Barca foi o general de Cartago, potência marítima do norte da África, e o pior inimigo de Roma. Nascido por volta de 247 a.C., jurou, ainda menino, nunca ser amigo dos romanos, cruzou os Alpes em 218 a.C. e destruiu exércitos romanos no Trébia, no Trasimeno e em Canas. Vencido em Zama, morreu no exílio, por veneno.
Revisado em
O filho do relâmpago
Aníbal nasceu por volta de 247 a.C. na principal família militar de Cartago, muito provavelmente na própria cidade, ao lado da atual Túnis (veja onde fica Cartago hoje). O nome quer dizer algo como “Baal é generoso” em púnico, a língua fenícia de Cartago. O pai, Amílcar, tinha o apelido de Barca, provavelmente “relâmpago”, e nunca perdeu uma batalha para Roma na Sicília durante a Primeira Guerra Púnica. Os historiadores estendem o apelido à família inteira. Aníbal teve dois irmãos mais novos, Asdrúbal e Magão, e os três passaram a vida lutando contra Roma.
Em 237 a.C., antes de partir para a Hispânia, Amílcar ofereceu um sacrifício. O filho de nove anos implorou para ir junto. Décadas depois, o próprio Aníbal contou a cena ao rei Antíoco, para provar que o seu ódio a Roma era sincero.
Como ele aceitou com alegria e, feito menino, até implorou para ir, o pai o tomou pela mão, conduziu-o ao altar e mandou que pusesse a mão sobre a vítima e jurasse nunca ser amigo dos romanos.
Criado nos acampamentos da Hispânia
Ele cresceu no exército do pai, enquanto os Barca erguiam na Hispânia um novo império cartaginês, com minas de prata e soldados locais. Um espartano chamado Sósilo ensinou-lhe grego, marchou com ele e escreveu a história das suas guerras. Em 221 a.C., com uns vinte e seis anos, foi aclamado general pelas tropas. Tito Lívio, que o detestava, admite que ele dormia no chão, enrolado num manto de soldado, entre as sentinelas, o primeiro a entrar na luta e o último a sair. Na mesma passagem, Lívio o acusa de crueldade e de traição, o retrato padrão que os romanos faziam de um cartaginês.
Quinze anos na Itália
Em 219 a.C., Aníbal cercou Sagunto, cidade hispânica amiga de Roma, e começou a Segunda Guerra Púnica. Depois fez o impensável: levou um exército e 37 elefantes da Hispânia até a Itália, pelos Pireneus e pelos Alpes, como conta a página Aníbal atravessou mesmo os Alpes com elefantes?
Na Itália, venceu três vezes em três anos: no rio Trébia, em 218 a.C., no lago Trasimeno, em 217 a.C., e em Canas, em 216 a.C., onde o seu centro recuou de propósito enquanto as alas e a cavalaria fechavam o cerco ao exército romano. Nos pântanos alagados a caminho do sul, perdeu a visão de um olho, o direito, segundo Cornélio Nepos. Mesmo assim, Roma nunca pediu paz. Ele ficou quinze anos na Itália, nunca tomou a cidade e, em 202 a.C., perdeu a última batalha, em Zama, na África, para Cipião (veja por que ele perdeu). Daí a expressão latina Hannibal ad portas, “Aníbal às portas”: o perigo chegou perto, mas as portas de Roma nunca se abriram.
Estadista, exilado, lenda
A paz não encerrou a carreira dele. Eleito sufeta, um dos dois magistrados supremos de Cartago, foi atrás dos funcionários corruptos para que a cidade pagasse Roma sem novos impostos. Os inimigos o denunciaram aos romanos e, em 195 a.C., ele fugiu para o leste. Aconselhou o rei Antíoco III contra Roma, depois serviu o rei da Bitínia, na atual Turquia, e por volta de 183 a.C. tomou veneno para não ser entregue (veja como Aníbal morreu).
Plutarco conta um encontro com Cipião em Éfeso. Perguntado sobre o maior general de todos, Aníbal citou Alexandre, depois Pirro, depois ele mesmo. E se você tivesse me vencido?, quis saber Cipião. Aí, respondeu Aníbal, eu me poria em primeiro. Não sobrou nenhum retrato dele em que os estudiosos confiem. O plano de batalha de Canas ainda é ensinado nas escolas militares.
Fontes
- Políbio, Histórias 3.11 (o juramento) e 3.33–118
- Tito Lívio, História de Roma 21.1–4 e 33.45–49
- Cornélio Nepos, Aníbal 2–4 e 13
- Plutarco, Vida de Flaminino 21; Tito Lívio 35.14 (o encontro com Cipião)
- Dexter Hoyos, Hannibal’s Dynasty: Power and Politics in the Western Mediterranean, 247–183 BC (2003)