Roma Antiga · Fatos

Como Aníbal morreu?

A resposta curta

Ele se envenenou. Por volta de 183 a.C., exilado na corte do rei Prúsias da Bitínia, no noroeste da atual Turquia, Aníbal viu a casa cercada de soldados depois que o enviado romano Flaminino exigiu a sua entrega. Tito Lívio e Nepos dizem que ele bebeu o veneno que sempre levava consigo. Outros autores antigos contam diferente.

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Doze anos em fuga

Zama não acabou com Aníbal. Como sufeta de Cartago, ele pôs ordem nas finanças da cidade e ganhou inimigos poderosos com isso (veja quem foi Aníbal). Eles contaram a Roma que Aníbal conspirava com Antíoco III, o rei selêucida. Em 195 a.C., antes que Roma exigisse a sua entrega, ele saiu de noite, navegou até Tiro, a velha cidade-mãe fenícia, e dali seguiu para a corte de Antíoco, em Éfeso.

Antíoco fez dele almirante e perdeu a guerra contra Roma assim mesmo. Depois da derrota do rei em Magnésia, os termos de paz romanos exigiam a entrega de Aníbal. Ele fugiu de novo. Em Creta, conta Cornélio Nepos, enganou os moradores deixando num templo jarros cheios de chumbo, cobertos de ouro por cima, enquanto o dinheiro de verdade viajava escondido dentro de estátuas de bronze. Acabou na Bitínia, às margens do mar de Mármara, com o rei Prúsias I. Plínio chega a dizer que ele fundou Prusa, a atual Bursa. Lutando por Prúsias contra Eumenes de Pérgamo, aliado de Roma, venceu uma batalha naval atirando potes de barro cheios de cobras nos navios inimigos.

A última armadilha

Por volta de 183 a.C., Tito Quíncio Flaminino, o general que tinha derrotado Filipe V da Macedônia, chegou à corte de Prúsias como enviado de Roma. Plutarco diz que ele estava lá por outro assunto, encontrou Aníbal e não sossegou, embora o rei intercedesse pelo hóspede. Prúsias cedeu.

Aníbal sempre esperou por isso. Plutarco diz que sete passagens subterrâneas saíam do seu quarto. Nepos conta que um escravo percorreu todos os portões da casa e voltou com a mesma resposta: homens armados por toda parte. Então Aníbal tomou o veneno que guardava havia anos. Na versão de Lívio, as últimas palavras foram de desprezo: ele ia livrar os romanos da longa aflição, já que esperar a morte de um velho tinha esgotado a paciência deles. Antes de Zama, Lívio o fizera alertar o jovem Cipião sobre a sorte.

Raramente pensa na incerteza dos acontecimentos aquele a quem a sorte nunca enganou. O que eu fui no Trasimeno e em Canas, isso você é hoje.

Tito Lívio, História de Roma 30.30 (Aníbal a Cipião antes de Zama, nas palavras que Lívio lhe atribui)

Veneno, manto ou espada?

Lívio e Nepos falam em veneno. Plutarco, que conhecia a versão de Lívio, acrescenta outras duas: um criado o teria estrangulado com o próprio manto, ou ele teria bebido sangue de touro, como diziam de Temístocles e de Midas. Pausânias conta que ele morreu de febre três dias depois de cortar o dedo na própria espada desembainhada, ao pular no cavalo. O poeta satírico Juvenal, três séculos depois, esconde o veneno num anel e debocha de que um anel tenha vingado Canas.

Nem o ano era consenso. Nepos cita três autores com três pares de cônsules diferentes, que correspondem a 183, 182 e 181 a.C. Diz também que Aníbal estava no seu septuagésimo ano. Se tinha nove anos no juramento de 237 a.C., estava mais perto dos sessenta e quatro.

Terra líbia

Plutarco e Pausânias falam de um oráculo: terra líbia cobriria Aníbal. Ele entendeu que era a África e esperava morrer em casa. Mas Líbissa também era o nome de uma aldeia no litoral da Bitínia, e ele morava ao lado dela. O lugar fica no golfo de İzmit, no atual distrito de Gebze, a leste de Istambul. No tempo de Plínio, só restava ali o túmulo de Aníbal. A sepultura nunca foi identificada com segurança; um memorial mandado erguer por Atatürk está perto do local tradicional desde 1934.

Roma não se orgulhou do desfecho. Plutarco diz que muitos senadores acharam Flaminino odioso e cruel por caçar um velho inofensivo, como um pássaro velho demais para voar. Cipião Africano, o rival que tinha vencido Aníbal, morreu mais ou menos na mesma época, amargurado, retirado em Literno.

Fontes

  • Tito Lívio, História de Roma 33.45–49, 37.45 e 39.51
  • Cornélio Nepos, Aníbal 7–13
  • Plutarco, Vida de Flaminino 20–21
  • Pausânias, Descrição da Grécia 8.11.11
  • Plínio, o Velho, História Natural 5.148
  • Juvenal, Sátira 10.147–167