Roma Antiga · Fatos

Por que Aníbal perdeu a Segunda Guerra Púnica?

A resposta curta

Porque Roma não desistiu. Depois de Canas, em 216 a.C., recusou negociar, formou novas legiões com uma reserva enorme de cidadãos e aliados e parou de aceitar batalhas abertas. Aníbal não tinha máquinas de cerco, recebia pouca ajuda de Cartago, e o mar era romano. Cipião tomou a Hispânia, invadiu a África e o venceu em Zama.

Revisado em

Ganhou as batalhas, não a guerra

Aníbal nunca planejou tomar Roma de assalto. O plano era vencer os exércitos romanos na Itália até que os aliados abandonassem Roma e o Senado pedisse acordo. No campo de batalha, deu certo. Em Canas, em agosto de 216 a.C., ele aniquilou o maior exército que Roma já tinha posto em campo (veja quem foi Aníbal). O comandante da sua cavalaria, Maarbal, implorou que ele marchasse sobre Roma na mesma hora.

Na verdade, os deuses não deram tudo à mesma pessoa. Você sabe vencer, Aníbal, mas não sabe aproveitar a vitória.

Tito Lívio, História de Roma 22.51 (Maarbal a Aníbal depois de Canas)

Lívio pode ter caprichado na frase, e Aníbal tinha as suas razões: não levava máquinas de cerco, e Roma era uma cidade murada, com gente para defendê-la. Mas a estratégia inteira dependia de Roma desistir, e Roma nunca desistiu.

Uma fonte de soldados

Políbio lista os homens que Roma e os aliados podiam pôr em armas em 225 a.C.: mais de 700 mil soldados a pé e 70 mil a cavalo. Aníbal desceu dos Alpes com uns 26 mil. Cada exército que ele destruía era substituído. Plutarco tinha visto o mesmo na guerra anterior de Roma contra o rei Pirro, aquele da “vitória de Pirro”.

O exército dos romanos, como uma fonte que jorrasse dentro de casa, enchia-se de novo com facilidade e rapidez.

Plutarco, Vida de Pirro 21

Depois de Canas, o Senado não quis falar de paz e nem pagou o resgate dos prisioneiros que Aníbal ofereceu devolver. Armou rapazes, devedores e escravos comprados pelo Estado. Políbio interrompe a narrativa nesse ponto para descrever a constituição romana, que, para ele, explicava a recuperação.

Os aliados não cederam

Aníbal soltava sem resgate os prisioneiros italianos, na esperança de que as suas cidades mudassem de lado. Algumas mudaram. Cápua, a segunda cidade da Itália, abriu as portas, e boa parte do sul foi junto. Mas as colônias latinas e o centro da Itália continuaram fiéis. Em 211 a.C., Aníbal chegou à vista de Roma para afastar as legiões de Cápua. O cerco continuou, e Cápua caiu. Mesmo em 209 a.C., quando doze das trinta colônias latinas disseram que não tinham mais homens para dar, as outras dezoito continuaram mandando soldados. E a guerra lenta de Fábio, o Contemporizador, seguindo Aníbal de longe e negando a batalha aberta que ele queria, foi gastando o seu exército.

Cartago não sustentou a guerra

O mar era de Roma, e Cartago raramente conseguia mandar homens ou suprimentos. Em casa, Hanão e o partido da paz eram contra a guerra desde o começo. Quando Magão, irmão de Aníbal, despejou na entrada do senado cartaginês os anéis de ouro dos cavaleiros romanos mortos, Hanão perguntou se alguma cidade latina tinha passado para o lado deles. Em 209 a.C., Cipião tomou Cartago Nova, e a prata e os recrutas da Hispânia se perderam. Em 207 a.C., o outro irmão, Asdrúbal, atravessou os Alpes com um exército de socorro e foi esmagado no rio Metauro. Os romanos jogaram a cabeça dele diante dos postos avançados de Aníbal.

Zama e a paz de 201 a.C.

Em 204 a.C., Cipião desembarcou na África, agora com o príncipe númida Massinissa do lado romano, e Cartago chamou Aníbal de volta. Em Zama, em 202 a.C., Cipião deixou corredores nas suas linhas, os 80 elefantes de Aníbal passaram por eles sem estrago, e a cavalaria romana e a númida caíram sobre a retaguarda: Canas ao contrário. O próprio Aníbal aconselhou Cartago a aceitar a paz. A cidade entregou a Hispânia, os elefantes e todos os navios de guerra menos dez, ficou devendo 10.000 talentos em cinquenta anos e não podia fazer guerra sem licença de Roma. Aníbal perdeu para uma cidade capaz de perder batalha atrás de batalha sem perder a guerra.

Fontes

  • Políbio, Histórias 2.24 (os efetivos romanos), 3.117–118, 6.58 e 15.9–19
  • Tito Lívio, História de Roma 22.51, 22.57–61, 23.11–13, 26.7–16, 27.9–10, 27.43–51 e 30.29–37
  • Plutarco, Vida de Pirro 21
  • Adrian Goldsworthy, The Punic Wars (2000)