A resposta curta
Ninguém sabe ao certo. O Êxodo chama aquelas águas de Yam Suph, o mar de Juncos, e os pontos de referência do texto, Pi-Hairote, Migdol e Baal-Zefom, nunca foram identificados. As propostas incluem o lago Bardawil, no Mediterrâneo, o lago Timsah e os lagos Amargos, no atual canal de Suez, o golfo de Suez e o golfo de Aqaba.
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Mar Vermelho ou mar de Juncos?
Em hebraico, o Êxodo nunca diz “mar Vermelho”. Diz Yam Suph. Yam é mar, e suph é a palavra comum para juncos, os mesmos juncos do Nilo onde ficou escondido o cesto do bebê Moisés (Êxodo 2:3). O nome “mar Vermelho” vem da Septuaginta, a tradução grega feita em Alexandria no século III a.C., que escreveu Erythra Thalassa. As Bíblias em latim e depois as nossas seguiram o grego. Muitos estudiosos de hoje preferem “mar de Juncos”.
Só que o nome hebraico nem sempre é um brejo. Quando Salomão monta uma frota, as mesmas duas palavras designam um braço de mar de verdade.
O rei Salomão fez uma frota de navios em Eziom-Geber, que fica perto de Elate, na margem do mar Vermelho, na terra de Edom.
Elate ficava no fundo do golfo de Aqaba, ao lado da atual Eilat. Então Yam Suph pode ser um lago cheio de juncos perto do delta do Nilo e também os golfos dos dois lados do Sinai. Por isso a discussão continua.
As pistas do caminho
Israel parte de Ramessés, no leste do delta. Deus não leva o povo “pelo caminho da terra dos filisteus, embora fosse mais perto” (Êxodo 13:17). Essa estrada do litoral, os Caminhos de Hórus, era cheia de fortes egípcios que a arqueologia escavou no norte do Sinai. Depois Deus manda Moisés voltar e acampar “diante de Pi-Hairote, entre Migdol e o mar, diante de Baal-Zefom” (14:2). Migdol quer dizer apenas torre. Baal-Zefom é o nome de um deus usado como nome de lugar. Nenhum dos três tem endereço certo no mapa.
Depois da travessia, Números lista os acampamentos: a água amarga de Mara, Elim com suas doze fontes e setenta palmeiras, e então “acamparam junto ao Mar Vermelho” (Números 33:10). Alguns leitores concluem que o mar atravessado e o golfo de Suez, alcançado depois, são águas diferentes. Outros respondem que a marcha só voltou ao mesmo litoral, mais ao sul.
Os candidatos
- Lago Bardawil. Uma lagoa comprida no litoral mediterrâneo do Sinai, o antigo lago Sirbônis, atrás de uma faixa estreita de areia. Fica perto da estrada do litoral que, segundo o Êxodo, o povo evitou.
- Lago Timsah e os lagos Amargos. Lagos rasos e pântanos entre o delta e o golfo de Suez, hoje ligados pelo canal de Suez. Muitos estudiosos preferem essa região: era a fronteira natural do Egito a leste, e ali cresciam juncos.
- O fundo do golfo de Suez. A escolha de muitos mapas antigos e de peregrinos, na ponta norte do mar Vermelho propriamente dito.
- O golfo de Aqaba. Alguns autores põem a travessia na praia de Nuweiba e o monte Sinai na Arábia. As rodas de carro de guerra que estariam no fundo do mar ali nunca foram confirmadas por arqueólogos.
Um vento a noite inteira
Moisés estendeu a mão sobre o mar, e o SENHOR fez o mar recuar por um forte vento oriental durante toda a noite, e tornou o mar em terra seca, e as águas foram divididas.
O Êxodo conta a cena como milagre, com as águas paradas como um muro dos dois lados (14:22). Em 2010, Carl Drews e Weiqing Han, do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica dos Estados Unidos, no Colorado, perguntaram o que um vento, sozinho, faz com água rasa. A simulação deles mostrou que um vento leste de cerca de 100 quilômetros por hora, soprando por doze horas, poderia abrir uma passagem seca de alguns quilômetros numa antiga lagoa do leste do delta, e que a água voltaria correndo quando ele parasse. Um modelo mostra como, não onde. O cântico de Miriã só guarda quem venceu: “Lançou no mar o cavalo e o seu cavaleiro” (Êxodo 15:21). Sobre o rei que perdeu aquele exército, veja quem foi o faraó do Êxodo.
Fontes
- Êxodo 2:3; 13:17–15:22
- Números 33:5–11; 1 Reis 9:26
- Septuaginta, Êxodo 13:18 (Erythra Thalassa)
- James K. Hoffmeier, Ancient Israel in Sinai (Oxford University Press, 2005)
- Carl Drews e Weiqing Han, “Dynamics of Wind Setdown at Suez and the Eastern Nile Delta”, PLoS ONE 5 (2010)
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.