A Bíblia · Lugares

Onde Jesus foi crucificado?

A resposta curta

Num lugar chamado Gólgota, aramaico para “Lugar da Caveira”, Calvário em latim, logo fora da muralha de Jerusalém, à beira de um caminho. A maioria dos estudiosos o situa na atual Igreja do Santo Sepulcro; no tempo de Jesus, ali havia uma pedreira abandonada fora dos muros. O Monte da Caveira, proposto no século XIX, é o rival.

Revisado em

O que dizem os Evangelhos

Os quatro Evangelhos dão o nome do lugar, e três o traduzem.

Levaram-no ao lugar chamado Gólgota, que, traduzido, é “O lugar da Caveira”.

Marcos 15:22

Gulgolta é caveira em aramaico. Lucas dá só a tradução, “A Caveira” (Lucas 23:33), que a Bíblia latina verteu como Calvaria, origem de Calvário. Daí também o sentido que a palavra ganhou em português: passar por “um calvário” é atravessar um sofrimento longo. Por que caveira? Talvez fosse uma rocha nua e arredondada; talvez um lugar de execuções. Uma antiga lenda cristã dizia que o crânio de Adão estava enterrado ali, e por isso tantos crucifixos mostram uma caveira ao pé da cruz.

Os outros detalhes se encaixam. O lugar era “perto da cidade” (João 19:20), e Jesus “sofreu fora da porta” (Hebreus 13:12). Quem passava zombava dele (Mateus 27:39), então ficava à beira de um caminho. Havia um jardim com um túmulo novo ali perto (João 19:41). Era o costume romano: crucificar onde mais gente pudesse ver.

Por que o lugar hoje fica dentro dos muros

O local tradicional fica no meio da Cidade Velha murada, o que intriga os visitantes. Os muros mudaram. A Jerusalém de Jesus terminava na chamada segunda muralha. Por volta de 41 a 44 d.C., o rei Herodes Agripa I começou uma terceira muralha, mais ao norte, que pôs a área para dentro, e os muros que se veem hoje foram erguidos pelo sultão otomano Solimão entre 1537 e 1541. Escavações sob a igreja e os prédios vizinhos acharam uma antiga pedreira de calcário com túmulos do século I cavados nas paredes: um lugar fora da cidade no tempo de Jesus.

A Rocha do Calvário

Logo depois da entrada da igreja, uma escada íngreme sobe até a Rocha do Calvário, um bloco de pedra de uns cinco metros de altura que os cortadores de pedra deixaram de pé, provavelmente porque estava rachado e não servia. Atrás de um vidro se vê a rocha nua, e um disco de prata sob o altar ortodoxo grego marca onde a cruz teria ficado. Os operários de Constantino derrubaram um templo romano que cobria a área nos anos 320 porque, segundo o historiador Eusébio, ele tinha sido erguido sobre o lugar santo (Vida de Constantino 3.26). O túmulo e a história da igreja estão em Onde fica o túmulo de Jesus?

O Monte da Caveira

Em 1842, o estudioso alemão Otto Thenius propôs outro Gólgota: um paredão de rocha ao norte da Porta de Damasco, fora dos muros atuais, com buracos que lembram as órbitas de um crânio. Em 1883, o general britânico Charles Gordon o defendeu, e há quem o chame de Calvário de Gordon. Ao lado fica o Jardim do Túmulo, muito querido por peregrinos protestantes. A maioria dos arqueólogos prefere o Santo Sepulcro, que ficava fora da muralha no tempo de Jesus e tem uma tradição muito mais antiga.

O caminho até lá

A Via Dolorosa, a Via Sacra de Jerusalém, começa perto de onde ficava a fortaleza Antônia e segue para oeste por cerca de 600 metros até a igreja, onde estão as cinco últimas estações. A maioria dos historiadores acha que Pilatos julgou Jesus no palácio de Herodes, no lado oeste, e que o caminho verdadeiro veio de outra direção. No Brasil, a cena ganhou palco próprio: desde 1968, a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, em Pernambuco, encena a crucificação numa cidade-teatro de pedra.

Fontes

  • Marcos 15:20–41; Mateus 27:31–56; Lucas 23:26–49; João 19:16–42
  • Hebreus 13:12
  • Flávio Josefo, Guerra Judaica 5.142–155 (as três muralhas)
  • Eusébio, Vida de Constantino 3.25–28

As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.