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Quem foi Constantino, o Grande?

A resposta curta

Constantino I foi o imperador romano, de 306 a 337, que fez do cristianismo a fé favorita do império. Aclamado em York, tomou Roma na Ponte Mílvia em 312 sob um sinal cristão, concedeu liberdade de culto em 313, convocou o Concílio de Niceia em 325 e fundou Constantinopla em 330. Só foi batizado no leito de morte.

Revisado em

De York a imperador único

Constantino nasceu em Naísso, a atual Niš, na Sérvia, provavelmente em 272. O pai, Constâncio, era um oficial do exército que chegou a ser um dos quatro governantes de Diocleciano. A mãe, Helena, era de origem humilde e depois foi venerada como santa. Em julho de 306, o pai morreu em Eboraco, a atual York, e os soldados aclamaram Constantino imperador ali mesmo. Foram dezoito anos de guerra civil até ele governar sozinho: Maxêncio caiu na Ponte Mílvia em 312, e Licínio, em Crisópolis, em 324.

O sinal antes da batalha

O momento mais famoso da vida dele veio pouco antes da Ponte Mílvia, ao norte de Roma, em outubro de 312. Dois escritores cristãos contam a cena de dois jeitos. Lactâncio, escrevendo poucos anos depois, diz que um sonho mandou Constantino marcar o Chi-Rho, as duas primeiras letras do nome de Cristo em grego, nos escudos dos soldados. Eusébio, escrevendo depois da morte do imperador, diz que o próprio Constantino lhe descreveu um sinal no céu e jurou que era verdade. É a origem do lema “Com este sinal vencerás”.

Ele disse que, por volta do meio-dia, quando o dia já começava a declinar, viu com os próprios olhos o troféu de uma cruz de luz nos céus, acima do sol, com a inscrição: Com este sinal vencerás. Diante dessa visão, ele mesmo ficou tomado de espanto, e todo o seu exército também.

Eusébio, Vida de Constantino 1.28

O arco que o Senado ergueu para ele em Roma, em 315, é mais cauteloso. A inscrição diz que ele venceu por inspiração da divindade, instinctu divinitatis, palavras que um pagão e um cristão podiam aceitar.

Ele era mesmo cristão?

Em muita coisa, agiu como um. Em 313, ele e Licínio deram liberdade de culto a todos, cristãos incluídos, e devolveram os bens confiscados das igrejas. Pagou grandes basílicas, entre elas a primeira basílica de São Pedro, em Roma, e a do Santo Sepulcro, em Jerusalém, e em 325 reuniu uns trezentos bispos em Niceia. Mesmo assim, por anos as suas moedas ainda traziam o deus Sol, e uma lei de 321 fez do dia do Sol um dia de descanso. Em português esse dia se chama domingo, o dia do Senhor; em inglês, ainda é Sunday, o dia do Sol.

Ele só foi batizado quando estava morrendo, perto de Nicomédia, em maio de 337, pelo bispo local, outro Eusébio. Esperar era comum: acreditava-se que o batismo lavava todos os pecados anteriores, e muitos o deixavam para o fim. Os cristãos costumam ver nele um convertido sincero; os críticos, um político esperto que apostou na Igreja em ascensão. Muitos historiadores acham que ele acreditava de verdade que o Deus cristão lhe dera as vitórias, embora governasse como imperador de pagãos e cristãos.

Sangue na família

Em 326, Constantino mandou executar o filho mais velho, Crispo, um general bem-sucedido, em Pola, a atual Pula, na Croácia. Pouco depois, a esposa, Fausta, morreu num banho superaquecido. Os nomes dos dois foram raspados das inscrições, e nenhum escritor da época explica o motivo. Zósimo, um historiador pagão que escreveu por volta de 500 e detestava Constantino, liga as duas mortes e afirma que o imperador virou cristão porque só os cristãos prometiam perdão para crimes assim. A maioria dos historiadores lê isso como polêmica. A verdade ninguém sabe.

O que ele deixou

Constantino morreu em 22 de maio de 337 e foi sepultado na sua igreja dos Santos Apóstolos, em Constantinopla, a segunda Roma que ele inaugurara em 330 (veja por que ele fundou a cidade). A sua moeda de ouro, o soldo, manteve o valor por uns sete séculos. As igrejas ortodoxas o veneram como santo, igual aos apóstolos, junto com a mãe, Helena, em 21 de maio. Escritores posteriores o chamaram de o Grande.

Fontes

  • Lactâncio, Sobre a morte dos perseguidores 44 e 48
  • Eusébio, Vida de Constantino 1.28–31 e 4.61–62
  • Zósimo, Nova História 2.29
  • Código de Justiniano 3.12.2 (a lei de 321 sobre o domingo)
  • Arco de Constantino, Roma (315), inscrição dedicatória
  • Timothy D. Barnes, Constantine and Eusebius (1981)