Roma Antiga · Fatos

Por que Constantino fundou Constantinopla?

A resposta curta

Porque Roma estava no lugar errado. As guerras do império eram no Danúbio e na fronteira persa, e o dinheiro, no Oriente. Bizâncio, no Bósforo, entre a Europa e a Ásia, controlava a saída do mar Negro e tinha água em três lados. Constantino a reconstruiu a partir de 324 e a inaugurou em 11 de maio de 330.

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Roma já não era a capital

No tempo de Constantino, fazia décadas que Roma não era a capital de fato do império. As guerras eram no Reno, no Danúbio e na fronteira com a Pérsia, e as províncias mais ricas ficavam no Oriente. Em 293, Diocleciano tinha repartido o poder entre quatro governantes, com sede em Tréveris, Milão, Sírmio e Nicomédia, cada um perto de uma fronteira ameaçada. Roma continuava sendo o símbolo, mas as decisões eram tomadas em outro lugar. Lactâncio, professor cristão na corte de Diocleciano, reclamou do preço do novo sistema.

Pois escolheu três pessoas para dividir o governo com ele; e assim, estando o império dividido em quatro, os exércitos se multiplicaram, e cada um dos quatro príncipes se esforçava para manter uma força militar muito maior do que qualquer imperador sozinho tivera nos tempos passados.

Lactâncio, Sobre a morte dos perseguidores 7

Nicomédia, a capital do próprio Diocleciano, fica uns 100 km a leste de Bizâncio. Quando Constantino escolheu uma sede para si, escolheu o mesmo canto do mapa.

A batalha que escolheu o lugar

Em 324, Constantino disputou o Oriente com Licínio, o último imperador rival. As suas forças venceram Licínio em Adrianópolis, depois no mar, no Helesponto, e por fim em 18 de setembro, em Crisópolis, na margem asiática do Bósforo, bem em frente a Bizâncio. Agora governava o império inteiro, e naquele mesmo ano começaram as obras de uma cidade nova na margem europeia.

Bizâncio era uma velha cidade grega de comércio, e o seu lugar era admirado havia séculos. Políbio, no século II a.C., dizia que nenhuma cidade conhecida estava tão bem situada para a segurança e a riqueza vindas do mar, embora fosse muito exposta por terra. A água a protegia em três lados: o mar de Mármara, o Bósforo e o Corno de Ouro, um porto natural fundo. Todo navio entre o mar Negro e o Mediterrâneo passava ao pé dela, e a estrada da Europa para a Ásia cruzava ali. De lá, um imperador alcançava as duas grandes fronteiras, o Danúbio e a Pérsia.

Uma segunda Roma, feita às pressas

Constantino fez a cidade nova à imagem da antiga. Ela foi dividida em catorze regiões, como Roma, e também tinha as suas sete colinas. Ganhou senado próprio, um hipódromo para as corridas de carros, um grande palácio e, a partir de 332, distribuição gratuita de trigo, como em Roma. A obra correu, e colunas, mármores e estátuas foram trazidos de todo o império. Jerônimo escreveu na sua Crônica que a cidade foi inaugurada despindo quase todas as outras. Um desses troféus ainda está no antigo Hipódromo de Istambul: a Coluna da Serpente, de bronze, feita em Delfos depois da vitória grega sobre os persas em Plateia, em 479 a.C.

Era para ser uma capital cristã? Constantino construiu igrejas, entre elas a dos Santos Apóstolos, onde quis ser sepultado. Mas no alto da sua coluna de pórfiro, no novo fórum, havia uma estátua do próprio imperador como o deus sol Hélio, coroado de raios. A coluna, terminada por volta de 328, continua de pé; a estátua caiu há muito tempo. Os historiadores ainda discutem o quanto a cidade nasceu cristã (veja quem foi Constantino).

O que a mudança trouxe

Em 11 de maio de 330, depois de seis anos de obras, ele a inaugurou: Constantinopla, a cidade de Constantino. Ela virou a âncora da metade oriental do império, que sobreviveu ao Ocidente por quase mil anos (veja por que o Oriente durou mais). Caiu diante dos otomanos em 1453 (veja quando Constantinopla caiu) e hoje se chama Istambul (veja como se chama Constantinopla hoje).

Fontes

  • Lactâncio, Sobre a morte dos perseguidores 7
  • Políbio, Histórias 4.38 (o lugar de Bizâncio)
  • Jerônimo, Crônica, ano 330
  • Zósimo, Nova História 2
  • Jonathan Harris, Constantinople: Capital of Byzantium (2007)