A resposta curta
Numa terça-feira, 29 de maio de 1453. Depois de 53 dias de cerco, o exército do sultão otomano Maomé II, então com 21 anos, entrou na cidade num ataque final iniciado depois da meia-noite. O último imperador bizantino, Constantino XI Paleólogo, morreu na luta. Era o fim do Império Romano do Oriente, 1.123 anos depois da inauguração da cidade.
Revisado em
Quase tudo o que restava
Em 1450, o Império Romano do Oriente tinha encolhido para Constantinopla, algumas ilhas e um pedaço do Peloponeso, no sul da Grécia, onde os irmãos do imperador governavam a partir de Mistra. A cidade só tinha sido tomada uma vez, pela Quarta Cruzada, em 1204 (veja por que o Oriente durou tanto). A população também tinha encolhido. O imperador Constantino XI conseguiu reunir uns 7.000 defensores, cerca de 2.000 deles estrangeiros, muitos de Gênova e de Veneza.
Do outro lado estava Maomé II, sultão pela segunda vez em 1451, aos dezenove anos. Em 1452, ele construiu a fortaleza de Rumeli Hisarı na margem europeia do Bósforo, para estrangular o estreito. Em 1453, chegou com talvez 50 mil a 80 mil homens.
Cinquenta e três dias
O cerco começou em 6 de abril. Maomé trouxe os maiores canhões já vistos. Um fundidor chamado Orbán, em geral tido como húngaro, tinha feito para ele uma bombarda de bronze que lançava balas de pedra de uns 270 quilos. Durante semanas os canhões martelaram as muralhas do lado de terra, e toda noite os defensores tapavam os rombos com madeira e terra. Uma corrente na entrada do Corno de Ouro impedia a frota otomana de entrar no porto; então, em 22 de abril, Maomé mandou arrastar navios por terra, sobre troncos untados, pelo morro atrás de Gálata, e lançá-los lá dentro. Os seus sapadores cavaram túneis até as muralhas; os defensores os acharam e lutaram debaixo da terra.
A madrugada de 29 de maio
O ataque final começou logo depois da meia-noite de terça-feira, 29 de maio. Uma onda depois da outra bateu nas muralhas. Então o comandante genovês, Giovanni Giustiniani, foi gravemente ferido e retirado, e o pânico se espalhou. Os janízaros, a infantaria de elite do sultão, abriram caminho; o historiador Ducas acrescenta que uma pequena porta, a Kerkoporta, tinha ficado aberta. Constantino XI, conta a tradição, jogou fora as insígnias imperiais e morreu lutando. O corpo nunca foi identificado com certeza. Maomé foi a cavalo até Santa Sofia, a grande igreja de Justiniano, e mandou transformá-la em mesquita.
Mais de mil anos antes, quando os godos de Alarico tomaram a primeira Roma, Jerônimo tinha escrito de Belém:
A Cidade que tinha tomado o mundo inteiro foi ela mesma tomada.
Agora era a segunda Roma que caía. Desta vez, ela virou capital de outro império.
Por que 1453 importa
Maomé fez da cidade a sua capital, e os sultões governaram dali até 1922. Ele adotou o título de Kayser-i Rûm, César de Roma, e deixou a Igreja Ortodoxa manter o seu patriarca, o monge Genádio Escolário (veja como a cidade se chama hoje). Os últimos redutos bizantinos vieram logo depois: Mistra em 1460, Trebizonda, no mar Negro, em 1461. Com eles acabou um Estado que se chamava Império Romano desde Augusto.
Nas escolas brasileiras, 1453 é a data que fecha a Idade Média, aberta em 476 com a queda do Ocidente. Os sábios gregos que fugiram para o oeste levaram livros e saberes para o Renascimento italiano. Na Grécia, a terça-feira ainda é tida como dia de azar. E há uma simetria curiosa: a cidade foi fundada por um Constantino filho de Helena e perdida por outro Constantino, também filho de uma Helena.
Fontes
- Nicolò Barbaro, Diary of the Siege of Constantinople, 1453 (trad. inglesa de J. R. Jones, 1969)
- Ducas, Decline and Fall of Byzantium to the Ottoman Turks (trad. inglesa de H. J. Magoulias, 1975)
- Critóbulo, History of Mehmed the Conqueror (trad. inglesa de C. T. Riggs, 1954)
- Jerônimo, Carta 127.12
- Steven Runciman, The Fall of Constantinople 1453 (1965)