A resposta curta
Muito provavelmente dentro da Igreja do Santo Sepulcro, na Cidade Velha de Jerusalém. Ali, um pequeno santuário, a Edícula, guarda o que resta de um túmulo escavado na rocha, venerado desde pelo menos o século IV. Muitos protestantes preferem o Jardim do Túmulo, ao norte dos muros, mas a maioria dos arqueólogos o data de séculos antes de Jesus.
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O que os Evangelhos descrevem
Os Evangelhos desenham bem o sepulcro. José de Arimateia, membro do conselho, tirou o corpo da cruz antes do começo do sábado.
e o colocou em seu próprio túmulo novo, que ele havia escavado na rocha. Então, rolou uma grande pedra para a porta do túmulo e foi embora.
Era um túmulo novo, “onde ninguém jamais havia sido colocado” (Lucas 23:53), num jardim perto do lugar da crucificação (João 19:41–42). Os detalhes batem com os túmulos de família judaicos da época: uma entrada baixa, que obrigava a se inclinar para olhar dentro (João 20:5), e um banco de pedra onde o corpo ficava, com espaço para alguém se sentar “do lado direito” (Marcos 16:5). O lugar da cruz tem página própria: Onde Jesus foi crucificado?
Debaixo de um templo romano
O bispo e historiador Eusébio conta como o túmulo foi achado. Construtores romanos, provavelmente no tempo de Adriano, tinham soterrado a área e erguido em cima um santuário de Afrodite. Nos anos 320, Constantino mandou derrubá-lo e levar a terra embora. Por baixo, diz Eusébio, apareceu a gruta da ressurreição. Os construtores cortaram a encosta ao redor e deixaram a câmara do túmulo isolada, e em 335 uma grande basílica foi consagrada ao lado (Vida de Constantino 3.25–40).
Desde então o túmulo sofreu muito. Em 1009, o califa fatímida al-Hakim mandou destruir a igreja e picar a rocha quase até o chão. O que sobrou, o banco funerário e partes das paredes, está fechado dentro da Edícula, um pequeno santuário de mármore refeito depois de um incêndio em 1808. Em 2016, uma equipe da Universidade Técnica Nacional de Atenas, que restaurava a Edícula, levantou por cerca de sessenta horas a placa de mármore sobre o banco. Embaixo, sob outra placa mais antiga, estava o leito original de calcário. Mais tarde, a argamassa entre as camadas foi datada de cerca de 345 d.C., o tempo dos construtores de Constantino.
Seis igrejas dividem o prédio sob um acordo da época otomana chamado Status Quo, sobretudo os ortodoxos gregos, os franciscanos católicos e os armênios. Uma família muçulmana guarda a chave da porta principal há séculos.
O Jardim do Túmulo
Ao norte da Porta de Damasco, ao lado do paredão que alguns chamam de Monte da Caveira, fica o Jardim do Túmulo, descoberto em 1867 e mantido desde 1894 por uma entidade britânica. É um lugar calmo e verde, fácil de imaginar na manhã da Páscoa, e muitos peregrinos evangélicos o preferem. Mas o arqueólogo israelense Gabriel Barkay o datou, com os túmulos vizinhos, dos séculos VIII e VII a.C., o tempo dos reis de Judá. No tempo de Jesus, já não era um túmulo novo. A própria associação que cuida do jardim não afirma que seja o lugar.
O que a arqueologia pode e não pode dizer
Ela pode dizer que a área do Santo Sepulcro era, no século I, uma pedreira abandonada fora da muralha, usada para sepultamentos judaicos. Um túmulo de família com nichos fundos exatamente dessa época sobrevive a poucos metros da Edícula, numa capela que os sírios ortodoxos chamam de túmulo de José de Arimateia. Ela não pode dizer de quem era o corpo deitado no banco. Outras candidaturas, como um túmulo de família achado em Talpiot em 1980 e famoso por um documentário de 2007, são rejeitadas pela maioria dos arqueólogos, porque os nomes gravados ali estavam entre os mais comuns da época. Qual é o túmulo, a arqueologia discute. O que aconteceu nele é questão de fé.
Fontes
- Mateus 27:57–61; Marcos 15:42–16:8; Lucas 23:50–24:12; João 19:38–20:12
- Eusébio, Vida de Constantino 3.25–40
- Gabriel Barkay, “The Garden Tomb: Was Jesus Buried Here?”, Biblical Archaeology Review (1986)
- Universidade Técnica Nacional de Atenas, restauração da Edícula (2016–2017)
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.