A Bíblia · Pessoas

Quem foi Maria Madalena?

A resposta curta

Maria Madalena foi uma judia de Magdala, cidade de pescadores às margens do mar da Galileia, que seguiu Jesus depois de ser libertada de “sete demônios”. Ajudou a pagar as despesas da missão, viu Jesus morrer, viu onde ele foi sepultado e, nos quatro Evangelhos, vai ao túmulo vazio. Em João, é a primeira a vê-lo ressuscitado.

Revisado em

Uma mulher de Magdala

Maria, Miriam em hebraico, era o nome mais comum entre as judias da época, e por isso os Evangelhos identificam cada Maria: a mãe de Jesus, Maria de Betânia, Maria, mulher de Clopas. Esta é identificada pela cidade. Madalena quer dizer “de Magdala”, nome que vem do hebraico migdal, torre. Era uma cidade movimentada na beira do lago, a uns 120 quilômetros ao norte de Jerusalém, onde o peixe da noite era salgado para a venda. Em 2009, as obras de uma pousada revelaram a sua sinagoga do século I, com uma pedra esculpida que mostra o candelabro de sete braços do Templo.

Sete demônios

Lucas a apresenta como aquela “da qual haviam saído sete demônios” (Lucas 8:2), e o final longo de Marcos, acrescentado mais tarde, repete a informação (Marcos 16:9). Nenhum dos dois explica que mal era esse. No mundo dos Evangelhos, convulsões, loucura e doenças graves eram atribuídas a demônios, e sete é o número bíblico da plenitude. A maioria dos leitores entende uma aflição muito séria, curada, e vê nela o motivo de ela seguir Jesus. Nenhum texto liga isso a pecado.

As mulheres que sustentavam a missão

Lucas conta que, enquanto Jesus percorria as cidades da Galileia com os doze, algumas mulheres iam junto e pagavam as despesas. Ele cita três: Maria Madalena; Joana, mulher do administrador da casa de Herodes Antipas; e Susana (Lucas 8:1–3). Ao contrário da maioria das mulheres dos Evangelhos, Maria nunca é apresentada como esposa, filha ou mãe de alguém, só pela sua cidade. E aparece em primeiro lugar em quase todas as listas das mulheres, sinal, para muitos estudiosos, de que era a mais conhecida entre elas.

Na cruz e no sepulcro

Quando os homens fugiram, as mulheres ficaram. Marcos diz que elas olhavam de longe. João a coloca ainda mais perto.

Mas, junto à cruz de Jesus, estavam em pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena.

João 19:25

Depois, ela e a outra Maria viram onde José de Arimateia colocou o corpo (Marcos 15:47). Por isso, no domingo, ela sabia a que túmulo voltar. Em João, ela chega sozinha, ainda no escuro, corre para chamar Pedro e continua ali, chorando, quando os outros já foram embora. Então o homem que ela toma pelo jardineiro diz o seu nome e lhe entrega um recado.

Não me segure, pois ainda não subi para meu Pai; mas vá para meus irmãos e diga-lhes: ‘Estou subindo para meu Pai e Pai de vocês, meu Deus e Deus de vocês.’

João 20:17

Apóstola dos apóstolos

Ela levou o recado, e por isso escritores medievais a chamaram de apostola apostolorum, a apóstola dos apóstolos. Os ortodoxos a honram como mirófora, uma das mulheres que levaram perfumes ao túmulo, e como igual aos apóstolos. Católicos, ortodoxos, anglicanos e luteranos lembram o seu dia em 22 de julho; em 2016, o papa Francisco deu a essa data o grau de festa, como as dos apóstolos.

Lendas cresceram ao redor dela. Um sermão do papa Gregório Magno, em 591, a confundiu com a pecadora de Lucas 7, e ela virou a penitente chorosa de mil quadros. Daí o português “chorar como uma Madalena” e a “Madalena arrependida”. Essa história está em Maria Madalena era prostituta? Um texto do século II, o Evangelho de Maria, a mostra ensinando os discípulos. Uma lenda medieval a leva de barco até a Provença, na França. A Maria dos Evangelhos é mais simples: uma mulher curada que pagou o próprio caminho, ficou até o fim e voltou primeiro.

Fontes

  • Lucas 8:1–3
  • Marcos 15:40–47; 16:1–9
  • Mateus 27:55–61; 28:1–10
  • João 19:25; 20:1–18
  • Evangelho de Maria (Códice de Berlim, Papyrus Berolinensis 8502)
  • Congregação para o Culto Divino, decreto sobre a festa de Santa Maria Madalena (2016)

As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.