A resposta curta
Porque Davi a conquistou e lhe deu o próprio nome. Em 2 Samuel 5, ele toma dos jebuseus a “fortaleza de Sião”, mora ali e a chama de cidade de Davi. Tomada pelos homens do rei, não pertencia a nenhuma tribo. O nome designa a colina ao sul do Monte do Templo; em Lucas, a cidade de Davi é Belém.
Revisado em
Uma cidade que as tribos não conseguiram manter
Jerusalém já era antiga muito antes de Davi. Entre as cartas achadas em Amarna, no Egito, há várias do seu rei, Abdi-Heba, escritas ao Faraó no século XIV a.C. Na Bíblia, é a cidade dos jebuseus, às vezes chamada simplesmente de Jebus (Juízes 19:10). Ficava na fronteira entre Judá e Benjamim, e nenhuma das duas tribos conseguiu expulsar os jebuseus (Josué 15:63; Juízes 1:21). Então Davi, rei em Hebrom havia sete anos, marcha contra ela com os seus homens.
O rei e os seus homens foram para Jerusalém contra os jebuseus, os habitantes da terra, que falaram a Davi, dizendo: “Os cegos e os coxos o manterão fora daqui”, pensando: “Davi não pode entrar aqui.” Contudo, Davi tomou a fortaleza de Sião. Esta é a cidade de Davi.
A provocação: até cegos e coxos defenderiam aquelas muralhas. Davi manda os seus homens subirem pelo tsinnor (5:8), palavra rara, em geral entendida como um poço de água. Em Crônicas, Joabe sobe primeiro e ganha o comando do exército (1 Crônicas 11:6).
Por que o nome do rei
“Davi morou na fortaleza e a chamou de cidade de Davi” (2 Samuel 5:9). O nome dizia quem era o dono. No relato de Samuel, a fortaleza caiu diante do “rei e os seus homens”, os soldados dele, e não de uma tropa tribal (Crônicas, ao recontar, diz “todo o Israel”). Por isso, concluem muitos historiadores, virou propriedade do rei, entre Judá, ao sul, e as tribos do norte. Uma capital que não pertencia a nenhuma tribo podia servir a todas. Depois Davi levou a arca da aliança “para a cidade de Davi, com alegria” (6:12), e a fortaleza virou também o centro religioso.
Uma colina estreita
A Cidade de Davi era pequena: um esporão estreito que desce para o sul a partir do atual Monte do Templo, sobre o vale do Cedrom, com a fonte de Giom ao pé. A Bíblia mantém o nome para essa colina mesmo depois que a cidade cresce. Salomão é ungido na fonte lá embaixo (1 Reis 1:38–39). Depois leva a arca para o Templo, na colina ao norte, tirando-a “da cidade de Davi, que é Sião” (8:1). Davi é sepultado ali (2:10), e também Salomão e a maior parte dos reis de Judá. O túnel de Ezequias leva as águas de Giom “para o lado oeste da cidade de Davi” (2 Crônicas 32:30), e os construtores de Neemias reparam “os degraus que descem da Cidade de Davi” (Neemias 3:15).
Com os séculos, o nome Sião se estendeu à colina do Templo e a Jerusalém inteira, e o monte Sião acabou na colina ocidental, onde uma tradição medieval mostra o Túmulo de Davi. A Bíblia o sepulta na colina antiga.
Belém, a outra cidade de Davi
No Novo Testamento, a expressão aponta para outro lugar.
José também subiu da Galileia, da cidade de Nazaré, para a Judeia, à cidade de Davi, chamada Belém, por ser ele da casa e família de Davi
Para Lucas, a cidade de Davi é a cidade natal dele, onde Samuel o ungiu. O uso é antigo: em 1 Samuel, o próprio Davi chama Belém de “a sua cidade natal” (1 Samuel 20:6). Por isso o anjo anuncia um Salvador nascido “na cidade de Davi” (Lucas 2:11): no Natal, a cidade de Davi é Belém, não Jerusalém.
Escavando a cidade de Davi
Em 1867, Charles Warren achou um poço vertical acima da fonte de Giom, por muito tempo apontado como o tsinnor de Davi; escavações posteriores sugeriram que ele não era acessível na época. O túnel de Ezequias ainda leva água por 533 metros até o tanque de Siloé, onde uma inscrição achada em 1880 descreve o momento em que as duas equipes de escavadores se encontraram. Se a colina guarda também o palácio de Davi é discutido em O rei Davi existiu? Hoje o sítio fica em Silwan, um bairro palestino de Jerusalém Oriental, e as escavações são alvo de disputa política.
Fontes
- 2 Samuel 5:1–12; 6:12; 1 Crônicas 11:4–9
- Josué 15:8, 63; 18:28; Juízes 1:21; 19:10; 1 Samuel 20:6
- 1 Reis 1:38–39; 2:10; 8:1; 2 Crônicas 32:30; Neemias 3:15–16
- Lucas 2:4, 11
- Cartas de Amarna de Abdi-Heba, rei de Jerusalém (século XIV a.C.); inscrição de Siloé, Museus de Arqueologia de Istambul
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.