História do Brasil · Pessoas

Quem foi Dom Pedro II?

A resposta curta

O segundo e último imperador do Brasil. Nascido em 2 de dezembro de 1825, filho de Pedro I, virou imperador aos cinco anos, quando o pai abdicou, em 1831, e foi declarado maior aos 14. Reinou 49 anos, de 1840 a 1889, o reinado mais longo da história do país, até ser deposto pela República.

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O menino que ficou no palácio

Na madrugada de 7 de abril de 1831, Pedro I assinou a abdicação e embarcou para a Europa. No Palácio de São Cristóvão, no Rio, ficou o filho, Pedro de Alcântara, de cinco anos, com três irmãs. A mãe, a imperatriz Leopoldina, tinha morrido quando ele tinha um ano. A história do pai está em Quem foi Dom Pedro I?

A Constituição de 1824 mandava esperar os 18 anos. Governaram regentes, enquanto o país pegava fogo da Cabanagem, no Pará, à Farroupilha, no Rio Grande do Sul. Em 1840, os liberais, fora do poder, resolveram antecipar a maioridade. Em 23 de julho, a Assembleia Geral declarou o menino maior aos 14 anos, a manobra que ficou conhecida como Golpe da Maioridade:

Brasileiros! Estão convertidas em realidades as esperanças da nação; uma nova era apontou; seja ela de união e prosperidade.

Proclamação da Assembleia Geral Legislativa, 23 de julho de 1840

O famoso “Quero já!”, resposta que a tradição põe na boca dele, é só atribuído. Em 18 de julho de 1841, aos 15 anos, ele foi coroado com uma murça de penas de papo de tucano sobre os ombros.

O imperador dos livros e das fotografias

Pedro II estudava de madrugada: latim, grego, hebraico, sânscrito, astronomia. Quantas línguas ele falava de fato é difícil cravar; o que ele estudava está registrado. Trocava cartas com Pasteur e patrocinava artistas e cientistas. Aos 14 anos, comprou um daguerreótipo, talvez o primeiro a pertencer a um brasileiro, e juntou pela vida mais de 20 mil fotografias. A coleção, doada à Biblioteca Nacional com o nome da mulher, Thereza Christina Maria, é Memória do Mundo da UNESCO desde 2003. No diário, ele confessou onde estava o coração:

Nasci para consagrar-me às letras e às ciências, e, a ocupar posição política, preferiria a de presidente da República ou ministro à de imperador.

D. Pedro II, Diário, 31 de dezembro de 1861

Um império de café e escravidão

Quem pagava a corte era o café do Vale do Paraíba, plantado e colhido por pessoas escravizadas. Nos anos 1880, o café já era mais da metade das exportações. Pelo poder moderador, o imperador escolhia o gabinete e podia dissolver a Câmara, e liberais e conservadores se revezavam no governo conforme a vontade dele. O tráfico de africanos acabou depois da lei de 1850, aprovada sob pressão da Marinha britânica. A escravidão durou até 13 de maio de 1888, quando a filha, a princesa Isabel, assinou a Lei Áurea, com o pai doente na Europa.

Foi um bom imperador? Depende do que se põe na balança: meio século de governo estável e um mecenas da ciência, à frente do último país das Américas a abolir a escravidão. A historiadora Lilia Schwarcz mostra, em As barbas do imperador, que o sábio de barba branca também foi uma imagem construída retrato a retrato.

Guerra, queda e exílio

Venceu a Guerra do Paraguai, de 1864 a 1870, mas o exército voltou ressentido com os políticos. Um a um, perdeu os apoios do trono: a Igreja, o exército, os fazendeiros. Em 15 de novembro de 1889, foi deposto e, dois dias depois, partiu para o exílio. Morreu em Paris em 5 de dezembro de 1891, aos 66 anos. Os dois últimos anos estão em O que aconteceu com Dom Pedro II depois da Proclamação da República?, e o encontro com o telefone de Bell, em Dom Pedro II disse “Meu Deus, isto fala!”?

Fontes

  • Constituição Política do Império do Brasil (1824), art. 121
  • Proclamação da Assembleia Geral Legislativa, 23 de julho de 1840
  • D. Pedro II, Diário, 31 de dezembro de 1861
  • Coleção D. Thereza Christina Maria, Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro (Memória do Mundo da UNESCO, 2003)
  • Lilia Moritz Schwarcz, As barbas do imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos (1998)
  • José Murilo de Carvalho, D. Pedro II (2007)