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Quem foi José de Arimateia?

A resposta curta

José de Arimateia era um membro rico e respeitado do conselho de Jerusalém. Na tarde em que Jesus morreu, pediu o corpo a Pôncio Pilatos e o sepultou num túmulo novo, cavado na rocha, antes do sábado. Lucas diz que ele discordou da decisão do conselho; Mateus e João o chamam de discípulo, João de discípulo secreto.

Revisado em

Quatro retratos de um homem

José aparece uma única vez em cada Evangelho, no sepultamento, e cada um acrescenta um traço. Marcos monta a cena no fim da tarde de sexta, véspera do sábado:

chegou José de Arimateia, um membro proeminente do conselho, que também esperava o Reino de Deus. Ele teve coragem de entrar na presença de Pilatos e pediu o corpo de Jesus.

Marcos 15:43
  • Marcos: um membro importante do conselho, que esperava o Reino, e que precisou de coragem para pedir (15:42–46).
  • Mateus: “um homem rico”, discípulo, que usou o seu próprio túmulo novo (27:57–60).
  • Lucas: “um homem bom e justo” que “não havia consentido com a decisão e a ação deles” (23:50–51).
  • João: discípulo, “mas em segredo por medo dos judeus”, expressão com que João costuma designar as autoridades do Templo; Nicodemos, o que tinha ido a Jesus de noite, vem ajudá-lo com as especiarias (19:38–40).

Juntos, os quatro desenham um homem importante, cuja simpatia por Jesus ficou calada até o pior momento possível. O detalhe de Lucas pesa, porque Marcos diz que todo o conselho condenou Jesus (Marcos 14:64). Ou José não estava lá, ou votou contra e perdeu.

Onde ficava Arimateia?

Lucas diz apenas que era “uma cidade dos judeus”. Costuma ser identificada com Ramataim, a cidade nas montanhas de Efraim onde vivia a família do profeta Samuel (1 Samuel 1:1); outros pensam em Ramla, perto do litoral. Seja como for, José tinha mandado cavar um túmulo de família em Jerusalém: o homem de Arimateia vivia na capital.

Por que o corpo importava

Roma costumava deixar os crucificados na cruz, às vezes por dias, como aviso, e muitas vezes lhes negava sepultura. A Lei judaica pedia o contrário.

o seu corpo não permanecerá a noite toda no madeiro, mas você certamente o sepultará no mesmo dia;

Deuteronômio 21:23

Josefo conta que os judeus desciam até os crucificados e os sepultavam antes do pôr do sol (Guerra dos Judeus 4.317), e Fílon sabia de governadores que entregavam os corpos às famílias em época de festa (Contra Flaco 83). A arqueologia confirma: em 1968, um túmulo de família em Jerusalém guardava o calcanhar de um crucificado, Yehohanan, com o prego de ferro ainda cravado, depositado num ossuário. O pedido era possível, mas arriscado. Pilatos, surpreso de Jesus já estar morto, confirmou com o centurião antes de liberar o corpo (Marcos 15:44–45). José comprou um lençol de linho, desceu o corpo, envolveu-o e rolou uma pedra na entrada. Os cristãos logo viram ali um verso de Isaías: “Fizeram a sua sepultura com os ímpios, e com um homem rico em sua morte” (Isaías 53:9). O túmulo tem a sua própria página: onde fica o túmulo de Jesus?

As lendas

Os Evangelhos nunca mais falam dele, então os contadores de histórias falaram. O Evangelho de Pedro, do século II, o faz amigo de Pilatos. Os Atos de Pilatos contam que o conselho o prendeu e que Jesus ressuscitado o libertou. Por volta de 1200, o poeta francês Robert de Boron lhe deu o cálice da Última Ceia, o Santo Graal, e fez seus seguidores o levarem para a Britânia. Os monges de Glastonbury, na Inglaterra, incluíram a viagem dele na crônica da abadia em 1247.

As igrejas lembram o homem mais simples. Os ortodoxos o celebram com as mulheres portadoras de mirra no segundo domingo depois da Páscoa e cantam na Sexta-feira Santa um hino que começa com “O nobre José”. No calendário católico, a memória dele cai em 31 de agosto, ao lado de Nicodemos.

Fontes

  • Marcos 14:64; 15:42–47; Mateus 27:57–61; Lucas 23:50–56; João 19:38–42
  • Deuteronômio 21:22–23; Isaías 53:9; 1 Samuel 1:1
  • Flávio Josefo, Guerra dos Judeus 4.317; Fílon de Alexandria, Contra Flaco 83
  • Evangelho de Pedro; Atos de Pilatos; Robert de Boron, Joseph d’Arimathie (c. 1200)

As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.