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Quem foi Nicodemos?

A resposta curta

Nicodemos era um fariseu e membro do conselho que governava Jerusalém que, no Evangelho de João, vai a Jesus de noite com perguntas. Depois, pede ao conselho que ouça Jesus antes de julgá-lo e, após a crucificação, ajuda José de Arimateia a sepultá-lo, levando cerca de cem libras romanas de mirra e aloés. Só João fala dele.

Revisado em

Um mestre que veio de noite

João o apresenta com três marcas: um partido, um nome e um cargo.

Havia um homem entre os fariseus chamado Nicodemos, um líder dos judeus. Ele foi a Jesus de noite

João 3:1–2

“Líder” aqui quer dizer membro do conselho, o Sinédrio. O nome é grego, “vitória do povo”, nada estranho numa família importante de Jerusalém. Ele começa no plural, “sabemos que és mestre vindo da parte de Deus”, como se outros do conselho também estivessem curiosos. Jesus lhe responde de mestre para mestre: “Você é o mestre de Israel e não compreende essas coisas?” (João 3:10).

Por que de noite? João nunca diz. A cautela combina com uma frase posterior: muitos dos líderes creram em Jesus, escreve João, mas ficaram calados “para não serem expulsos da sinagoga” (João 12:42). O gosto de João por luz e trevas também combina, e atravessa o mesmo capítulo (João 3:19–21). A conversa em si, o enigma de nascer de novo e o versículo que sai dela, está em O que diz João 3:16?

Uma audiência justa

Ele reaparece na Festa dos Tabernáculos. Os guardas do Templo mandados para prender Jesus voltam sem ele, e os membros do conselho ficam furiosos: alguma das autoridades creu nele? Um deles fala.

Nicodemos (aquele que fora ter com ele de noite, sendo um deles) disse-lhes: “Acaso a nossa lei julga um homem sem primeiro ouvi-lo pessoalmente e saber o que ele faz?”

João 7:50–51

É um argumento de jurista, não uma confissão, e custa caro. “Você também é da Galileia?”, zombam os outros, lembrando que de lá não sai profeta (João 7:52). Para eles, só um provinciano levaria a sério esse galileu.

Um sepultamento digno de rei

A última aparição é a mais ousada. Na tarde da crucificação, José de Arimateia, um discípulo em segredo, pede o corpo a Pilatos, e Nicodemos vai com ele.

Nicodemos, que no princípio tinha ido a Jesus de noite, também veio trazendo uma mistura de mirra e aloés, cerca de cem libras romanas.

João 19:39

São uns 33 quilos, quantidade de rei. Os dois envolvem o corpo em panos de linho com as especiarias e o põem num túmulo novo, num jardim ali perto. Um membro do conselho cuidando, à vista de todos, do corpo de um homem que Roma acabara de executar, na véspera do sábado: João nunca diz em que Nicodemos acreditava. Mostra o que ele fez.

O que a tradição acrescentou

  • Um evangelho. O Evangelho de Nicodemos, uma reelaboração dos Atos de Pilatos feita no século IV, o põe como testemunha no julgamento diante de Pilatos e conta a descida de Cristo à mansão dos mortos.
  • Relíquias. Em 415, um sacerdote chamado Luciano contou um sonho que o levou a túmulos perto de Jerusalém, atribuídos a Estêvão, Gamaliel e Nicodemos.
  • Uma festa. Os ortodoxos o lembram no Domingo das Miróforas, o terceiro domingo da Páscoa; o Martirológio Romano o traz em 31 de agosto, junto com José de Arimateia.
  • Um rótulo. Em 1544, João Calvino atacou como “nicodemitas” os protestantes franceses que escondiam a fé atrás da prática católica, e a palavra ainda quer dizer um crente às escondidas.
  • Um rosto. Na Pietà de Florença, esculpida entre 1547 e 1555, Michelangelo deu ao velho encapuzado que segura Cristo, em geral identificado como Nicodemos, os seus próprios traços.

O Talmude também lembra um rico de Jerusalém chamado Nakdimon ben Gurion, nos anos antes de 70 d.C. (Taanit 19b–20a). Alguns estudiosos identificam os dois; a maioria duvida.

Fontes

  • João 3:1–21; 7:45–52; 12:42–43; 19:38–42
  • Evangelho de Nicodemos (Atos de Pilatos), século IV
  • João Calvino, Excuse à messieurs les Nicodémites (1544)
  • Michelangelo, Pietà de Florença (1547–1555), Museo dell’Opera del Duomo, Florença
  • Talmude Babilônico, Taanit 19b–20a

As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.