A resposta curta
A Festa dos Tabernáculos, Sucot em hebraico, é uma festa judaica de sete dias que começa no dia 15 de tishri, um mês de outono no hemisfério norte. As famílias comem, e algumas dormem, em cabanas cobertas de ramos, lembrando os anos de Israel no deserto. Em João 7, Jesus sobe a Jerusalém para essa festa.
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O que a Torá pede
Sucot é o plural de sucá, cabana: um abrigo de ramos, como os que os lavradores armavam no campo na época da colheita. A Torá marca a festa para o décimo quinto dia do sétimo mês, depois de recolhidos os produtos da eira e do lagar (Deuteronômio 16:13). É uma ação de graças, “a festa do recolhimento, no fim do ano” (Êxodo 23:16). E é uma lembrança.
Vocês habitarão em abrigos temporários por sete dias. Todos os naturais de Israel habitarão em abrigos temporários, para que as suas gerações saibam que eu fiz os filhos de Israel habitarem em abrigos temporários quando os tirei da terra do Egito.
Levítico também diz o que levar: “frutos de árvores majestosas, ramos de palmeiras, galhos de árvores frondosas e salgueiros de ribeiras” (Levítico 23:40). O nome “Tabernáculos” vem da Bíblia latina, tabernacula, cabanas. Salomão consagrou o Templo nessa festa (1 Reis 8:2), e os exilados que voltaram da Babilônia armaram cabanas nos terraços e nos átrios do Templo, “e houve uma alegria muito grande” (Neemias 8:16–17).
Água e luz no Templo
Na época de Jesus, ela era simplesmente “a festa”, a maior peregrinação do ano. A Mishná, posta por escrito por volta de 200 d.C., lembra como o Templo a celebrava. Toda manhã, um sacerdote enchia um jarro de ouro no tanque de Siloé e derramava a água no altar, um pedido pelas chuvas de inverno (Sucá 4:9). Ramos de salgueiro cercavam o altar, e o povo dava voltas em torno dele cantando o Salmo 118:25, “Salva-nos agora”, em hebraico hoshia na, o grito por trás do Hosana. À noite, no Pátio das Mulheres, jovens sacerdotes subiam escadas para encher candelabros gigantes de ouro, com pavios feitos das roupas velhas dos sacerdotes, até que nenhum pátio de Jerusalém ficasse no escuro (Sucá 5:2–3). Quem não viu aquilo, diz a Mishná, nunca viu alegria de verdade. Os ânimos também esquentavam: Josefo conta que o povo certa vez atirou cidras no rei e sumo sacerdote Alexandre Janeu, junto ao altar (Antiguidades 13.372).
Jesus na festa
João passa um capítulo inteiro em Sucot. Os irmãos de Jesus insistem que ele suba e se mostre. Ele vai depois, “não publicamente, mas em segredo”, e ensina no Templo no meio da semana (João 7:10, 14). Então, depois de sete manhãs de água derramada no altar, ele fala a língua da própria festa.
Ora, no último e grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé e clamou: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba!”
Pouco depois, junto ao tesouro, no pátio dos grandes candelabros, ele diz: “Eu sou a luz do mundo” (João 8:12). Água e luz, escolhidas de propósito. Então Jesus celebrava a Festa dos Tabernáculos? João diz que ele subiu e ensinou lá, como faria um judeu da Galileia; Jesus era judeu? segue esse fio.
Sucot hoje
A festa cai em setembro ou outubro, cinco dias depois do Yom Kipur. As famílias armam uma sucá no quintal, na varanda ou no terraço: pelo menos três paredes e um teto de ramos cortados, ralo o bastante para deixar ver as estrelas. Toda manhã, menos no sábado, seguram as quatro espécies, uma folha de palmeira amarrada com murta e salgueiro, junto a uma cidra chamada etrog, e as agitam em todas as direções. Muitos convidam sete hóspedes simbólicos, de Abraão a Davi. O sétimo dia, Hoshaná Rabá, lembra as voltas em torno do altar. Depois vêm Shemini Atzeret, o oitavo dia solene de Levítico 23:36, e Simchat Torá, quando a leitura anual da Torá termina e recomeça.
Fontes
- Levítico 23:33–43; Deuteronômio 16:13–15; Êxodo 23:16
- 1 Reis 8:2; Neemias 8:13–18; Salmos 118:25
- João 7:1–52; 8:12
- Mishná, Sucá 4:5, 4:9, 5:1–4
- Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas 13.372
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.