A resposta curta
Por causa dos ramos que a multidão cortou para receber Jesus na entrada de Jerusalém, como contam Marcos e Mateus; João diz que eram palmeiras, e o povo gritava “Hosana!” No fim do século IV, os cristãos de Jerusalém já repetiam a cena todo ano, e o domingo antes da Páscoa ficou com esse nome.
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Ramos em Marcos, palmas em João
O nome em português segue Marcos e Mateus. Os quatro Evangelhos contam a entrada em Jerusalém, mas não concordam sobre o verde. Marcos e Mateus falam de mantos e de ramos cortados das árvores (Marcos 11:8; Mateus 21:8). Lucas só tem mantos estendidos no caminho (Lucas 19:36). Só João diz que eram palmeiras, e daí vem o nome em inglês, Palm Sunday, “domingo das palmas”.
pegou ramos de palmeiras e saiu ao seu encontro, e clamava: “Hosana! Bendito é o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel!”
Eram palmeiras mesmo? As tamareiras cresciam no vale do Jordão, onde Jericó era “a cidade das palmeiras” (Deuteronômio 34:3), e também perto de Jerusalém: no tempo de Neemias, o povo ia ao monte buscar “ramos de palmeira” para fazer as tendas da festa (Neemias 8:15). A palavra grega de Marcos é mais vaga, folhagem cortada nos campos. O mais provável é que a multidão tenha agitado o verde que estava à mão, e que João tenha escolhido a palavra que trazia um sentido.
Por que a palmeira
A folha de palmeira era sinal de vitória e de esperança nacional. Quando Simão Macabeu tomou a cidadela de Jerusalém da guarnição síria, em 141 a.C., os seus homens entraram “com louvores e ramos de palmeira” (1 Macabeus 13:51). Palmas eram levadas na Festa das Tendas (Levítico 23:40) e no primeiro Hanukkah (2 Macabeus 10:7). Depois da guerra de 66 a 70 d.C., Roma cunhou moedas com uma mulher de luto sob uma palmeira e a inscrição Judaea Capta, “a Judeia capturada”. No Apocalipse, os salvos ficam diante do trono “com ramos de palmeiras em suas mãos” (Apocalipse 7:9). Uma multidão que agitava palmas gritando “Hosana”, “salva, por favor” em hebraico, estava saudando um rei.
A procissão que deu nome ao dia
Os cristãos logo passaram a repetir a cena. No início dos anos 380, uma peregrina chamada Egéria, provavelmente da Hispânia ou da Gália, descreveu a liturgia de Jerusalém para as irmãs da sua comunidade. No domingo que abre a grande semana, conta ela, o povo sobe o monte das Oliveiras à tarde, ouve o Evangelho da entrada e desce para a cidade atrás do bispo, cantando “Bendito é o que vem em nome do Senhor”. Até as crianças pequenas demais para andar vão nos ombros dos pais, com ramos de palmeira ou de oliveira (Egéria, Peregrinação 31). O costume se espalhou pelo Ocidente, e o dia ganhou o nome latino de Dominica in Palmis, o domingo das palmas.
O ramo bento
Onde não há palmeiras, as igrejas improvisam. Na Rússia e na Ucrânia o dia é o Domingo dos Salgueiros. Os italianos levam oliveira; os irlandeses chamam a data de Domingo do Teixo. Em Elche, na Espanha, as folhas de palmeira são amarradas e protegidas do sol até ficarem claras, e depois trançadas em formas caprichadas. No Brasil, o povo leva palmas e outros ramos verdes para a bênção e os guarda em casa o ano inteiro, atrás da porta ou junto ao crucifixo; no interior, há quem queime um raminho quando vem tempestade. Em muitas paróquias, os ramos do ano anterior são queimados para fazer as cinzas da Quarta-feira de Cinzas.
O que se comemora
O Domingo de Ramos lembra Jesus entrando em Jerusalém montado num jumento, uma semana antes da Páscoa, e abre a Semana Santa. A Igreja Católica o chama hoje de Domingo de Ramos da Paixão do Senhor: a celebração começa com a bênção dos ramos e a procissão e depois lê o relato inteiro da Paixão. As igrejas ortodoxas o chamam de Entrada do Senhor em Jerusalém e o celebram no dia seguinte ao Sábado de Lázaro. Os dias que vieram depois estão em o que aconteceu na Semana Santa.
Fontes
- Marcos 11:1–11; Mateus 21:1–11; Lucas 19:28–40; João 12:12–19
- Levítico 23:40; Deuteronômio 34:3; Neemias 8:15; 1 Macabeus 13:51; 2 Macabeus 10:7; Apocalipse 7:9
- Egéria, Peregrinação (Itinerarium Egeriae) 31
- Missal Romano: Domingo de Ramos da Paixão do Senhor
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.