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Quem foi Lázaro na Bíblia?

A resposta curta

Lázaro de Betânia era irmão de Marta e Maria, um amigo de Jesus de uma aldeia perto de Jerusalém. Em João 11, ele morre, fica quatro dias no túmulo e sai vivo quando Jesus o chama pelo nome. Outro Lázaro, um mendigo coberto de feridas, é o pobre da parábola do homem rico, em Lucas 16.

Revisado em

Uma família de Betânia

João apresenta Lázaro pelas irmãs: “Lázaro, de Betânia, a aldeia de Maria e de sua irmã Marta” (João 11:1). Betânia ficava “a cerca de quinze estádios” de Jerusalém, uns 3 quilômetros, do outro lado do monte das Oliveiras (11:18). Lucas também conhece as duas irmãs, Marta atarefada servindo e Maria sentada aos pés de Jesus (Lucas 10:38–42), mas nunca fala de um irmão. Lázaro é a forma grega de Eleazar, “Deus ajudou”. A aldeia guardou o nome: Betânia hoje se chama al-Eizariya, “o lugar de Lázaro”, na Cisjordânia.

Por que Jesus esperou?

Ora, Jesus amava Marta, e sua irmã, e Lázaro. Quando, pois, ouviu que ele estava doente, ficou ainda dois dias no lugar onde estava.

João 11:5–6

Esse “pois” intriga os leitores até hoje. A resposta do próprio João é que a doença é “para a glória de Deus” (11:4) e para que os discípulos creiam (11:15). Quando Jesus chega, Lázaro já está no túmulo havia quatro dias. Uma tradição rabínica dizia que a alma ficava perto do corpo por três dias, esperando voltar, e ia embora quando o rosto começava a mudar (Talmude de Jerusalém, Yevamot 16:3). Muitos comentaristas leem os quatro dias assim: ninguém podia duvidar de que ele estava morto. Marta, prática, diz isso diante do túmulo: “a esta altura já cheira mal” (11:39).

“Lázaro, vem para fora!”

As duas irmãs recebem Jesus com a mesma frase: se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Marta faz uma confissão de fé e ouve: “Eu sou a ressurreição e a vida.” Diante do túmulo, Jesus chora, no versículo mais curto de muitas Bíblias: “Jesus chorou” (11:35). Depois manda tirar a pedra e grita para dentro da gruta.

Aquele que estava morto saiu, com as mãos e os pés amarrados com faixas, e o seu rosto envolto num lenço. Jesus lhes disse: “Desatem-no e deixem-no ir.”

João 11:44

Lázaro não diz uma palavra no Evangelho. Seis dias antes da Páscoa, ele está à mesa em Betânia enquanto Marta serve (12:2), e muita gente vai até lá para vê-lo, não só a Jesus. Isso o torna perigoso: os principais sacerdotes, diz João, conspiram para matar Lázaro também (12:10–11).

Por que só João conta

Marcos, Mateus e Lucas não falam dele. Em João, a volta de Lázaro é o último e o mais impressionante dos sinais de Jesus, e o fato que leva o conselho a planejar a sua morte; nos outros três, esse papel cabe ao protesto no Templo. Os estudiosos explicam o silêncio de jeitos diferentes. Alguns acham que João montou a cena a partir de tradições mais antigas sobre Betânia. O historiador Richard Bauckham sugere que os primeiros Evangelhos se calaram sobre Lázaro para proteger um homem que ainda estava vivo e ainda era um alvo. As igrejas ortodoxas lembram o milagre no Sábado de Lázaro, véspera do Domingo de Ramos.

O outro Lázaro

Numa parábola de Lucas, um homem rico vestido de púrpura faz banquetes todos os dias, enquanto um mendigo fica largado ao seu portão.

Um certo mendigo chamado Lázaro era colocado junto ao seu portão, cheio de feridas,

Lucas 16:20

É o único personagem inventado das parábolas de Jesus que recebe um nome. Por causa das feridas, a Europa medieval fez dele o padroeiro dos leprosos, e o português guardou a marca: “lázaro” virou sinônimo de leproso, lazareto era o lugar da quarentena, e “lazarento”, o coberto de feridas, ainda é xingamento no Brasil. Lázaro de Betânia emprestou o nome a outras coisas, como a síndrome de Lázaro, quando o coração volta a bater sozinho depois de encerrada a reanimação. A lenda também lhe deu uma segunda vida: a tradição ortodoxa o faz bispo de Kition, a atual Larnaca, em Chipre, onde uma igreja erguida por volta de 900 fica sobre o seu túmulo.

Fontes

  • João 11:1–54; 12:1–11; Lucas 10:38–42; 16:19–31
  • Talmude de Jerusalém, Yevamot 16:3
  • Richard Bauckham, Jesus and the Eyewitnesses (2006)

As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.