A resposta curta
É uma história que Jesus conta em Lucas 15 sobre um filho mais novo que pede a herança, a desperdiça longe de casa e volta esperando ser só um empregado. O pai corre ao seu encontro e dá uma festa. O irmão mais velho se recusa a entrar. A parábola responde a quem criticava Jesus por receber pecadores.
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Por que Jesus a contou
O cenário importa. Cobradores de impostos e pecadores se aproximam para ouvir Jesus, e alguns fariseus e escribas murmuram: “Este homem recebe pecadores e come com eles” (Lucas 15:2). Naquele mundo, dividir a mesa era dividir a vida. Então Jesus responde com três histórias sobre coisas perdidas, cada uma um pouco mais preciosa que a anterior: uma ovelha, uma em cem; uma moeda, uma em dez; e um filho, um em dois.
A história
“Certo homem tinha dois filhos.” O mais novo pede a sua parte dos bens, já. Estudiosos da vida nas aldeias lembram que pedir a herança antes da hora era quase desejar a morte do pai. Pela lei de Deuteronômio 21:17, o primogênito recebia porção dobrada, então a parte do mais novo seria um terço. O pai divide os bens mesmo assim.
O filho viaja para um país distante e lá “desperdiçou os seus bens vivendo de forma desregrada”. É isso que pródigo quer dizer: esbanjador, e não “o que volta”. Então vem a fome. Ele acaba cuidando de porcos, animais que nenhum judeu criaria, e desejando a comida deles. Então, diz Lucas, ele “caiu em si”. Ensaia um discurso: pequei, já não sou digno de ser chamado teu filho, trata-me como um dos teus empregados.
Ele se levantou e foi para seu pai. Mas, estando ele ainda longe, seu pai o viu e, movido de compaixão, correu, lançou-se ao seu pescoço e o beijou.
Um homem velho e respeitável não corria; teria de levantar a túnica e mostrar as pernas. Este corre. Ele interrompe o discurso: a melhor veste, um anel, sandálias e o bezerro gordo. “Pois este meu filho estava morto e voltou à vida. Ele estava perdido e foi achado.”
O outro irmão
A parábola costuma ser chamada de filho pródigo, mas tem dois filhos, e termina com o segundo. O irmão mais velho ouve a música e se recusa a entrar. Ele trabalhou anos e nunca ganhou nem um cabrito para festejar com os amigos. O pai sai ao encontro dele também, e implora.
Filho, você está sempre comigo, e tudo o que é meu é seu. Mas era apropriado celebrar e alegrar-se, pois este seu irmão estava morto, e voltou à vida. Ele estava perdido, e foi achado.
E a história para aí. O irmão mais velho entra? Jesus não diz. Os que murmuraram no começo da conversa ficam com a tarefa de terminá-la.
O que ela significa
Lida no seu contexto, a parábola fala de acolhida. O pai representa Deus, que corre ao encontro de quem volta, e o irmão mais velho representa as pessoas respeitáveis que se ressentem da festa. Por isso muitos leitores dizem que ela poderia se chamar a parábola do pai que corre. Rembrandt pintou a volta no fim da vida, com as duas mãos do pai nas costas do filho, uma larga e outra delicada. E o português guardou a expressão: “filho pródigo” é quem volta para casa depois de muito tempo fora.
Fontes
- Lucas 15:1–32
- Deuteronômio 21:17
- Rembrandt, O Retorno do Filho Pródigo (c. 1668), Museu Hermitage
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.