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Quem foi o rei Saul?

A resposta curta

Saul foi o primeiro rei de Israel, um benjamita de Gibeá ungido pelo profeta Samuel no fim do século XI a.C. Mais alto que todos em Israel, venceu os amonitas e lutou contra os filisteus, perdeu o favor de Deus ao desobedecer a Samuel, teve inveja de Davi e morreu em batalha no monte Gilboa, com três filhos.

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O rei que ninguém esperava

Antes de Saul, Israel não tinha rei. Em cada crise surgia um juiz, e Samuel, já velho, liderava o povo. Até que os anciãos foram até ele: “Agora, constitua-nos um rei para nos julgar, como têm todas as nações” (1 Samuel 8:5). Samuel avisou que o rei tomaria os filhos deles para os seus carros de guerra e as filhas para cozinhar. Eles insistiram. E o escolhido de Deus estava procurando as jumentas perdidas do pai.

Ele tinha um filho cujo nome era Saul, um jovem impressionante; e não havia entre os filhos de Israel alguém mais belo do que ele. Dos ombros para cima, ele era mais alto do que qualquer pessoa do povo.

1 Samuel 9:2

Era de Benjamim, a menor das tribos de Israel, como ele mesmo disse (9:21). Samuel o ungiu em particular, com um frasco de óleo (10:1). Quando tiraram a sorte diante do povo em Mispá e ela caiu sobre Saul, ninguém o encontrava. Ele tinha se escondido no meio da bagagem (10:21–22).

Um rei guerreiro

O primeiro teste veio do outro lado do Jordão. Naás, o amonita, cercou Jabes-Gileade e propôs um acordo: arrancar o olho direito de cada homem da cidade (11:2). Saul cortou uma junta de bois em pedaços, mandou os pedaços por todo Israel como convocação e atacou o acampamento amonita de madrugada (11:7–11). Pelo resto da vida, lutou contra os filisteus, com o filho Jônatas como o comandante mais ousado. A base dele era “Gibeá de Saul” (11:4), que costuma ser identificada com Tell el-Ful, logo ao norte de Jerusalém.

Quanto tempo ele reinou é um enigma. O hebraico de 1 Samuel 13:1 chegou danificado: ao pé da letra, Saul tem um ano de idade ao começar a reinar e reina dois anos. A Bíblia Portuguesa Mundial preenche as lacunas com trinta e quarenta e dois; Atos 13:21 fala em quarenta anos.

Onde tudo desandou

Em Gilgal, com os filisteus se juntando e o exército se dispersando, Saul esperou sete dias por Samuel e depois ofereceu ele mesmo o sacrifício. Samuel chegou quando ele terminava e anunciou que o seu reino não ia durar (13:8–14). Mais tarde, com ordem de destruir os amalequitas, Saul poupou o rei Agague e o melhor do gado (15:9). A sentença de Samuel virou provérbio:

a obediência é melhor do que o sacrifício, e a submissão é melhor do que a gordura de carneiros.

1 Samuel 15:22

Dali em diante, o Espírito do Senhor se retirou de Saul, um espírito maligno passou a atormentá-lo (16:14), e o harpista chamado para acalmá-lo foi Davi. A inveja de Saul virou caçada: lanças atiradas, oitenta e cinco sacerdotes de Nobe mortos por ajudarem Davi (22:18), anos de perseguição e as duas vezes em que Davi o poupou.

En-Dor e Gilboa

Às vésperas da última batalha, Samuel já tinha morrido e Deus não respondia a Saul. Ele mesmo tinha expulsado os médiuns da terra (28:3), mas foi disfarçado até uma mulher de En-Dor e pediu que ela chamasse Samuel. A figura que ela viu lhe disse: “Amanhã você e seus filhos estarão comigo” (28:19).

No monte Gilboa, sobre o vale de Jezreel, os filisteus derrotaram Israel. Jônatas e dois irmãos morreram. Ferido pelos arqueiros, Saul pediu ao escudeiro que o matasse e, diante da recusa, lançou-se sobre a própria espada (31:3–6). Os filisteus penduraram o corpo no muro de Bete-Seã. Os homens de Jabes-Gileade, a cidade que ele tinha salvado, caminharam a noite inteira, resgataram os corpos e sepultaram os ossos debaixo de uma tamargueira (31:11–13). Mais tarde Davi os levou para o túmulo de Quis, pai de Saul (2 Samuel 21:12–14).

No lamento de Davi, Saul e Jônatas são “mais velozes que as águias” e “mais fortes que os leões” (2 Samuel 1:23). Mil anos depois, outro benjamita chamado Saulo ficaria conhecido como Paulo (por que ele mudou de nome). E Händel dedicou ao rei o oratório Saul (1739), cuja marcha fúnebre ainda toca em funerais.

Fontes

  • 1 Samuel 8–15; 16:14–23; 28:3–25; 31:1–13
  • 2 Samuel 1:17–27; 21:12–14
  • Atos 13:21; Filipenses 3:5
  • Georg Friedrich Händel, Saul (1739)

As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.