A resposta curta
Mateus os chama de magos: sacerdotes e observadores das estrelas vindos do oriente, provavelmente da Babilônia ou da Pérsia, os atuais Iraque e Irã. Ele não diz quantos eram, não os chama de reis e não dá nomes. O número três vem dos três presentes; Gaspar, Melquior e Baltasar vieram séculos depois.
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O que Mateus diz
Só um Evangelho conta essa história. Lucas tem os pastores; Mateus tem os magos. Estrangeiros chegam a Jerusalém com uma pergunta perigosa para a cidade do rei Herodes.
“Onde está aquele que nasceu Rei dos judeus? Pois vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo.”
Herodes fica perturbado, e toda Jerusalém com ele. Os seus estudiosos apontam Belém, a cidade de Davi, a apenas 9 quilômetros ao sul. Os magos seguem a estrela até lá, e Mateus conta a cena em um versículo.
Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram. Abrindo os seus tesouros, ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra.
Repare nas palavras. Uma casa, não um estábulo. Um menino, não um recém-nascido. Herodes depois mandará matar os meninos de Belém “de dois anos para baixo” (Mateus 2:16), o que sugere que a visita aconteceu algum tempo depois do nascimento.
Quem eram os magos
O historiador grego Heródoto conhecia os magos como uma tribo sacerdotal dos medos que interpretava sonhos. Na época de Jesus, a palavra designava sacerdotes e observadores das estrelas da Pérsia e da Babilônia. A palavra “mágica” vem do nome deles. “O oriente” provavelmente é o império parta, o grande rival de Roma, que dominava a Babilônia e a Pérsia. Os astrônomos da Babilônia ainda escreviam suas tabelas de estrelas em cuneiforme. De lá até Jerusalém são mais de 1.300 quilômetros pela estrada do Eufrates, semanas de viagem.
Como viraram três reis com nome
- Três. Mateus não dá número. Três presentes levaram os leitores a imaginar três visitantes, e o escritor cristão Orígenes os contou assim no século III. Algumas tradições do Oriente falavam em doze.
- Reis. Por volta do ano 200, Tertuliano os chamou de quase reis, lendo-os ao lado do Salmo 72, em que reis trazem presentes a um rei.
- Nomes. Um mosaico de Ravena, de cerca de 560, os chama de Baltasar, Melquior e Gaspar, ainda com gorros e calças persas. As coroas vieram ainda mais tarde.
Os presentes
Leitores posteriores deram um sentido a cada presente: ouro para um rei, incenso para a adoração e mirra, um perfume usado em sepultamentos, para uma morte que viria. Mateus não explica. Depois os magos, avisados em sonho para não voltar a Herodes, regressam por outro caminho e somem da história. No Brasil, o Dia de Reis, em 6 de janeiro, fecha o ciclo do Natal, com folias de reis em muitas cidades.
Fontes
- Mateus 2:1–16
- Salmos 72:10–11; Miqueias 5:2
- Heródoto, Histórias 1.101
- Orígenes, Homilias sobre o Gênesis 14.3
- Mosaico dos magos, Sant’Apollinare Nuovo, Ravena (c. 560)
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.