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César e Cleópatra tiveram um filho?

A resposta curta

Sim, um menino, segundo a maioria dos historiadores. Em 47 a.C. Cleópatra teve Ptolomeu César, apelidado pelos alexandrinos de Cesarião, “o pequeno César”. César deixou que ele usasse seu nome, mas nunca o fez herdeiro. Reinou no Egito com a mãe desde 44 a.C. e, depois da morte dela, em 30 a.C., Otaviano mandou matá-lo, aos dezessete anos.

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Um filho para os Ptolomeus

César chegou a Alexandria em 48 a.C. no encalço de Pompeu, ficou para resolver a briga da família real egípcia e venceu a guerra que veio em seguida, com Cleópatra do seu lado. Em 47 a.C. passou um tempo com ela pelo Nilo antes de partir para uma guerra no Ponto. Naquele verão nasceu um menino. Uma inscrição egípcia do Serapeu de Mênfis parece registrar a data: 23 de junho de 47 a.C. Ela o chamou de Ptolomeu César, juntando o nome da dinastia ao do pai. Os alexandrinos, conta Plutarco, o apelidaram de Cesarião, o pequeno César. Foi o único filho dela com César. Mais tarde ela teve outros três com Marco Antônio.

César assumiu o menino?

Roma discutiu isso por anos. Suetônio reúne as pistas. Alguns escritores gregos diziam que o menino era a cara de César e até andava como ele. César permitiu que Cleópatra desse o seu nome à criança. Marco Antônio afirmou ao Senado que César tinha reconhecido o filho, e que os amigos dele sabiam disso. Mas um desses amigos, Caio Ópio, escreveu um panfleto inteiro para provar que a criança não era de César. A essa altura a pergunta já tinha virado arma na briga entre Antônio e Otaviano, o herdeiro adotivo de César, que não queria nenhum filho rival.

O próprio César nunca menciona o menino no que escreveu, e o testamento não lhe deixou nada. Pela lei romana, nem poderia ser diferente: Cleópatra não era cidadã romana e os dois não eram casados, então um filho deles não podia ser herdeiro legal de César. Quando César foi assassinado, em 44 a.C., Cleópatra estava em Roma, hospedada nos jardins de César do outro lado do Tibre. Cícero, que não gostava dela, escreveu a um amigo que a partida da rainha não o incomodava nem um pouco.

Rei dos reis

De volta ao Egito, o irmão mais novo e corregente de Cleópatra, Ptolomeu XIV, morreu naquele mesmo ano; o historiador Flávio Josefo diz que ela o envenenou. Ela fez do filho, com uns três anos, seu parceiro no trono, como Ptolomeu XV. Na parede dos fundos do templo de Hátor, em Dendera, mãe e filho aparecem com os trajes antigos dos faraós, levando presentes aos deuses.

Em 34 a.C., numa cerimônia em Alexandria conhecida como as Doações, Antônio proclamou Cleópatra rainha dos reis e Cesarião rei dos reis, e declarou que ele era o verdadeiro filho de César. O recado era direto para Otaviano, cujo poder vinha justamente de ser filho de César por adoção. Dois anos depois Otaviano declarou guerra a Cleópatra e, em 31 a.C., derrotou os dois em Ácio.

César demais

Em 30 a.C., com Otaviano se aproximando de Alexandria, Cleópatra inscreveu Cesarião, então com uns dezesseis anos, entre os jovens da cidade, sinal de que ele tinha chegado à idade adulta. Depois o mandou para o sul com muito dinheiro, pela Etiópia, rumo à Índia. Mortos Antônio e Cleópatra, o tutor Ródon o convenceu a voltar, dizendo que Otaviano o deixaria reinar no Egito. Um conselheiro de Otaviano, o filósofo Ário Dídimo, teria dado o veredito brincando com um verso de Homero: César demais não é coisa boa. Cesarião foi morto em agosto de 30 a.C. Com ele acabou a dinastia dos Ptolomeus, que governou o Egito por quase três séculos, e o Egito virou província romana.

Fontes

  • Plutarco, Vida de César 49 (o nome Cesarião)
  • Suetônio, Vida de Júlio César 52 e Vida de Augusto 17
  • Plutarco, Vida de Antônio 54, 71 e 81–82
  • Cássio Dio, História Romana 49.41 e 51.15; Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas 15.89
  • Cícero, Cartas a Ático 14.8 e 15.15
  • Relevo de Cleópatra e Cesarião, templo de Hátor, Dendera