A resposta curta
Arriscando a vida e escolhendo a hora. Ester foi ao rei Assuero sem ser chamada, ofereceu dois banquetes a ele e a Hamã, depois revelou que era judia e apontou Hamã como quem tinha vendido o seu povo à morte. Hamã foi enforcado e, como o decreto não podia ser revogado, um segundo decreto deixou os judeus se defenderem.
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O problema
O decreto de Hamã está selado com o anel do próprio rei: no dia 13 de adar, os judeus de todas as províncias podem ser mortos e ter os bens saqueados. A única judia perto do trono é a rainha Ester, e ninguém na corte sabe que ela é judia. Depois de três dias de jejum, ela vai ao rei mesmo assim, sem ser chamada, embora a lei diga que isso é morte. O apelo de Mardoqueu que a levou até lá está em “para um momento como este”. Aqui está o que ela fez com ele.
O plano, passo a passo
- O pátio interno. No terceiro dia ela veste os trajes reais e fica onde o rei pode vê-la. Ele estende o cetro de ouro, e ela toca a ponta (Ester 5:1–2).
- Um pedido pequeno. Diante da oferta de até metade do reino, ela pede só que o rei e Hamã venham a um banquete que preparou (5:3–4).
- Um segundo convite. No vinho, o rei pergunta de novo. Ela convida os dois para voltar no dia seguinte (5:6–8).
- A acusação. No segundo banquete ela finalmente fala, e diz o nome de Hamã (7:1–6).
- O segundo decreto. Com Hamã morto, ela se lança aos pés do rei, chorando, e implora que ele anule as cartas de Hamã (8:3–6).
Por que dois banquetes?
O texto não explica a demora, e os leitores palpitam há séculos. O Talmude reúne mais de dez respostas de rabinos (Meguilá 15b): deixar Hamã confiante demais, despertar o ciúme do rei por um homem que a rainha não parava de convidar, ou manter os judeus de Susã orando em vez de confiarem numa irmã dentro do palácio. Seja qual for o motivo, a espera é a dobradiça da história. No fim daquele dia, Hamã manda erguer uma forca de cinquenta côvados para Mardoqueu. Naquela mesma noite, o rei não consegue dormir.
Ele manda ler as crônicas reais e descobre que Mardoqueu um dia salvou a sua vida de dois porteiros conspiradores e nunca foi recompensado (Ester 6:1–3). De manhã, Hamã, que chega para pedir a morte de Mardoqueu, recebe ordem de conduzi-lo pela praça da cidade, montado no cavalo do rei. A mulher dele, Zeres, vê o fim chegando: “certamente cairá diante dele” (6:13).
O nome do inimigo
No segundo banquete, Ester escolhe as palavras com cuidado. Pede primeiro a própria vida e só depois revela o seu povo.
que a minha vida me seja concedida como minha petição, e o meu povo como o meu pedido. Pois fomos vendidos, eu e o meu povo, para sermos destruídos, mortos e aniquilados.
“Vendidos” não é por acaso: Hamã tinha oferecido ao tesouro dez mil talentos de prata pela destruição deles. Ela ainda acrescenta que, se tivessem sido vendidos só como escravos, teria ficado calada. O rei quer saber quem ousou, e ela aponta para o outro lado da mesa: “este perverso Hamã!” O rei sai furioso para o jardim. Hamã se joga no divã da rainha para implorar pela vida, bem na hora em que o rei volta, e o eunuco Harbona lembra da forca. Hamã é enforcado nela (7:6–10). Ester recebe a casa dele, e Mardoqueu, o anel do rei.
Uma lei que ninguém desfaz
Hamã se foi, mas o decreto dele continua de pé. A lei persa, explica o rei, não volta atrás.
o documento que é escrito em nome do rei, e selado com o anel do rei, não pode ser revogado por homem algum.
Então Mardoqueu escreve um segundo decreto no dia 23 de sivã, selado com o mesmo anel: os judeus de cada cidade podem se reunir e defender a vida no dia 13 de adar (8:9–11). Quando o dia chega, os judeus se defendem. O livro fala de muitas mortes entre os inimigos, números que incomodam muitos leitores de hoje, e diz três vezes que os judeus não tocaram nos despojos (9:10, 15, 16), embora o decreto permitisse. O livramento virou a festa do Purim.
Fontes
- Ester 4:16–9:16
- Talmude Babilônico, Meguilá 15b
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.