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Como Getúlio Vargas morreu?

A resposta curta

Getúlio Vargas tirou a própria vida na manhã de 24 de agosto de 1954, no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, aos 72 anos. Estava encurralado pela crise aberta pelo atentado da rua Tonelero e soubera, horas antes, que os generais exigiam que ele deixasse o cargo de vez. Foi enterrado em São Borja, onde nasceu.

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Um inimigo com jornal

A crise começou antes do crime. Em 1º de junho de 1950, o jornalista Carlos Lacerda escreveu na Tribuna da Imprensa que Getúlio não devia ser candidato; se candidato, não devia ser eleito; se eleito, não devia tomar posse; e, se tomasse posse, era preciso recorrer à revolução para impedi-lo de governar. Getúlio se elegeu, tomou posse e passou os anos seguintes sob os ataques do jornal de Lacerda.

A madrugada da rua Tonelero

Na madrugada de 5 de agosto de 1954, Lacerda chegava em casa, na rua Tonelero, em Copacabana, com o filho de 15 anos e o major da Aeronáutica Rubens Vaz, que fazia a escolta dele. Um pistoleiro saiu das sombras e atirou. Lacerda foi ferido no pé. O major Vaz morreu.

A Aeronáutica tomou a investigação para si, numa base que a imprensa apelidou de República do Galeão. A pista levou ao Catete: o mandante, concluiu o inquérito, era Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal do presidente. Nenhuma prova ligou Getúlio ao crime. Mas o mandante estava dentro do palácio, e isso bastou. A oposição passou a falar num “mar de lama”, e os militares começaram a exigir a renúncia.

As últimas horas

Em 22 de agosto, generais do Exército pediram publicamente que o presidente renunciasse. Na madrugada do dia 24, o ministério se reuniu no Catete e propôs uma saída: uma licença. Getúlio aceitou, com condições. Horas depois, chegou o recado de que os generais queriam o afastamento definitivo.

Na manhã de 24 de agosto de 1954, Getúlio tirou a própria vida no Palácio do Catete. Tinha 72 anos. Deixou uma carta datilografada e assinada e um bilhete escrito à mão.

Por que ele fez isso? Ninguém pode responder pelo que se passa dentro de uma pessoa numa hora dessas. O que os documentos mostram é o cerco daquelas três semanas. A carta que ele deixou é, antes de tudo, um texto político, e o que ela diz está em Quem disse ‘Saio da vida para entrar na história’?

O país parou

A notícia correu pelo rádio, e o país parou. No Rio, multidões atacaram a redação da Tribuna da Imprensa e caminhões de jornais da oposição, e Lacerda precisou se esconder. Dezenas de milhares de pessoas passaram diante do caixão, no Catete. O golpe que parecia pronto não saiu. Para vários historiadores, foi só adiado: viria dez anos depois, como conta O que foi o golpe de 1964?

Em 26 de agosto, Getúlio foi enterrado em São Borja, a cidade gaúcha onde tinha nascido, diante de uma multidão. Para uns, ali estava o pai dos pobres; para outros, o ditador do Estado Novo. À beira do túmulo, o ex-ministro do Trabalho João Goulart, um gaúcho de 35 anos, desdobrou a carta e a leu em voz alta. A vida inteira de Getúlio está em Quem foi Getúlio Vargas?

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Fontes

  • Getúlio Vargas, carta-testamento, Rio de Janeiro, 24 de agosto de 1954 (Arquivo Getúlio Vargas, CPDOC/FGV)
  • Carlos Lacerda, Tribuna da Imprensa, 1º de junho de 1950
  • CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro, verbete sobre Getúlio Vargas
  • Lira Neto, Getúlio, volume 3, 1945–1954 (2014)