A resposta curta
Getúlio Vargas (1882–1954) foi o gaúcho de São Borja que governou o Brasil por mais tempo na República: 18 anos. Ficou no poder de 1930 a 1945, os últimos oito como ditador do Estado Novo, e voltou eleito de 1951 a 1954. Criou o salário mínimo e a CLT, censurou e prendeu opositores e morreu no cargo.
Revisado em
Um gaúcho da fronteira
Getúlio Dornelles Vargas nasceu em 1882 em São Borja, cidade do Rio Grande do Sul na fronteira com a Argentina. Formou-se em direito em Porto Alegre, foi deputado estadual e federal, ministro da Fazenda do presidente Washington Luís e, em 1928, governador do Rio Grande do Sul. Guarde esse detalhe: dois anos depois, ele derrubaria o presidente a quem tinha servido.
Foi eleito? Depende da vez
Getúlio chegou ao poder, ou ficou nele, de quatro maneiras diferentes:
- 1930, pela revolução. Perdeu a eleição de 1º de março para Júlio Prestes e, meses depois, liderou a revolta que derrubou Washington Luís. Assumiu o Governo Provisório em 3 de novembro. A história está em O que foi a Revolução de 1930?
- 1934, pela Assembleia. Um dia depois de promulgar a nova Constituição, a Constituinte o elegeu presidente de forma indireta, com mandato até 1938 e sem direito à reeleição.
- 1937, pelo golpe. Semanas antes da eleição que escolheria o sucessor, fechou o Congresso e fundou o Estado Novo.
- 1950, pelo voto direto. Cinco anos depois de deposto, venceu com 48,7% dos votos, contra Eduardo Gomes, da UDN, e Cristiano Machado, do PSD. Tomou posse em 31 de janeiro de 1951.
Somando os dois períodos, são quase 15 anos seguidos e mais três anos e meio: ninguém governou o país por tanto tempo desde a Proclamação da República.
Quinze anos, três jeitos de mandar
De 1930 a 1945, Getúlio governou primeiro por decreto, depois com a Constituição de 1934 e um Congresso eleito e, por fim, sem Congresso nenhum, no Estado Novo. Nesse tempo, enfrentou o levante armado de São Paulo, em 1932, assinou o Código Eleitoral que levou o voto às mulheres de todo o país e criou o salário mínimo (1940) e a CLT (1943). O mesmo governo censurou jornais e rádios, prendeu opositores sem processo e mandou pracinhas lutar contra o nazismo na Itália.
Para uns, ele foi o “pai dos pobres”; para outros, um ditador. Os historiadores dizem que foi as duas coisas ao mesmo tempo, e as provas de cada lado estão em Getúlio Vargas foi pai dos pobres ou ditador?
Deposto em 1945, eleito em 1950
Em 29 de outubro de 1945, os generais cercaram o palácio e o tiraram do poder. Getúlio voltou para São Borja. Em dezembro, sem fazer campanha, foi eleito senador por dois estados e deputado por vários outros. Na volta pelo voto, o carnaval cantou “Bota o retrato do velho outra vez”. O segundo governo criou a Petrobras, em 1953, e terminou em agosto de 1954: encurralado pela crise que se seguiu ao atentado contra o jornalista Carlos Lacerda, Getúlio tirou a própria vida no Palácio do Catete, aos 72 anos. Esse mês está contado em Como Getúlio Vargas morreu?
O que ele deixou escrito
Getúlio manteve um diário de 1930 a 1942. A família o guardou, e o CPDOC, o centro de documentação da Fundação Getulio Vargas, o publicou em 1995. Ele também foi eleito para a Academia Brasileira de Letras e tomou posse em 1943, em plena ditadura. E deixou a carta-testamento, que termina com a frase que o país guardou: “Saio da vida para entrar na História”. De onde ela vem está em Quem disse ‘Saio da vida para entrar na história’?
Fontes
- Getúlio Vargas, Diário, 1930–1942 (CPDOC/FGV, 1995)
- Constituição de 16 de julho de 1934; Constituição de 10 de novembro de 1937
- Tribunal Superior Eleitoral, eleição presidencial de 3 de outubro de 1950
- CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro, verbete sobre Getúlio Vargas
- Lira Neto, Getúlio (três volumes, 2012–2014)