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Como João Batista morreu?

A resposta curta

Foi decapitado na prisão por ordem de Herodes Antipas, governante da Galileia. Marcos conta que Herodias, cujo casamento com Antipas João tinha condenado, fez a filha pedir a cabeça dele num prato, no banquete de aniversário do rei. O historiador Flávio Josefo acrescenta o lugar, a fortaleza de Maqueronte, e um motivo político: o medo de uma revolta.

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O casamento que João condenou

Herodes Antipas, filho de Herodes, o Grande, governava a Galileia e a Pereia para Roma. Segundo Flávio Josefo, numa viagem ele se apaixonou por Herodias, mulher de um de seus meios-irmãos e sobrinha dele mesmo, neta de Herodes, o Grande. Os dois combinaram casar, e Antipas mandaria embora a primeira esposa, filha de Aretas IV, rei dos nabateus de Petra. Ela descobriu o plano e fugiu para a casa do pai (Antiguidades Judaicas 18.109–115).

A lei de Moisés proibia tomar a mulher do irmão (Levítico 18:16), e o primeiro marido de Herodias estava vivo. João disse isso em público.

Pois João dizia a Herodes: “Não lhe é lícito ter a mulher do seu irmão.” Herodias guardava-lhe rancor e queria matá-lo, mas não podia

Marcos 6:18–19

Antipas mandou prendê-lo. Marcos mostra um governante dividido: temia João, “sabendo que era um homem justo e santo”, e gostava de ouvi-lo (Marcos 6:20). Mateus é mais direto. Antipas queria matá-lo, mas temia a multidão, que o tinha por profeta (Mateus 14:5).

Um banquete de aniversário

Marcos conta o desfecho como um drama de palácio. No jantar de aniversário de Antipas para os oficiais e os homens importantes da Galileia, a filha de Herodias dança, e o rei, encantado, jura lhe dar qualquer coisa, “até a metade do meu reino” (Marcos 6:23), a mesma promessa que o rei persa fez à rainha Ester (Ester 5:3). Ela pergunta à mãe o que pedir, e volta depressa.

Quero que me dê agora mesmo a cabeça de João Batista num prato.

Marcos 6:25

O rei fica triste, diz Marcos, mas jurou diante dos convidados. Um guarda decapita João na prisão e traz a cabeça num prato; a moça a entrega à mãe. Os discípulos de João levam o corpo e o colocam num túmulo (Marcos 6:26–29). Na Bíblia Portuguesa Mundial, Marcos diz “num prato” e Mateus, “numa bandeja” (Mateus 14:8). Mais tarde, ao ouvir falar de Jesus, Antipas se assusta: “Este é João, a quem eu mandei decapitar” (Marcos 6:16).

A versão de Josefo

Josefo, por volta de 93 d.C., conta tudo sem dança. Antipas, diz ele, temia que a influência de João sobre o povo levasse a uma revolta e achou melhor agir antes. João foi mandado acorrentado para Maqueronte e morto ali. Alguns anos depois, por volta de 36 d.C., Aretas vingou a filha e destruiu o exército de Antipas, e alguns judeus, diz Josefo, viram a derrota como castigo de Deus pelo que Antipas tinha feito com João (Antiguidades Judaicas 18.116–119).

Os historiadores costumam ler os dois relatos juntos: uma execução política, com uma mágoa de palácio por trás. Josefo nunca liga Herodias à morte de João, e Marcos nunca fala de política.

Maqueronte, Salomé e os sete véus

Maqueronte era uma fortaleza-palácio no alto de um morro na Pereia, a leste do mar Morto, na atual Jordânia. Um rei hasmoneu a construiu, Herodes, o Grande, a reconstruiu, e tropas romanas a tomaram por volta de 72 d.C., depois da queda de Jerusalém (Guerra Judaica 7.163–209). As ruínas ficam acima da aldeia de Mukawir.

Os Evangelhos não dão nome à dançarina; ela é “a filha de Herodias”. Josefo a chama de Salomé e diz que ela se casou com Filipe, o tetrarca (Antiguidades Judaicas 18.136). A dança dos sete véus é de Oscar Wilde, da peça Salomé, de 1891, que Richard Strauss transformou em ópera em 1905. Quanto a Antipas, o imperador Calígula o exilou na Gália em 39 d.C., e Herodias escolheu ir com ele (Antiguidades Judaicas 18.240–255). A Igreja lembra a morte de João em 29 de agosto.

Fontes

  • Marcos 6:14–29
  • Mateus 14:1–12; Lucas 3:19–20; 9:7–9
  • Levítico 18:16; Ester 5:3
  • Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas 18.109–119, 136, 240–255
  • Flávio Josefo, Guerra Judaica 7.163–209

As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.