A resposta curta
João Batista foi um profeta judeu que pregou no deserto, junto ao rio Jordão, por volta do ano 28 d.C., chamando Israel ao arrependimento e mergulhando as pessoas no rio como sinal disso. Filho do sacerdote Zacarias, vestia-se como Elias, comia gafanhotos e mel silvestre, batizou Jesus e foi executado por Herodes Antipas.
Revisado em
O filho de um sacerdote
Lucas abre o Evangelho com os pais de João. Zacarias é sacerdote no Templo, a mulher dele, Isabel, é idosa e não tem filhos, e um anjo promete um menino: “você o chamará pelo nome de João” (Lucas 1:13). Isabel é parenta de Maria (Lucas 1:36), e por isso, no relato de Lucas, João e Jesus são da mesma família, nascidos com seis meses de diferença. Lucas resume a juventude dele numa linha: o menino “esteve no deserto até o dia da sua manifestação pública a Israel” (Lucas 1:80).
Pelos de camelo, gafanhotos e mel
João vestia-se de pelos de camelo e usava um cinto de couro em volta da cintura. Ele comia gafanhotos e mel silvestre.
Cada detalhe é um recado. O profeta Elias era lembrado como um homem peludo, com “um cinto de couro na cintura” (2 Reis 1:8), e as últimas linhas dos profetas prometem que Deus mandará Elias de volta antes do grande dia do Senhor (Malaquias 4:5). Gafanhotos estão entre os poucos insetos que a lei de Moisés permite comer (Levítico 11:22), e beduínos ainda os comem. O mel vinha de abelhas silvestres nas rochas. Cristãos de séculos depois, incomodados com os insetos, preferiram imaginar vagens de alfarroba, que em inglês e alemão ganharam o apelido de pão de São João.
O que ele pregava
João pregava “o batismo de arrependimento para perdão de pecados” (Marcos 1:4). Os judeus já se lavavam em banhos rituais para ficar puros; o mergulho de João no Jordão era feito uma vez só, pelas mãos dele, como sinal de volta a Deus antes do julgamento que ele via chegar. A palavra grega baptizō quer dizer mergulhar. Com as multidões, ele não era gentil: “Raça de víboras, quem os avisou para fugir da ira que está por vir?” (Lucas 3:7). Mas os conselhos práticos eram simples.
Quem tem duas túnicas, reparta com quem não tem nenhuma. Quem tem comida, faça o mesmo.
Aos cobradores de impostos, mandou não cobrar além do combinado; aos soldados, não extorquir ninguém (Lucas 3:12–14). E apontava para além de si mesmo: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (João 3:30). Batizou Jesus e acabou preso por condenar o casamento de Herodes Antipas. O fim dele está em Como João Batista morreu?
Fora da Bíblia
João é uma das poucas figuras dos Evangelhos descritas por um autor de fora. O historiador judeu Flávio Josefo, por volta de 93 d.C., o chama de homem bom, que exortava os judeus à justiça e ao batismo, e diz que Herodes Antipas temia a influência dele sobre o povo (Antiguidades Judaicas 18.116–119). No Alcorão, ele é o profeta Yahya, filho de Zakariya, e os mandeus do Iraque e do Irã ainda o veneram como grande mestre.
O São João das festas juninas
No Brasil, ele é o santo das festas juninas. A Igreja celebra o seu nascimento em 24 de junho, seis meses antes do Natal, porque Lucas diz que Isabel estava no sexto mês quando o anjo visitou Maria. A fogueira vem de uma lenda popular: Isabel teria acendido uma no alto de um monte para avisar Maria que o menino tinha nascido. Em Campina Grande e em Caruaru, a festa de São João dura o mês inteiro.
Fontes
- Lucas 1:5–80; 3:1–22
- Marcos 1:1–11
- Mateus 3:1–17; 11:7–15
- João 1:19–34; 3:22–30
- Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas 18.116–119
- Alcorão 19:7–15
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.