A resposta curta
Em onze cavernas nas encostas ao redor de Qumran, perto da margem noroeste do mar Morto, na atual Cisjordânia. Pastores beduínos acharam os sete primeiros rolos numa caverna em 1947; beduínos e arqueólogos encontraram o resto até 1956. São restos de cerca de 900 manuscritos, copiados entre o século III a.C. e o século I d.C.
Revisado em
As cavernas de Qumran
Qumran é uma ruína num terraço seco acima do mar Morto, ao sul de Jericó. A margem do mar, a mais de 400 metros abaixo do nível do mar, é o ponto mais baixo da Terra em terra firme. Atrás da ruína sobem penhascos de calcário cheios de cavernas, e na frente outras grutas foram cavadas na marga, uma rocha mole. Entre 1947 e 1956, onze delas guardavam rolos. A caverna 4, pertinho da ruína, tinha a maior parte: milhares de fragmentos espalhados pelo chão, que os estudiosos levaram décadas para montar e publicar.
O arqueólogo dominicano Roland de Vaux escavou a ruína entre 1951 e 1956 e achou banhos rituais, um grande salão e o mesmo tipo de cerâmica das cavernas. Tropas romanas destruíram o lugar por volta de 68 d.C., durante a revolta judaica.
Do pastor ao anúncio de jornal
A história contada sempre começa com um jovem pastor beduíno, Muhammad edh-Dhib, que procurava uma cabra perdida, jogou uma pedra numa caverna e ouviu cerâmica se quebrar. Os rolos passaram por um comerciante de Belém. O professor Eleazar Sukenik, da Universidade Hebraica, comprou três em 29 de novembro de 1947, o dia em que a ONU votou a partilha da Palestina. Outros quatro foram parar com o arcebispo sírio ortodoxo Mar Samuel, que os levou aos Estados Unidos e, em 1954, os pôs à venda num anúncio do Wall Street Journal. Quem comprou, por meio de intermediários, foi o filho de Sukenik, o arqueólogo Yigael Yadin.
O que há nos rolos
Cerca de um quarto são cópias de livros da Bíblia hebraica, e todos aparecem, menos Ester. O Grande Rolo de Isaías, com mais de sete metros, copiado por volta de 125 a.C., traz os 66 capítulos inteiros e é mais de mil anos mais antigo que a Bíblia hebraica completa mais velha, o Códice de Leningrado, de 1008 d.C. O texto é muito parecido com o das Bíblias de hoje, com diferenças reais aqui e ali: um rolo de Samuel dá a Golias uma altura menor, como mostra Qual era a altura de Golias? O resto são escritos do próprio grupo: regras, hinos, comentários dos profetas, uma guerra entre os filhos da luz e os filhos das trevas e até um rolo de cobre com uma lista de tesouros enterrados, hoje no Museu da Jordânia, em Amã.
Quem escreveu
A maioria dos estudiosos liga os rolos aos essênios, um movimento judaico rigoroso descrito por Flávio Josefo e por Fílon. O romano Plínio, o Velho, coloca uma comunidade de essênios na margem oeste do mar Morto, acima de En-Gedi (História Natural 5.73). A Regra da Comunidade, um dos rolos, explica por que os seus membros foram para o deserto citando Isaías.
Preparem o caminho do SENHOR no deserto! Façam uma estrada reta no ermo para o nosso Deus.
Os Evangelhos aplicam o mesmo versículo a João Batista, que pregava no Jordão, ali perto (Marcos 1:3); veja Quem foi João Batista? Uma minoria acha que os rolos vieram de bibliotecas de Jerusalém, escondidos quando as legiões chegavam. E é bom desconfiar de fragmentos à venda: em 2020, o Museu da Bíblia, em Washington, admitiu que os seus dezesseis pedaços eram todos falsificações modernas. Hoje qualquer pessoa pode ver os verdadeiros, em alta resolução, na biblioteca digital Leon Levy, da Autoridade de Antiguidades de Israel.
Fontes
- Isaías 40:3; Marcos 1:1–4
- Plínio, o Velho, História Natural 5.73
- Flávio Josefo, Guerra Judaica 2.119–161
- Grande Rolo de Isaías (1QIsaᵃ), Santuário do Livro, Museu de Israel, Jerusalém
- Rolo de Cobre (3Q15), Museu da Jordânia, Amã
- Roland de Vaux, Archaeology and the Dead Sea Scrolls (1973)
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.