A resposta curta
A Bíblia não conta. Atos termina por volta de 62 d.C., com Paulo preso em casa, em Roma. Segundo a tradição antiga, Nero o mandou decapitar entre 64 e 67 d.C., na estrada para Óstia. A espada, e não a cruz, era a morte de um cidadão romano. O túmulo fica em São Paulo Fora dos Muros.
Revisado em
Onde Atos para
Atos acompanha Paulo até Roma e então simplesmente para.
Paulo permaneceu dois anos inteiros em sua própria casa alugada e recebia a todos os que vinham a ele, pregando o Reino de Deus e ensinando as coisas a respeito do Senhor Jesus Cristo com toda a ousadia, sem impedimento.
Dois anos acorrentado a um soldado, esperando que o seu apelo a César fosse julgado, nos levam a cerca de 62 d.C. O que veio depois, Lucas não diz. Uns acham que ele terminou o livro antes do julgamento. Outros, que a mensagem chegando à capital sem impedimento era o final que ele queria.
Uma despedida numa carta
Paulo escreveu da prisão mais de uma vez, e uma carta em nome dele soa como uma última palavra.
Pois eu já estou sendo oferecido, e o tempo da minha partida chegou. Combati o bom combate. Terminei a corrida. Guardei a fé.
Muitos estudiosos acham que um discípulo escreveu 2 Timóteo depois da morte de Paulo; outros a defendem como dele. De um jeito ou de outro, ela mostra como os primeiros cristãos se lembravam dos últimos dias dele: um prisioneiro em Roma, abandonado na primeira audiência (2 Timóteo 4:16), certo de que o fim tinha chegado.
As testemunhas mais antigas
Nenhum autor do século I descreve a execução, mas a tradição começa cedo.
- Primeira Carta de Clemente, por volta de 96 d.C. Uma carta da igreja de Roma diz que Paulo foi acorrentado sete vezes, exilado e apedrejado, pregou no Oriente e no Ocidente, chegou aos limites do Ocidente, deu testemunho diante dos governantes e assim partiu deste mundo (1 Clemente 5).
- Tertuliano, por volta de 200 d.C. Em Roma, ele escreve, Paulo foi coroado com uma morte igual à de João, isto é, João Batista, que foi decapitado (Prescrição contra os hereges 36).
- Eusébio, início do século IV. Paulo foi decapitado em Roma sob Nero, ele diz, e cita Gaio, um cristão de Roma de cerca de 200 d.C., que podia mostrar aos visitantes os santuários de Pedro no Vaticano e de Paulo na estrada para Óstia (História Eclesiástica 2.25).
Os limites do Ocidente podem ser a Espanha, para onde Paulo planejava ir (Romanos 15:24). Eusébio acreditava que Paulo foi solto depois daqueles dois anos, viajou de novo e foi preso uma segunda vez (História Eclesiástica 2.22).
A espada, não a cruz
A crucificação era para escravos e não cidadãos. Um cidadão romano condenado à morte recebia a espada, e Paulo tinha nascido romano (Atos 22:28). Pedro, um pescador da Galileia, foi crucificado, diz a tradição, como conta Como o apóstolo Pedro morreu? É por isso que a arte cristã dá uma espada a Paulo. Uma lenda posterior acrescenta que a cabeça dele quicou três vezes e uma fonte brotou em cada ponto, num lugar chamado Aquae Salviae, ao sul de Roma. A Abadia das Três Fontes ainda está lá.
O túmulo na Via Ostiense
Constantino construiu uma pequena igreja sobre o túmulo, e nos anos 380 três imperadores a substituíram por uma grande basílica. Um incêndio a destruiu em 1823, e a atual Basílica de São Paulo Fora dos Muros foi reconstruída na planta antiga. Em 2006, arqueólogos do Vaticano expuseram um sarcófago de mármore sob o altar, debaixo de uma laje com a inscrição PAULO APOSTOLO MART, a Paulo, apóstolo, mártir. Em 2009, o papa Bento XVI anunciou que fragmentos de ossos tirados por um pequeno furo tinham sido datados por carbono 14 do século I ou II. Católicos e ortodoxos celebram Pedro e Paulo juntos em 29 de junho, a data que, no Brasil, fecha as festas juninas com São Pedro.
Fontes
- Atos 28:16–31
- 2 Timóteo 4:6–18; Romanos 15:24–28
- Primeira Carta de Clemente 5 (c. 96 d.C.)
- Tertuliano, Prescrição contra os hereges 36
- Eusébio, História Eclesiástica 2.22 e 2.25
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.