A resposta curta
Morreu dentro do arraial cercado de Belo Monte, em 22 de setembro de 1897, ferido por um estilhaço de granada e enfraquecido por uma disenteria, quando já faltavam água e comida. Foi enterrado junto à igreja nova. Não foi morto por soldados: o exército só soube da morte em 2 de outubro e desenterrou o corpo no dia 6.
Revisado em
Os últimos dias dentro do arraial
Em setembro de 1897, a quarta expedição do exército já estava havia quase três meses diante de Belo Monte, o arraial que o país chamava de Canudos. A artilharia atirava do morro da Favela. Em 6 de setembro, depois de seis horas de fogo, a igreja nova perdeu as duas torres. Dentro do arraial, faltavam água e comida.
Antônio Conselheiro tinha 67 anos. Foi ferido por um estilhaço de granada e piorou de uma disenteria. Morreu em 22 de setembro de 1897 e foi enterrado no santuário, junto à igreja nova, aquela cuja madeira tinha sido o estopim da guerra. Os fiéis continuaram lutando, e do lado de fora ninguém soube de nada.
Como a notícia saiu do arraial
Em 1º de outubro começou o assalto final. No dia seguinte, Antônio Beatinho saiu com uma bandeira branca para negociar com o general a vida de mulheres, crianças e velhos. Foi nessa conversa que o exército ouviu, pela primeira vez, que o homem que tinha vindo combater estava morto:
O nosso bom Conselheiro está no céu.
A frase diz muito sobre quem a falou. Para os de dentro, ele não tinha sido vencido: tinha ido para o céu. O arraial ainda resistiu mais três dias e caiu em 5 de outubro, sem se entregar.
O mito do Conselheiro morto em combate
É comum ouvir que ele foi morto pelos soldados na queda de Canudos. Não foi assim. Ele morreu duas semanas antes da queda, do ferimento e da doença, entre os seus. A confusão tem explicação: o ferimento veio de uma granada, em pleno bombardeio, e o corpo só apareceu depois que o arraial caiu. Mas ninguém o executou, e ele não morreu de arma na mão. Quem conta a morte assim junta duas datas que estão separadas por treze dias.
O que fizeram com o corpo
Em 6 de outubro, o exército desenterrou o corpo, fotografou-o e cortou a cabeça. Por isso a única fotografia conhecida do Conselheiro é a do corpo. Dele vivo, não existe nenhuma.
O crânio foi levado para a Faculdade de Medicina da Bahia, em Salvador. Lá, o médico Nina Rodrigues o examinou à procura de sinais de loucura, como pedia a ciência da época, que tentava ler o caráter de uma pessoa na forma do crânio. Não encontrou nada. O crânio era normal. Euclides da Cunha, que via no Conselheiro um doente, escreveu dentro dessa mesma ciência, como mostra Sobre o que é o livro Os Sertões?.
Onde ele está
O santuário onde ele foi enterrado ficava junto à igreja nova, na velha Canudos. No fim dos anos 1960, o açude de Cocorobó encheu e cobriu as ruínas do arraial. Nas secas, quando a água baixa, as ruínas reaparecem. Quem foi esse homem, antes de tudo isso, está em Quem foi Antônio Conselheiro?.
Fontes
- Euclides da Cunha, Os Sertões (1902), parte III, “A Luta”
- Flávio de Barros, fotografias da quarta expedição (1897), Museu da República, Rio de Janeiro
- Museu da República, cronologia de Canudos (2017)
- Robert M. Levine, Vale of Tears: Revisiting the Canudos Massacre in Northeastern Brazil, 1893–1897 (1992)