História do Brasil · Fatos

Como Tiradentes morreu?

A resposta curta

Enforcado. Tiradentes foi executado no Rio de Janeiro na manhã de sábado, 21 de abril de 1792, por volta das onze horas, aos 45 anos, depois de quase três anos preso. Vestiu a alva dos condenados e subiu mais de vinte degraus olhando o crucifixo. Pela sentença, o corpo foi depois esquartejado e exposto no caminho de Minas.

Revisado em

Preso num sótão

O fim começa três anos antes da forca. Em março de 1789, quando a conspiração foi denunciada ao governador de Minas, Tiradentes estava no Rio, sondando apoios. Percebeu que era seguido e se escondeu no sótão da casa de um conhecido, na rua dos Latoeiros. Em 10 de maio de 1789, os soldados o acharam ali, com um bacamarte carregado nas mãos.

Ficou preso na fortaleza da Ilha das Cobras, na baía de Guanabara, onde foi interrogado. Passou os últimos dias numa cadeia no centro do Rio, onde hoje fica o Palácio Tiradentes, inaugurado em 1926.

Três dias de abril

Em 18 de abril de 1792, a Alçada, o tribunal especial mandado de Lisboa, assinou a sentença: onze réus à forca. Ela foi lida no dia 19. No dia 20, os juízes apresentaram a carta de dona Maria I, assinada em 1790, que trocava a morte por degredo para todos, menos para um. Por que a exceção foi ele está em Por que só Tiradentes foi enforcado? Na noite de 20 de abril, Tiradentes era o único preso ainda à espera da forca.

A manhã de 21 de abril

Quem conta é o frade Raimundo de Penaforte, que o acompanhou até o fim. Na manhã de sábado, o carrasco entrou para lhe vestir a alva, a túnica branca dos condenados. Tiradentes tirou a camisa e vestiu a alva ele mesmo. Segundo o frade, beijou as mãos e os pés do carrasco. Depois subiu mais de vinte degraus até o alto do patíbulo, sem tirar os olhos do crucifixo.

Por volta das onze horas foi enforcado, e o corpo, como mandava a sentença, foi esquartejado e exposto pelo caminho de Minas, com a cabeça num poste em Vila Rica. Tinha 45 anos.

O que mais a sentença mandou

O castigo não parou no corpo. A casa onde ele morava foi derrubada, e o chão, salgado. Filhos e netos foram declarados infames. Dos outros dez condenados, degredados para a África, vários morreram por lá. Depois veio o silêncio: no Império, governado pelos descendentes da rainha, ninguém fazia questão de lembrar o alferes.

A resposta, 173 anos depois

A sentença queria que ele fosse lembrado como aviso. Um século depois, ele era lembrado como mártir. Em 1890, a República fez do dia da execução uma festa nacional, e os pintores deram ao enforcado túnica branca, crucifixo e um rosto de Cristo. A túnica, ao menos, era verdadeira.

Em 1965, a lei que o declarou patrono cívico da Nação voltou à sentença para desmenti-la: a condenação, diz o texto, “não é labéu que lhe infame a memória”. O homem que a Coroa quis apagar deu nome a uma cidade mineira, a um palácio no Rio e a um feriado nacional.

Fontes

  • Sentença da Alçada, 18 de abril de 1792, e acórdão de 20 de abril de 1792 (Autos de Devassa)
  • Relato de frei Raimundo de Penaforte, o frade que assistiu Tiradentes no dia da execução
  • Prisão de Tiradentes, 10 de maio de 1789 (Autos de Devassa, v. 5)
  • Lei nº 4.897, de 9 de dezembro de 1965