A resposta curta
Há fortes indícios da crença inicial, não uma prova do fato. Os historiadores concordam que Jesus foi crucificado e que, em poucos anos, os seus seguidores, e antigos opositores como Paulo e Tiago, estavam convencidos de que ele lhes tinha aparecido vivo. Se Deus o ressuscitou dos mortos é algo que o método histórico não consegue testar.
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O indício mais antigo: uma lista numa carta
O relato escrito mais antigo da ressurreição não está num Evangelho. Está numa carta que Paulo escreveu à igreja de Corinto por volta de 55 d.C., e ele diz que está passando adiante algo que recebeu.
Pois eu lhes entreguei em primeiro lugar o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, que foi sepultado, que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e que apareceu a Cefas, e depois aos doze.
“Entregar” e “receber” eram as palavras que os mestres usavam para transmitir uma tradição fixa, e as linhas soam como uma fórmula feita para decorar. Paulo acrescenta mais de quinhentos irmãos de uma só vez, “a maioria dos quais continua viva até agora”, depois Tiago, depois todos os apóstolos e, por último, ele mesmo (1 Coríntios 15:6–8). Ele tinha passado quinze dias com Pedro em Jerusalém e conhecido Tiago ali, três anos depois da sua própria virada (Gálatas 1:18–19). Por isso, estudiosos de convicções bem diferentes datam a fórmula de poucos anos depois da crucificação.
O túmulo vazio
Os Evangelhos, escritos a partir de cerca de 70 d.C., contam a história do túmulo. Diferem nos detalhes, um jovem, um anjo ou dois homens, e quais mulheres foram, mas concordam no essencial: mulheres foram lá de madrugada, no primeiro dia da semana, e o encontraram vazio. Os historiadores reparam na escolha das testemunhas. Naquele mundo, a palavra de uma mulher valia pouco, e Josefo diz que as mulheres nem deviam testemunhar (Antiguidades 4.219). Uma história inventada para convencer dificilmente se apoiaria nelas. Quem eram elas é o assunto de Quem encontrou o túmulo vazio?
Mateus também guarda uma versão contrária antiga, que ele atribui aos principais sacerdotes.
Digam que os discípulos dele vieram de noite e o roubaram enquanto nós dormíamos.
Essa história, acrescenta Mateus, “continua até hoje” (Mateus 28:15). Lida assim, mostra que os adversários discutiam para onde o corpo tinha ido, não se o túmulo estava vazio; outros estudiosos veem a história dos guardas como a resposta de Mateus a um boato posterior. A lista de Paulo nunca menciona o túmulo, e alguns historiadores duvidam que um crucificado recebesse um sepultamento de verdade. Outros lembram Jehohanan, um crucificado cujo osso do calcanhar, ainda com o cravo, foi achado num túmulo de família em Jerusalém em 1968.
A crença inicial
O que nenhum historiador sério contesta é que a crença surgiu depressa e mudou pessoas. Paulo perseguia os fiéis antes de se juntar a eles. Tiago, o irmão que não acreditava nele em vida (João 7:5), virou líder da comunidade de Jerusalém e morreu por isso em 62 d.C. Quando Paulo escreveu, a mesma afirmação era feita em Jerusalém e em Corinto: “seja eu ou sejam eles, assim pregamos e assim vocês creram” (1 Coríntios 15:11). Os escritores romanos só notaram o movimento mais tarde, como explica Jesus é citado fora da Bíblia?
O que os historiadores podem e não podem dizer
O historiador pesa probabilidades sobre acontecimentos comuns, e uma ressurreição, por natureza, não é um acontecimento comum. Por isso os estudiosos se dividem menos sobre os fatos do que sobre como explicá-los.
- Uma ressurreição real. N. T. Wright argumenta que só uma ressurreição corporal, com encontros reais depois, explica ao mesmo tempo o túmulo vazio e as aparições, como creem as igrejas.
- Visões. Gerd Lüdemann e outros acham que o luto e o choque produziram experiências que Pedro, os outros e depois Paulo entenderam como encontros com Jesus ressuscitado.
- Histórias que cresceram. Bart Ehrman sustenta que alguns seguidores tiveram mesmo visões, e que os relatos do túmulo e os seus detalhes cresceram à medida que a história era recontada.
E. P. Sanders, um historiador que não defendia o milagre, chamou de fato as experiências de ressurreição dos seguidores e disse não saber que realidade as causou. É mais ou menos ali que a história para. O Herald conta como os textos contam; o que aconteceu no túmulo é questão de fé.
Fontes
- 1 Coríntios 15:1–11; Gálatas 1:18–19
- Marcos 16:1–8; Mateus 28:1–15; Lucas 24:1–12; João 20:1–18
- Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas 4.219
- E. P. Sanders, The Historical Figure of Jesus (1993)
- N. T. Wright, The Resurrection of the Son of God (2003); Bart D. Ehrman, How Jesus Became God (2014)
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.