A resposta curta
Tiago foi um dos irmãos de Jesus citados em Marcos 6:3. Ele não acreditava em Jesus durante o seu ministério, mas Paulo diz que Jesus ressuscitado lhe apareceu, e ele se tornou o líder da igreja de Jerusalém. O historiador judeu Flávio Josefo registra que o sumo sacerdote Anano o mandou apedrejar em 62 d.C.
Revisado em
Um irmão que não acreditava
Marcos cita quatro irmãos de Jesus e põe Tiago em primeiro lugar, além de irmãs que não nomeia (Marcos 6:3). Tiago é o mesmo nome que Jacó, o do patriarca: chegou ao português por outro caminho, do latim Iacobus, via Santiago. Durante o ministério, a família fica à distância. Certa vez a mãe e os irmãos ficam do lado de fora de uma casa lotada, chamando por ele, e Jesus responde que quem faz a vontade de Deus é seu irmão, sua irmã e sua mãe (Marcos 3:31–35). Na Festa dos Tabernáculos, os irmãos o provocam para que vá à Judeia e se mostre ao mundo, e João acrescenta uma frase seca.
Pois nem mesmo seus irmãos criam nele.
A virada
Algo mudou. Entre as aparições que Paulo diz ter recebido como tradição, uma é a Tiago, pelo nome: “Depois apareceu a Tiago” (1 Coríntios 15:7). Em Pentecostes, os irmãos estão orando com os discípulos em Jerusalém (Atos 1:14). Quando Paulo foi a Jerusalém, uns três anos depois da sua própria virada, encontrou dois líderes.
Mas não vi nenhum dos outros apóstolos, exceto Tiago, o irmão do Senhor.
Líder em Jerusalém
Em poucos anos, Tiago está no comando. Pedro, solto da prisão, diz “Contem estas coisas a Tiago e aos irmãos” antes de deixar a cidade (Atos 12:17). Paulo cita “Tiago, Cefas e João” como as colunas, nessa ordem (Gálatas 2:9). Na reunião de por volta de 49 d.C. sobre se os gentios convertidos precisavam ser circuncidados, é Tiago quem decide: “o meu parecer é que não perturbemos aqueles dentre os gentios que se convertem a Deus” (Atos 15:19). Mesmo assim, ele seguia de perto a prática judaica, e quando chegaram a Antioquia “algumas pessoas da parte de Tiago”, Pedro deixou de comer com os gentios (Gálatas 2:12). Os cristãos depois o chamaram de Tiago, o Justo. A carta de Tiago, que a tradição atribui a ele, insiste que a fé sem obras é morta (Tiago 2:17); os estudiosos discutem se foi ele quem a escreveu, e Martinho Lutero a chamou de “epístola de palha”.
Ele não é Tiago, filho de Zebedeu, o pescador que Herodes Agripa I matou à espada por volta de 44 d.C. (Atos 12:2).
A sua morte
Josefo conta o fim (Antiguidades 20.197–203). Em 62 d.C., morreu o governador romano Festo, e antes que o sucessor, Albino, chegasse, o novo sumo sacerdote Anano, filho do Anás dos Evangelhos, reuniu o conselho e mandou apedrejar Tiago, irmão de Jesus, chamado Cristo, com alguns outros, como infratores da lei. Os cidadãos mais justos de Jerusalém protestaram, e o rei Agripa II tirou Anano do cargo depois de três meses. Um cristão do século II, Hegesipo, citado por Eusébio, conta uma versão mais dramática: Tiago, com os joelhos calejados como os de um camelo de tanto rezar no Templo, jogado do pináculo, apedrejado e morto com o porrete de um pisoeiro, o trabalhador que batia os tecidos (História Eclesiástica 2.23). A maioria dos historiadores prefere Josefo.
Irmão, primo ou meio-irmão?
- A maioria dos evangélicos lê “irmão” ao pé da letra: um filho mais novo de Maria e José.
- Os ortodoxos seguem uma tradição que aparece no Protoevangelho de Tiago, do século II, e em Epifânio: um filho de José de um casamento anterior.
- Os católicos costumam seguir Jerônimo, que defendeu por volta de 383 que os irmãos eram primos, já que o hebraico e o aramaico usavam “irmão” para parentes próximos.
Em 2002, uma caixa de ossos de calcário com a inscrição “Tiago, filho de José, irmão de Jesus” virou manchete. A Autoridade de Antiguidades de Israel declarou a inscrição uma falsificação moderna em 2003. O julgamento do dono terminou em 2012 sem condenação por falsificação e sem decidir se as palavras são autênticas; a maioria dos estudiosos continua desconfiada.
Fontes
- Marcos 3:31–35; 6:3; João 7:3–5
- 1 Coríntios 15:7; Atos 1:14; 12:1–17; 15:13–21; 21:18
- Gálatas 1:18–19; 2:9–12; Tiago 1:1; 2:17
- Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas 20.197–203
- Eusébio, História Eclesiástica 2.23 (citando Hegesipo); Jerônimo, Contra Helvídio (c. 383)
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.